Campo Grande tem avançado no número de doses aplicadas contra a Covid-19 na população, o que traz otimismo sobre o possível controle da pandemia e o abandono das medidas de biossegurança, assim como ocorre atualmente nos Estados Unidos.
Com a chegada de mais doses do imunizante, a Capital atingiu a marca de 41,39% de pessoas vacinadas com primeira dose e 17,96% de pessoas imunizadas contra Covid-19, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau).
A infectologista Rafaelli Melo estima que, para que se tenha o controle da pandemia, é preciso que pelo menos 70% da população esteja vacinada.
“É difícil definir um número exato, mas para a imunidade coletiva ser atingida precisamos de 70% da população imunizada. Estamos no caminho para isso, mas é muito cedo para falar em deixar de lado as medidas de biossegurança, ainda não temos uma porcentagem de vacinação que impeça o ciclo de transmissão, e com as variantes já tivemos vários casos de reinfecção”, apontou ao Correio do Estado.
Na Capital, 375.030 campo-grandenses receberam a primeira dose e 162.543 estão imunizados, respectivamente. Vacinados com dose única da Janssen totalizam 3.312 pessoas. As doses aplicadas na cidade são Pfizer-BioNTech, Coronavac-Sinovac-Butantan, Janssen e AstraZeneca-Oxford-Fiocruz.
Rafaelli reitera que no atual cenário, as vacinas não são a única alternativa para controlar a pandemia, sendo fundamental manter o uso de máscara, distanciamento social e evitar aglomerações.
“As medidas de biossegurança continuam sendo as ferramentas que vão auxiliar no controle da pandemia, mesmo as pessoas que já pegaram Covid e até quem já se vacinou ainda se faz necessário manter os cuidados. Mesmo com o avanço na vacinação, o momento pede cuidado”, destacou.
Conforme os dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem cerca de 70 milhões de pessoas vacinadas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19, o que dá em torno de um terço da população. Cerca de 25 milhões de pessoas já tomaram também a segunda dose, pouco mais de 11% dos brasileiros.
A especialista destaca que é necessário ter prudência quanto a definir metas para abandonar as medidas de restrição, como exemplo, Chilenos e Uruguaios enfrentam uma nova onda de casos da doença, mesmo depois de atingirem níveis de imunização em massa da população comparáveis aos EUA quando começaram a relaxar as medidas restritivas.
“No atual cenário, onde tudo é muito incerto, tivemos exemplos em outros países que a situação parecia estar controlada, mas veio uma nova onda de casos confirmados e óbitos. É fato que as medidas de biossegurança precisam ser mantidas, a máscara é a medida mais eficaz após o isolamento, enquanto houver alta circulação viral é necessário manter todos os cuidados”, explicou.
De acordo com dados do Ministério da Saúde do Chile, até o dia 22 de junho, 64% da população já havia tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19. Por lá, o imunizante mais utilizado é a Coronavac, responsável por mais de três quartos das doses aplicadas.
Mesmo com o alto percentual de imunizados, o Chile viu um aumento das infecções nas últimas semanas, o que provocou um colapso no sistema de saúde e fez com que a capital, Santiago, tivesse de entrar em lockdown, no último dia 10 deste mês, para tentar frear as contaminações.
RETORNO À NORMALIDADE
Nos Estados Unidos a campanha de vacinação iniciou-se no dia 14 de dezembro. Em 1º de março, cerca de dois meses e meio após o início da vacinação, os país já tinham 7,6% da população vacinada, segundo o levantamento do "Our World in Data", ligado à Universidade de Oxford.
Atualmente, os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos já autorizam pessoas completamente vacinadas a deixarem de usar máscara ao ar livre após duas semanas da segunda dose, exceto em aglomerações.
O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou aos norte-americanos que em 4 de julho é para celebrar ao mesmo tempo a independência do país e “o dia da independência em relação ao vírus”, ao menos temporariamente.
Devido a redução no número de casos confirmados e a aceleração da campanha de vacinação, grandes cidades como Nova York e Chicago já anunciaram sua abertura para as próximas semanas.
Com exemplo, Washington, determinou que desde o dia 11 de junho os ginásios esportivos, salas de espetáculos e casas noturnas voltarão a abrir as portas sem restrições de lotação, pela primeira vez em 14 meses.
Há um mês, o número de mortes diárias está abaixo de 1.000, e já há grandes cidades que somam vários dias sem registrar óbitos por covid-19. As previsões mais otimistas dos CDCs indicam que, até agosto, o país passará da cifra atual de mais de 4.000 mortos por semana para algumas centenas e, até dezembro, menos de 100 por dia. (Com agência)