A ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Campo Grande será entregue nesta segunda-feira (9), mas as obras em si devem continuar no decorrer deste mês, de acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
O evento contará inclusive com a presença do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que aproveitará a estadia em Mato Grosso do Sul para conferir o andamento de outras intervenções no interior.
O QUE MUDA?
Quem se aproxima do aeroporto pela Avenida Duque de Caxias logo nota as alterações no design arquitetônico do prédio. A estrutura antiga ainda segue de pé, mas ganhou revestimentos em tons de cinza, cobertura externa rente às portas de acesso e alguns metros a mais de comprimento.
Nesse anexo estão os novos balcões de check-in e embarque doméstico, onde os passageiros passam pelos detectores de metal e pelas fiscalizações de segurança.
Toda essa estrutura ainda está “escondida” pelas construções mais antigas que ainda não foram removidas, como o estacionamento de uma empresa de locação de veículos e contêineres da Aviation, marca da Petrobras responsável pelo abastecimento de aeronaves.
Um novo acesso leva os visitantes ou passageiros a contornar todas essas edificações até avistar as letras “CGR”.
Internamente, o teto alto e o ambiente mais largo dão sensação de amplitude, enquanto o trabalho idealizado pelos arquitetos para os balcões da companhia aérea traz ar de modernidade.
De acordo com as informações divulgadas até o momento, o espaço físico ficará 65% maior, passando da atual capacidade de receber 2,5 milhões de passageiros por ano para 4,5 milhões de pessoas circulando pelo complexo anualmente.
Contudo, o andamento da reforma na área exclusiva aos passageiros ainda é uma incógnita. Imagens gráficas em 3D divulgadas pela Infraero mostram que o espaço seguirá o mesmo padrão de embarque pelo solo, conseguindo apenas acomodar um número maior de passageiros em comparação com a sala de embarque antiga.
Contrariando uma das reclamações mais antigas de quem utiliza a estrutura ao viajar, o embarque segue realizado em solo, à mercê do clima.
Da estrutura antiga restou apenas o desembarque doméstico e internacional, no ponto esquerdo do prédio. Do terminal novo, é possível acessá-la de carro ou a pé por fora, pois ainda não há conexão entre todas as partes do terminal.
A escada que dava acesso ao mirante de onde era possível observar pousos e decolagens foi restringida pela Infraero.
O teto foi removido em algumas partes, sendo possível ver a fiação e os “bastidores” do que era o antigo Aeroporto Internacional de Campo Grande. Essa parte também deve ser totalmente revitalizada nos mesmos moldes do setor que já será entregue hoje.
De acordo com a Infraero, o objetivo da agenda ministerial será entregar apenas o que já está pronto.
A reforma deve ser um atrativo a mais quando o local passar pelo leilão de privatização. Em fevereiro, documento publicado no Diário Oficial da União e assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) qualificou o local para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
No Estado, os aeroportos de Corumbá e Ponta Porã, que também são administrados pela Infraero, apareceram nesta mesma lista junto dos de Congonhas e Campo de Marte, em São Paulo. A concessão ainda está na fase de estudos.
MOVIMENTO
Espera-se que as reformas atraiam não apenas a atenção das companhias aéreas para que se abram novas frequências para a Capital, mas também das empresas interessadas em administrar o local.
Depois de ter a rotina severamente afetada pela pandemia, com queda de 53,80% no número de pessoas que embarcaram ou desembarcaram na cidade no primeiro semestre de 2020, a Infraero registrou a retomada no fluxo entre os meses de janeiro e junho deste ano.
Dados disponibilizados pelo órgão apontam que nos seis primeiros meses de 2021 um total de 376.335 pessoas chegou ou deixou a cidade pelo ar. No mesmo período de 2020, foram 348.329, enquanto em 2019 o movimento havia fechado o semestre em 753.899. Esse aumento elevou o fluxo de passageiros em 8,04% na primeira metade do ano.
Os dados da Infraero mostram também que as companhias aéreas vão retomando aos poucos os voos com origem ou destino a Campo Grande. A quantidade de aeronaves comerciais que pousaram ou decolaram da cidade fechou o primeiro semestre de 2020 com queda de 50,87% em comparação com 2019.
Apesar de os números terem se mantido em patamares negativos (-1,30%), nota-se que até o fim do ano o cenário pode ser de recuperação, caso a Covid-19 não afete o setor novamente.
Já o transporte de cargas teve um aumento de 22,13% no primeiro semestre, em comparação com o ano passado.