Com a vacinação em massa na fronteira, utilizando 165,5 mil doses da Janssen, os 13 municípios contemplados com o estudo do grupo Vebra Covid-19 vão passar a exigir título de eleitor, comprovante de residência e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) para a aplicação do imunizante contra o coronavírus.
Essa estratégia será empregada para evitar a prática de “turismo de vacina”.
A atividade ganhou força nos últimos meses, em razão da pandemia. Aqueles com maior poder aquisitivo estão recorrendo à quarentena de 15 dias no México para, então, dar entrada nos Estados Unidos, onde a vacinação contra a Covid-19 ocorre de forma avançada, até mesmo nos aeroportos.
O secretário municipal de Saúde de Corumbá e presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems-MS), Rogério Leite, relatou ao Correio do Estado que as 13 cidades participantes da vacinação em massa serão criteriosas quanto à comprovação de domicílio.
“A população das demais cidades também terá avanço na imunização, pois estará recebendo doses dos outros laboratórios que seriam destinadas aos municípios de fronteira”, reiterou Leite.
O presidente do Cosems-MS ponderou ainda que a expectativa é de que todo o Estado esteja vacinado com a primeira dose até o fim de agosto.
“Pedimos que as pessoas tenham consciência e que aguardem o momento de receber a vacina em seu próprio município”, disse Leite.
Por ora, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) aguarda informações do Ministério da Saúde sobre a data de envio das vacinas da Janssen.
O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, destacou que, com a vacinação em massa, haverá avanço no ranking de imunização de todo o Estado. “As próximas remessas regulares serão distribuídas entre os 66 municípios, enquanto os 13 municípios de fronteira receberão as 165,5 mil doses necessárias para a realização do estudo”, explicou Resende.
Segundo o coronel e diretor de Saúde do Corpo de Bombeiros Marcello Fraiha, a comprovação de residência poderá ser feita também por meio de vínculos empregatícios.
Filas
Mato Grosso do Sul tinha ontem 32 pessoas à espera por um leito hospitalar. Na Central de Regulação da Capital, 30 enfermos aguardam. Já em Dourados, uma pessoa esperava. Outro aguarda na Central de MS.
ESTUDO
O envio para a fronteira é referente aos 5% das 3 milhões de doses da Janssen que desembarcaram entre sexta-feira (25) e sábado (26) no País.
Produzida pelo grupo Johnson & Johnson, o imunizante de dose única possui eficácia de 85% para casos graves de Covid-19 e proteção completa contra hospitalização e morte pela doença.
O secretário de Saúde de Corumbá destacou que a intenção com a vacinação em massa é criar um “cinturão de imunização” na fronteira.
“Isso deve ocorrer para que as novas cepas da Covid-19 não entrem no Estado e no País pelas fronteiras de Mato Grosso do Sul. Pois nestes locais há um grande fluxo de pessoas transitando entre os países diariamente”, ponderou.
Liderado pelo infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, o estudo é semelhante ao já feito nos municípios de Serrana e Botucatu, ambos em São Paulo, e vai analisar o impacto da vacinação em massa em pessoas entre 18 e 50 anos nas 13 cidades de fronteira do Estado, após 14 dias de aplicação da dose única da Janssen.
Os municípios que vão fazer parte do estudo são: Mundo Novo, Japorã, Sete Quedas, Paranhos, Coronel Sapucaia, Aral Moreira, Ponta Porã, Antônio João, Bela Vista, Caracol, Porto Murtinho, Corumbá e Ladário.
NOVA REMESSA
De acordo com a SES, o governo federal deve encaminhar nesta semana um novo lote com 68.460 doses de vacinas contra Covid-19. A remessa será composta por 26.910 imunizantes da Pfizer e 41.550 da Janssen.
Somadas às 165,5 mil vacinas da Janssen, MS deve receber até o fim desta semana 233.960 doses contra o coronavírus.
Mato Grosso do Sul já aplicou 1.621.600 doses. Por volta de 41,28% dos moradores já foram contemplados com a primeira etapa de vacinação. Em relação aos imunizados, 17,05% dos sul-mato-grossenses já estão protegidos contra o coronavírus.