Em dois meses, Mato Grosso do Sul conseguiu dobrar os índices de cobertura vacinal contra a Covid-19 em todo o Estado. O resultado foi uma queda de até 80% nos números da pandemia. Conforme especialistas, os números estão diretamente relacionados.
Em virtude dessa queda, o Estado decidiu pôr fim ao toque de recolher. Porém, apesar do progresso, especialistas alertam que ainda é necessário manter as medidas de prevenção contra o vírus, por causa das novas variantes.
No dia 16 de junho deste ano, Mato Grosso do Sul tinha 36,5% da população geral vacinada com uma dose e apenas 13,9% imunizada com as duas aplicações. Hoje, a cobertura da primeira dose praticamente dobrou, chegando a 66,7%. Já o número de imunizados com as duas doses ou com a vacina de dose única aumentou quase três vezes e representa 37,8%.
Com isso, o maior impacto foi em relação aos casos registrados, que representam 20% da média móvel que era apresentada em junho, ou seja, queda de 80%. Naquele mês, o Estado registrou o índice mais alto de toda a pandemia. A média de mortes chegou a 2.003 no dia 3 de junho. Ontem, 75 dias depois, foram 396 casos.
No caso dos internados, a queda foi de 74%, se considerarmos o patamar mais alto até aqui. No dia 8 de agosto, havia 1.339 pessoas com Covid-19 internadas em Mato Grosso do Sul; ontem, eram 343 pessoas.
Já em relação aos óbitos, a queda na média móvel foi de 70%, passou de 52,9 do pico registrado em junho, no dia 7, para 15,7 nesta terça-feira. O maior patamar de toda a pandemia foi registrado no dia 10 de abril, quando a média de mortos era de 56,7.
Para o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, por ser o estado brasileiro com a maior cobertura vacinal, Mato Grosso do Sul já está sentindo os efeitos da vacinação.
“Todo o Estado sente o reflexo da vacinação em massa, era esperado, somos o estado que mais vacinou e mesmo nos outros houve uma queda expressiva, por termos a maioria dos idosos vacinados”, explicou.
Apesar do avanço, os especialistas alertam que as medidas de biossegurança devem ser mantidas, principalmente em virtude da possibilidade da chegada de novas variantes, como a Delta, que tem feito casos, mortes e internações crescerem no Rio de Janeiro e que já chegou a vários estados que fazem fronteira com Mato Grosso do Sul.
“Nós avançamos muito, mas com a Delta temos que acelerar a segunda dose, tem que atingir de 80% a 90% de vacinados com as duas doses para evitar hospitalizações e óbitos com essa variante. Ela tem se tornado predominante no Rio de Janeiro, e se não tiver cobertura maior aqui no Estado pode ter novo aumento”, alega.
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CAMPO GRANDE
Campo Grande chegou a 63,6% da população total vacinada com pelo menos uma dose e outros 41% completamente imunizados com as duas doses ou com o imunizante de aplicação única.
A Capital, que é responsável pela maior parte dos casos do Estado (36,1%), também apresentou queda no número de mortes. A semana epidemiológica que se encerrou no sábado (14) foi a menor desde fevereiro deste ano, com 43 óbitos; o menor patamar havia sido registrado na semana sete, quando houve 31 mortes.
“Diversos estudos realizados no País já demostraram que quando uma cidade atinge um grau de 75% de aplicação de segunda dose acima de 18 anos você tem o controle da pandemia, e nós sempre acreditamos nesse fato", declarou o secretário de Saúde de Campo Grande, José Mauro de Castro Filho.
"Tivemos o envolvimento de toda a sociedade civil organizada, a gente precisa entender que é uma ação em conjunto, e todos entendemos que esses esforços estão dando esse resultado”, completou.
A cidade é a capital brasileira com a maior cobertura entre as outras 26. Para Castro, Campo Grande é “referência para o mundo” por causa dos altos índices de vacinação. “Estamos com índices de vacinação superiores aos dos EUA. Acreditamos que a vacina é a única saída para resolver esse problema”.
Após perder alguns familiares para o vírus, Lorenza da Silva, 54 anos, recebeu ontem a segunda dose da vacina, com alegria e alívio.
“No início da pandemia perdi alguns familiares, por isso queria que chegasse a minha vez para estar imune. Agora, vacinada com a primeira e a segunda dose e vendo esse tanto de jovem na fila, tenho esperança, parece que estamos vencendo essa doença que levou tanta gente”, destacou.
TOQUE DE RECOLHER
O toque de recolher será extinto a partir de segunda-feira (23) em Mato Grosso do Sul, de acordo com o secretário de Estado de Infraestrutura, Eduardo Riedel.
Após um ano e cinco meses de restrição de horário noturno, o toque de recolher vai até as 5h de segunda-feira (23). “A partir de segunda, os estabelecimentos poderão funcionar em qualquer horário. Permanece como está até segunda e a partir de então não terá mais a variável de horário relacionada às bandeiras”, afirmou Riedel.
Em Campo Grande, porém, o procurador-geral de Campo Grande, Alexandre Ávalo, disse ao Correio do Estado que, por enquanto, o município não tem previsão para alterar o decreto vigente em relação ao toque de recolher que, desde 1° de agosto, é da meia-noite às 5h.
“O município tem autonomia para regulamentar as medidas de prevenção. Certamente haverá uma nova vigência, por conta do avanço da vacinação e da queda no número de ocupação de leitos, que fará uma série de medidas para voltar as atividades”, afirmou o procurador.
Ávalo disse que uma equipe técnica da prefeitura fará uma nova avaliação nos próximos dias para saber qual será a decisão que o administrativo municipal tomará, no entanto, segundo ele, o prefeito Marcos Trad quer o melhor para a população. “Há uma tendência de flexibilização, mas, por enquanto, não temos previsão de alteração do decreto vigente”, concluiu.