Julgamento de Marcos André Vilalba Carvalho, 22 anos, assassino confesso de Carla Magalhães, começou na manhã desta sexta-feira (13) em Campo Grande. A mãe da vítima, Evani Magalhães, espera que ele sirva de exemplo.
"Não acho que precisava ele fazer tudo que fez por um simples bom dia. Acho que isso é muita injustiça, quantas mulheres vão precisar morrer só por não falar bom dia? As pessoas têm que ter mais consciência e não sair matando desse jeito", disse.
Carvalho sequestrou Carla na frente da casa dela com um mata-leão, na noite do dia 30 de junho de 2020, e a levou para a edícula onde ele morava, na residência ao lado.
Lá, ele matou a vítima com diversos golpes de faca no pescoço. O acusado foi preso 10 dias depois de abandonar o corpo, no dia 13 de julho de 2020, e confessou o crime.
"Até agora não me conformei ainda em ter perdido minha menina, é muito cruel o que ele fez", lamentou a mãe de Carla.
O julgamento é pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e a previsão é que seja encerrado às 16h.
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Advogado de defesa do acusado, Sebastião da Silva, disse que defenderá a tese de que Marcos tem problemas psiquiátricos, além de alegar que o caso não se trata de feminicídio.
Contudo, Evani contesta a alegação. Para a dona de casa, para esconder o corpo em sua residência e seguir com a rotina normalmente era precisa estar consciente de seus atos.
"Acha que uma pessoa que é doente vai fazer janta com o corpo de baixo da cama?! Vai arrumar marmita e vai trabalhar no dia seguinte?! Ele não é doente, ele estava la na frente da minha casa enquanto eu gritava pela minha filha", ressaltou.
Marcos era vizinho da família de Carla, e na semana em que a vítima ficou desaparecida, o questionaram sobre o paradeiro da jovem, mas ele disse que não sabia de nada.
"Ele falou que não ia ajudar a procurar a menina porque ele só tinha uma bicicleta, e ele tava com minha filha la debaixo da cama dele. Ele não é doente, ele nunca foi", completou Evani.
A defesa afirma ainda que não vai pedir pela absolvição, mas que a pena sejam medidas protetivas condizentes com a suposta condição de doença mental.
Ele também afirmou que o caso ganhou “maior repercussão do que deveria ser dada”.
"Que Deus ajude minha família que está aqui e que ele pegue uma boa pena, porque é o que a gente espera. Que o caso dela deve ser usado como exemplo, para que não aconteça mais nada disso", defendeu a mãe da vítima.
Crimes
Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, além de sequestrar e a matar, Carvalho vilipendiou seu cadáver, praticando sexo com Carla já morta.
Após os crimes, ele colocou o corpo da vítima embaixo da cama, onde foi mantido até o dia 3 de julho, quando ele o carregou até a esquina e deixou em frente a uma mercearia, a cerca de 40 metros da casa onde ela morava.
Ele responde por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e vilipêndio a cadáver.
*Colaborou Glaucea Vaccari