Com a morte de Jamil Name, a defesa de Jamil Name Filho irá pedir à Justiça que o libere para acompanhar o velório do pai.
Name Filho está preso na Penitenciária Federal de Mossoró, também acusado de participar de milícia armada responsável por diversas execuções em Campo Grande.
Advogado de Name Filho, Félix Jayme Nunes da Cunha disse ao Correio do Estado que já está com a petição pronta e aguarda a definição sobre o traslado do corpo e horário do velório para interpor o pedido.
Assim como o pai, Jamilzinho também teve Covid-19, mas já está recuperado, segundo o advogado.
“Pela Lei de Execução Penal, qualquer preso tem direito a uma liberação temporária, sob escolta, para participar do velório”, disse o advogado.
O artigo 120 da referida lei dispõe que os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer:
- Falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão;
- Necessidade de tratamento médico.
A permissão de saída deve ser concedida pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o preso.
Conforme Félix Jayme, a petição será protocolada na Vara de Execuções Penais de Campo Grande a ao Corregedor da Penitenciária Federal de Mossoró.
Jamil Name morreu aos 82 anos, por complicações da Covid-19, nesse domingo (27).
Name foi preso em 2019, durante a Operação Omertá, e desde então estava em Mossoró.
Ele já havia tomado às duas doses de vacina contra a Covid-19 e foi diagnosticado com a doença em 31 de maio, mesmo dia que foi internado.
Advogado que representava Name, Tiago Bunning, afirma que Jamil Name, além de se enquadrar no grupo de risco por ser idoso, com 82 anos, também sofria com diabetes, hipertensão, dificuldade de locomoção, audição, visão e várias outras doenças crônicas.
Segundo Bunning, Name começou a apresentar sintomas no dia 27 de março deste ano, como diarreias contínuas, que provocaram desnutrição, mas que foi mantido na prisão por alguns dias antes de receber atendimento adequado.
Ele foi internado na enfermaria da Unidade Penal, em Mossoró, e no dia 26 maio foi transferido as pressas para uma UTI.
A defesa tentava a transferência de Name para um hospital no Distrito Federal, para o tratamento da Covid-19.
Ele transferência foi autorizada, mas a instabilidade no quadro de saúde o impediu de deixar Rio Grande do Norte.
Chefe da milícia
Jamil Name foi preso nas primeiras fases da Operação Omertá, deflagrada em setembro de 2019.
Na época, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil prenderam policiais, empresários e guardas municipais investigados por serem membros de grupo de extermínio.
Conforme informações do Ministério Público, a suspeita é que grupo chefiado por Jamil Name e o filho Jamil Name Filho, teria executado ao menos três pessoas em junho de 2018, na Capital.
Duas das mortes interligada aos Name, foram a do ex-chefe de segurança da Assembleia Legislativa, Ilson de Figueiredo e do estudante de direito Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos, morto a tiros de fuzil em abril de 2019, enquanto manobrava o carro do pai.
Um mês após a morte de Matheus, policias do Garras e do Batalhão de Choque desmantelaram um arsenal de armas que estava em posse de um guarda municipal. Conforme o Gaeco, as armas pertenciam aos grupo de extermínio e investiga se eram utilizadas nas execuções.
Histórico
A vida de luxo de Jamil Name começou em 1957, quando morava em São Paulo. Em 1958 foi morar sozinho em Campo Grande, onde fez sociedade com um conhecido e passaram a fazer anotações de jogo de bicho e pif-paf.
Depois de algum tempo desfez a sociedade e passou a fazer a anotação do jogo sozinho. Após isso, fez sociedade em negócio imobiliário, fundando a imobiliária Fena, fazendo muitas transações em terras em Mato Grosso (antes da divisão), São Paulo e Paraná.
Abriu também diversos loteamentos de condomínios na Capital de Mato Grosso do Sul. Name era dono de diversas empresas, inclusive do Jóquei Club, já foi presidente do Operário Futebol Clube e teve seu nome envolvido em negócios ilícitos.