Com o avanço na vacinação contra a Covid-19 em Mato Grosso do Sul, que tem 75,6% da população adulta vacinada com ao menos uma dose ou dose única ou 56% da população total vacinada (maior porcentual do País), o Estado deve evitar que novos picos como os anteriores ocorram novamente, mesmo com as flexibilizações anunciadas pelo governo do Estado.
De acordo com a médica infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ana Lúcia Lyrio, se o ritmo da vacinação continuar o mesmo, ela não acredita que poderá haver uma piora nos patamares registrados a partir de março deste ano.
“Não acredito em piora, mas em uma estabilidade em um nível elevado. Não [um aumento] tão rápido por conta da reabertura. Vamos observar com o passar do tempo, no próximo mês deve melhorar bastante”, afirmou a pesquisadora, que é uma das responsáveis pela pesquisa da vacina da Coronavac em Campo Grande.
Lyrio afirmou que o retorno das aulas pode causar algum impacto no número de casos apresentados e, por isso, a vacinação dos adolescentes ajudaria a conter a propagação da doença. “O retorno às aulas presenciais pode causar um impacto nas notificações, mas a vacinação de adolescentes é importante nesse processo”.
Para o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende, agosto deverá ser o melhor mês da pandemia deste ano, com redução de casos, mortes e internações. “Eu acho que vai ser o melhor mês se acontecer entrega das vacinas que estão anunciando”.
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QUEDA
A redução já é sentida no Estado, apesar de ontem ter ocorrido um pico de casos registrados. Foram 1.060 registros somados e 23 mortes, porém, a média móvel de episódios da Covid-19 segue em estabilidade.
Na quarta-feira, eram 634 casos por dia. Em relação às mortes, houve uma pequena queda em relação ao dia anterior. Na terça-feira, eram 22,9 de média, ontem, o número estava em 20,6.
Esses números são quase metade do que era registrado há 30 dias. Em relação às mortes, a média móvel, em comparação do dia 28 de julho com 28 de junho, caiu 52%, já a média de mortes reduziu 51,6%.
Já no comparativo de 60 dias, em relação ao dia 28 de maio, a queda foi ainda maior, de 59,2% em relação aos casos e de 52,2% dos óbitos.
A queda da ocupação de leitos, porém, não é tão alta este mês em comparação ao anterior. Em 30 dias, a redução foi e 33,3%. Já em termo comparativo com 28 de maio, a queda foi de 52,5%.
Segundo a médica, a queda menor em relação a esses dados é por conta do fato de que alguns leitos foram desabilitados, já que muitos hospitais funcionavam acima de sua capacidade, com leitos improvisados.
“As pessoas ficam muito tempo internadas, então, várias não conseguiam vagas para internação porque faltavam leitos, agora, se precisar, interna. [A redução lenta se deve] primeiro porque diminuíram os leitos, conforme foram liberando por óbito ou alta não abriram a vaga, porque essas vagas eram temporárias", explicou a pesquisadora Ana Lúcia.
"O HU fechou os leitos extras, a Unimed fechou um andar que havia sido aberto para os casos excedentes. Isso é um sinal de melhora importante, porque começam a autorizar os tratamentos, as cirurgias eletivas, que estavam suspensas, melhora o acesso da população para outras doenças que foram muito prejudicados durante toda a pandemia”, completou.
Na Santa Casa de Campo Grande, no Hospital Regional e no Hospital Adventista do Pênfigo, a ocupação estava em 100% no início desta semana.
FLEXIBILIZAÇÃO
Com a redução, o governo do Estado decidiu flexibilizar as medidas restritivas e permitir a realização de atividades que antes não eram recomendadas para quase nenhum grau de risco, de acordo com o Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir).
Festas, bingos, teatro, produção musical e até discotecas e danceterias poderão funcionar, respeitando a capacidade máxima de lotação.
A medida é uma forma que o Estado encontrou para retomar uma certa normalidade.
A lotação máxima de cada estabelecimento será definida com base na classificação das cidades por cores de bandeira, da mesma forma como ocorrerá com as aulas.
Nas cidades de bandeira cinza, de grau de risco extremo da pandemia, a capacidade máxima será de 30%; na bandeira vermelha, de 50%; na bandeira laranja, de 70%; na amarela, de até 90%; e as cidades em bandeira verde podem atender com 100% do público.
Todos os locais devem respeitar o toque de recolher vigente em cada cidade, assim como as medidas, como o fornecimento de álcool em gel, o distanciamento, entre outros.
“Nós estamos em um quadro diferente, então você tem de fazer graduações a medida que o quadro modifica. Isso aconteceu em todo o mundo e em vários estados está acontecendo, e também aqui em Mato Grosso do Sul. A gente está fazendo as adaptações de acordo com o quadro da doença, que é totalmente diferente do que nós tínhamos há 50, 60 dias”, explicou Geraldo Resende.
VACINAÇÃO
De acordo com o secretário de Saúde, está previsto a entrega de 63 milhões de doses de vacinas em agosto para o Ministério da Saúde, com isso, Mato Grosso do Sul deve continuar avançando na vacinação e na imunização de sua população.
“Mato Grosso do Sul é o Estado que faz o maior volume de investimentos e avança para ser o primeiro a sair da pandemia. Temos avançado o dobro da média nacional em vacinação”, declarou o governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB).
Ontem, após seis dias, Campo Grande voltou a aplicar a primeira dose das vacinas contra a Covid-19. Isso porque a cidade ficou uma semana sem receber novos imunizantes.
O Uber Éder Santana de Souza, de 47 anos, que até o dia 10 de julho estava internado, estava entre as mais de 2,5 mil pessoas que foram aos locais de vacinação ontem.
“Uma semana antes de ser intubado, eu fiz o exame da Covid-19, quando fui pegar, comprovei que estava com a doença e muito mal, tossindo muito e com febre. A médica mandou eu fazer um raio-x no Rosa [Pedrossian, Hospital Regional]", contou Souza.
"Quando voltei ao posto com o exame, me colocaram no soro e chamaram o Samu. Fui para o [Centro Regional de Saúde] Aero Rancho, dormi lá do dia 24 para 25 e fui intubado nesse dia. Depois disso, não lembro de mais nada. Acordei no Rosa depois de 10 dias, fiquei cinco dias intubado lá [dos 10 totais]”, completou.
Ontem, quando foi vacinado, Éder disse que se emocionou. “Eu estava ansioso porque estava perto de tomar minha vacina, de 47 anos, aí naquela semana comecei a ficar ruim e quando saiu o resultado do exame, que era para eu tomar a vacina, estava com o vírus".
"Agora que fui tomar minha primeira dose, até me emocionei, porque era para eu ter tomado faz tempo. Muitos não conseguiram chegar onde eu cheguei, muitos partiram e não conseguiram sair do hospital, agradeci muito a Deus hoje”, finalizou (Colaborou Gabrielle Tavares).