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Aulas presenciais têm adesão de 80% dos alunos

Pais tem procurado Secretaria de Educação da Capital e mudado decisão de deixar filhos apenas no ensino remoto, disse a pasta

Gabrielle Tavares

16/08/2021 - 09h41

Três semanas depois do início das aulas híbridas na Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande, cerca de 80% dos alunos já aderiram ao sistema de uma semana em casa e a outra na escola. 

O número é maior do que os 50% que responderam pesquisa feita em março pela Secretaria Municipal de Educação (Semed).

 

“O retorno presencial escalonado, das aulas da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande, iniciado no dia 26 de julho entrou na terceira semana", afirmou a secretária municipal de Educação Elza Fernandes Ortelhado.

"E a avaliação é positiva. Até agora, aproximadamente 80% dos alunos aderiram a esta etapa, e os pais que ainda não tinham autorizado o retorno presencial dos seus filhos às escolas, estão reavaliando”, completou.

Segundo a pasta, uma procura maior tem sido observada nos últimos dias após a volta dos alunos ao presencial. 

Pais que haviam optado por manter o filho apenas em atividades remotas por medo da Covid-19, agora, tem buscado a Semed para aderir ao sistema híbrido.

Conforme a secretaria, como o prazo para que esses alunos retornem é de 10 dias, alguns ainda estão no sistema remoto, porém, em escolas menores, já foi possível que esses estudantes retornassem logo após o pedido.

A secretária avalia que essa maior procura tem sido reflexo do ambiente escolar que se mostrou “seguro”. 

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“Justamente por mostrarmos à todos nestas três semanas, que a escola é um ambiente seguro. Os gestores estão atentos a qualquer eventualidade em relação a sintomas por parte dos alunos e profissionais da educação",

"Além disso, temos o apoio dos pais que não enviam os filhos com qualquer sintoma às aulas. Cumprimos os protocolos de biossegurança e agimos para o bem-estar dos servidores e alunos”.

Essa maior adesão também tem sido incentivada pela visita dos pais às escolas. De acordo com a Semed, alguns pais que não conheciam bem as instituições foram chamados para conferir como funcionaria a estrutura.

Para Fernandes, o retorno de 100% dos estudantes ao presencial é importante para o aprendizado, principalmente das crianças menores. 

“É importante que todos os alunos frequentem presencialmente a escola, especialmente aqueles das séries iniciais que estão em fase de alfabetização”, salientou.

ESTADO

De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (SED), ainda não há um balanço fechado de quantas crianças aderiram ao sistema presencial das aulas na Rede Estadual de Ensino, porém, a titular da pasta, Maria Cecília Amendola da Motta, garante que pouquíssimos estudantes não estão participando das atividades presenciais.

“Pouquíssimos que não estão indo, tem gente que realmente tem problema de comorbidade, doente na família, mas estamos vendo que praticamente todos retornaram”, afirmou Maria Cecília.

Diferente da Capital, onde o pai escolhe se o filho volta ou não para as aulas presenciais, no Estado é obrigatório o retorno, a exceção são casos de estudantes que tenham alguma doença ou que morem com pessoas com alguma comorbidade. Mesmo assim, o caso é analisado pela SED.

Segundo a pasta, caso o estudante não comparecesse as aulas presenciais sem dar explicações, o Conselho Tutelar pode ser acionado. 

Até agora, a pasta disse que não tem informações de que isso foi necessário.

As aulas no Estado são graduadas de acordo com as bandeiras do Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir). Em cidades onde a bandeira é amarela está permitira o retorno presencial de 90% dos estudantes em sala de aula. 

Já para quem está no laranja esse percentual cai para 70%, enquanto que na bandeira vermelha a ocupação é de 50% dos alunos em sala de aula.

No caso dos extremos, bandeira cinza (grau extremo de contágio) o percentual é de 30% dos estudantes, e na bandeira verde (grau baixo) a ocupação chega a 100%. 

Entretanto, conforme o último mapa divulgado do Prosseguir, nenhuma cidade de Mato Grosso do Sul estavam nesses extremos.

Para a secretário do Estado, as duas primeiras semanas de aulas presenciais foram “100% positiva”. 

“Nós tivemos um ano e meio de preparo, em agosto do ano passado a gente se preparou com um guia de volta às aulas, que trazia pontos de como fazer [o trabalho de] acolhimento, como fazer o cognitivo, o diagnóstico”.

“Fizemos o acolhimento neste primeiro momento, isso é muito importante porque alguns alunos tiveram problemas socioemocionais, então temos que trabalhar esse retorno".

"Nós vimos muita alegria dos alunos na volta, tivemos já o primeiro dia da família na escola e pais que disseram que não iam mandar o filho para escola, estão indo ver como é e mudando de ideia”, acrescentou Maria Cecília.

Segundo a secretária, o foco a partir de agora é recuperar a defasagem de aprendizagem que houve durante esse tempo de aulas remoto. 

“Vamos observar em que conteúdo o aluno não conseguiu avançar e fazer a recomposição da aprendizagem. Estamos fazendo um esboço e vamos apresentando aos diretores, são várias propostas, fazer em espaços ociosos no contraturno, usar as férias, mas ainda não está fechado, os diretores que vão decidir”.

A secretaria também criou um cursinho online para os estudantes que estão prestes a fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A plataforma online englobará 100% dos estudantes do 3º ano da Rede Estadual e também para os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Avanço do Jovem na Aprendizagem (AJA) e Cursos Técnicos de nível médio. 

O cursinho fornecerá uma cota de materiais impressos para atender os estudantes que não possuem computadores ou acesso à internet.

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