Graças à valorização da moeda americana frente ao real, os recursos da segunda etapa do projeto Reviva Centro, obtidos por empréstimos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foram ampliados em R$ 100 milhões na Capital.
Além da requalificação das principais vias urbanas do Centro, será incluso, ainda, um condomínio com 40 unidades habitacionais para pessoas idosas de baixa renda, o Reviva da Melhor Idade.
O projeto deverá ser lançado neste ano e cada unidade será negociada por meio de aluguel social.
As obras de revitalização do centro de Campo Grande são financiadas pelo BID no valor de US$ 56 milhões, contudo, quando o acordo foi firmado em maio de 2017, a cotação do dólar estava em R$ 3,23.
Atualmente, a moeda americana varia entre R$ 5,07 e R$ 5,26, permitindo que o município ampliasse as intervenções no centro da Capital e lançasse um condomínio destinado a pessoas com idade acima de 60 anos com rendimento individual de até dois salários mínimos mensais e independência financeira.
Conforme a prefeitura, cada apartamento será composto por sala, cozinha, área de serviço, quarto, banheiro e varanda.
A licitação será lançada em setembro, e a obra está orçada em R$ 7 milhões, que será bancada pelo BID.
De acordo com o diretor de atendimento, administração e finanças da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf), Cláudio Marques Costa Junior, a obra pretende garantir independência ao público idoso.
“O projeto Reviva para melhor idade foi pensado para esse público específico, com adaptações para as pessoas idosas, além de escada, elevador, e tudo necessário para o conforto e a segurança dos moradores. O projeto arquitetônico já foi aprovado, e em breve lançaremos a licitação”, explicou.
O condomínio terá horta, espaço de convivência, capela ecumênica, biblioteca e espaço para primeiros socorros e de convivência social.
Além de blocos com cores distintas, a fim de colaborar para a identificação das unidades habitacionais.
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O espaço será construído em uma área em frente ao Horto Florestal, localizado na confluência da Rua Anhanduí com a Fernando Corrêa da Costa, onde funcionava a antiga sede da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Conforme a coordenadora especial da Central de Projetos da Prefeitura de Campo Grande, Catiana Sabadin, assim como o Reviva Campo Grande, o projeto visa revitalizar o Centro e estimular novas moradias na área central da Capital com valores acessíveis.
“Essa parcela da população tem pouquíssimo acesso à habitação de interesse social. As pessoas idosas têm dificuldade em conseguir financiamento, e o município vem para suprir essa demanda com um projeto inovador que contribuirá para o desenvolvimento de Campo Grande”, destacou Catiana Sabadin.
O projeto prevê ainda a construção de 10 salas comerciais, que serão localizadas em frente do condomínio. Segundo Cláudio Marques, o aluguel dos espaços será voltado para custear o condomínio e não sobrecarregar o orçamento dos moradores.
“Teremos lojas que serão alugadas para pagar as despesas dos moradores. Sabemos que o salário é curto, muitos idosos não conseguiriam morar na área central, com tudo perto, e toda a infraestrutura que ofereceremos”, apontou.
CRITÉRIOS
O Reviva da Melhor Idade será voltado para idosos que sejam independentes, que consigam se locomover sozinhos e que moram sozinhos ou casais de idoso, sendo restrito aos demais familiares, como filhos e netos.
De acordo com o Marques, a prefeitura vai subsidiar a maior parte do valor dos aluguéis, que deve variar entre R$ 150 a R$ 250.
A distribuição dos apartamentos será feita por meio de sorteio público, sendo contemplados apenas solteiros e casais.
“A construção dessas unidades vai trazer novas moradias para o centro da cidade, as unidades serão colocadas em locação pelo valor simbólico. Estamos finalizando alguns estudos, mas o valor do aluguel deve ser em torno de R$ 150 a R$ 250, bem abaixo do mercado para a região”, apontou.
Segundo a Agência Municipal de Habitação, os imóveis serão ocupados em regime rotativo.
Quando a pessoa falecer ou não quiser ficar, outro idoso ocupará o apartamento, com a definição por sorteio da lista de espera.
A obra terá espaços adaptados para as cadeiras de rodas em todos os ambientes.
O objetivo é aumentar o adensamento populacional no centro de Campo Grande e no entorno, região que já conta com todos os equipamentos urbanos necessários.
O projeto prevê acesso facilitado a equipamentos comunitários e centros de saúde da Capital.
HABITAÇÕES
Além do Reviva da Melhor Idade, o projeto Reviva Campo Grande ainda terá o lançamento de outras mil unidades habitacionais para a população de baixa renda.
No dia 4 de abril, foi aprovado o Projeto de Lei 10.032/21, que autoriza a Amhasf a doar imóvel de cinco hectares para projetos de habitações. Uma das áreas está localizadas às margens do Córrego Segredo, próximo ao Bairro Cabreúva.
Segundo a prefeitura, o programa vai promover a construção de moradias no âmbito do programa Casa Verde e Amarela.
No caso dos apartamentos localizados no Cabreúva, as unidades serão comercializadas por meio de cadastro na agência e deverão ter preços entre R$ 120 mil e R$ 170 mil, faixa habitacional do Habitação de Interesse Social. As unidades serão financiadas pela Caixa Econômica Federal.
Obras
Em 2018, a Prefeitura de Campo Grande emprestou US$ 56 milhões do BID. A valorização do dólar permitiu que o município utilizasse o dinheiro para ampliar projetos, como a criação de um corredor gastronômico na Capital.
OUTRAS OBRAS
A segunda etapa do Reviva Campo Grande contempla o microcentro, que abrange, além da Rua José Antônio, o quadrilátero formado pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa, Mato Grosso e Calógeras e Rua Padre João Crippa.
De acordo com a prefeitura, todas as ruas transversais e paralelas receberão asfalto, calçadas com acessibilidade, reforço na iluminação com lâmpadas de LED, arborização e nova sinalização.
O projeto prevê 27,8 quilômetros de recapeamento e 4,1 quilômetros de drenagem, além de revitalização que abrangerá as vias transversais à Rua 14 de Julho, no quadrilátero das ruas 26 de Agosto/Barão de Melgaço, Antônio Maria Coelho, Padre João Crippa e Avenida Calógeras.
O projeto prevê modernizar a sinalização de vias públicas, instalação de mobiliário urbano, paisagismo e arborização do município.
Além da instalação de câmeras de monitoramento e de rede subterrânea de energia elétrica e telecomunicações.
O Reviva Centro teve início há uma década, mas as obras começaram de fato a sair do papel apenas em 2018, com a revitalização da Rua 14 de Julho, que custou R$ 60 milhões e foi inaugurada em novembro de 2019.