As aulas presenciais na Rede Municipal de Ensino (Reme) serão retomadas hoje em Campo Grande. E a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) orientou a concessionária que comanda o serviço de transporte coletivo, Consórcio Guaicurus, a disponibilizar apenas um veículo extra para linhas mais movimentadas, o que pode gerar ainda mais aglomeração dentro dos carros.
Conforme apurado pelo Correio do Estado, a Agetran pretende aumentar um ônibus reserva por linha para atender os bairros com maior movimento de alunos, como por exemplo Nova Lima, Noroeste, Santa Emília, Paulo Coelho Machado, entre outros.
Até o momento, 1.600 alunos solicitaram o benefício do passe do estudante para o segundo semestre deste ano, de acordo com o levantamento da Agetran.
A agência alega que o número de estudantes que solicitaram o benefício do passe é inferior ao habitual, o que pode ser reflexo da insegurança de alguns pais quanto ao uso do transporte coletivo para o retorno presencial. A Agetran, porém, não informou os números de antes da pandemia.
Para obter o passe, o estudante precisa atender a uma série de exigências, e uma delas é morar a uma distância mínima de 2 km da escola. As aulas presenciais na Reme estão suspensas desde o dia 18 de março de 2020, em razão da pandemia do coronavírus.
Por conta disso, os ambientes escolares foram substituídos pelo ensino remoto, implementado no País com o objetivo de amenizar os efeitos que o isolamento social impôs à educação.
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INCERTEZAS
Uma das principais reclamações dos usuários do transporte coletivo da Capital é a superlotação dos ônibus, sendo esse um dos problemas que mais aflige os pais e responsáveis com o retorno presencial.
A assistente administrativa Cleusa Almeida, 49 anos, é mãe de três filhos e decidiu não aderir ao retorno presencial por medo, pois todos utilizam o transporte público para chegar até a escola. Para ela, não é o momento ideal para a retomada, por considerar pouco seguro para a saúde das crianças e dos moradores da casa.
“Vivemos um momento delicado, meus filhos sentem falta da escola e dos amiguinhos, mas não temos como levar e buscar e eu não confio em mandar meus filhos de ônibus na pandemia, ainda tenho muito receio com o retorno presencial", relatou Cleusa.
"A minha preocupação é relaxarem nos cuidados com a higiene nas escolas, e sabemos que o transporte é precário. Nesse primeiro momento acho mais seguro continuarmos com o ensino remoto”, completou.
De acordo com a Agetran, durante a pandemia, em dias úteis circulam 370 veículos pela cidade. Atualmente, o transporte público está operando com a lotação máxima de 70% dos ônibus, conforme determina decreto municipal.
Já Mercedes de Souza, 37 anos, vai aderir à volta presencial, e suas duas filhas utilizam o transporte coletivo para chegar até a escola. Mercedes aponta que elas sentem falta do convívio e estão sendo orientadas a manter todos os cuidados de higiene.
“O retorno vai acontecer em algum momento, elas também já não aguentam mais ficar em casa. Desde o início da pandemia oriento sobre o uso de máscara e os cuidados. Eu utilizo ônibus todo dia para trabalhar, não é fácil, mas estou torcendo para dar tudo certo. Minhas meninas estão ansiosas pela volta”, destacou.
MEDIDAS
Segundo a Semed, para o retorno presencial haverá limite de ocupação das salas de aula de 30% a 50%. A divisão dos alunos será de acordo com a realidade de cada escola, por meio do Procedimento Operacional Padrão (POP), e haverá rodízio semanal, ou seja, o grupo que vai presencial em uma semana fica remoto na próxima.
O escalonamento semanal é definido por escola, de acordo com as etapas de ensino, a quantidade de alunos e o tamanho das salas.
Para o retorno foram determinados protocolos de biossegurança, o uso de equipamentos de proteção individual será obrigatório e haverá distribuição de materiais de higiene para as escolas.