Mesmo com o avanço da imunização contra o coronavírus em Mato Grosso do Sul e queda no número de casos confirmados, contudo, a pandemia ainda requer atenção e cuidado com o surgimento e proliferação de novas variantes. Até o momento, 13 variantes de coronavírus já estão presentes no Estado.
Na última quarta-feira (14), a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi convocada para discutir os próximos passos do combate à pandemia a nível mundial. Na reunião, o grupo concordou em focar os esforços em frear a disseminação de novas variantes, que podem prolongar ainda mais o estado de emergência sanitária.
A OMS divide as variantes em dois tipos: as de “interesse” e as de “preocupação”. As de “preocupação” geralmente são mais transmissíveis e violentas.
O infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda explicou que a maior transmissibilidade da Covid-19 condiciona o surgimento de novas variantes.
No entanto, Croda salientou que a maioria das cepas não terá uma importância epidemiológica, na prática, isso significa que nem todas as linhagens descobertas terão a capacidade de agravar a pandemia.
“Existem menos de 10 variantes que têm importância epidemiológica. Geralmente, são aquelas associadas a maior transmissibilidade ou maior gravidade”, explicou.
Atualmente, quatro variantes preocupam as autoridades da OMS: Alpha, Beta, Gamma e, especialmente, a Delta, que se espalha com mais facilidade. Até o momento, nenhuma dessas foi identificada em Mato Grosso do Sul.
A variante Delta, descoberta originalmente na Índia, foi identificada pela primeira vez no Maranhão, em maio, e também registrada em São Paulo. A cepa está presente em mais de 111 países no momento, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A mutação tem preocupado as autoridades de saúde e provocou o adiamento do fim das restrições contra o coronavírus no Reino Unido, como também na Alemanha. O infectologista defende que toda nova variante é preocupante.
“Eu considero uma variante preocupante, até mesmo porque ela está competindo com a Gamma. Além da variante ‘Delta’, que com certeza é mais preocupante no momento, ela é considerada altamente transmissível”, apontou.
As vacinas disponíveis contra a Covid-19 demonstram proteção contra a variante delta original, apesar de serem menos eficazes. Uma dose da Pfizer e AstraZeneca tem 33% de eficácia contra a doença sintomática provocada pela variante delta.
Após duas doses, AstraZeneca revela eficácia de 60%, contra 88% da Pfizer. A da Janssen apresenta 66%.
Conforme dados do vacinômetro, 2.132.130 doses foram aplicadas no Estado desde 18 de janeiro de 2021, início da campanha de imunização.
Com isso, 54,59% da população sul-mato-grossense está vacinada e 29,16% imunizada com às duas doses ou dose única.
De acordo com o boletim epidemiológico apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul registrou 339 novos casos e mais 13 óbitos por Covid nas últimas 24 horas. Até o momento, 7.495 sul-mato-grossenses morreram em decorrência da Covid-19 desde o início da pandemia.
A taxa de contágio está em 0.83, ou seja, de cada 100 confirmados existe a possibilidade de contaminação de 83 pessoas no dia seguinte.