Mato Grosso do Sul ultrapassou nesta sexta-feira a marca de 90% da população vacinada com ao menos uma dose de vacinas contra a Covid-19 ou com dose única. O Estado tem 54,18% da sua população imunizada com as duas doses ou a dose única, e a meta é atingir nos próximos 15 dias a imunidade coletiva, com ao menos 70% da população com o esquema vacinal completo.
Até a tarde de sexta-feira, 1.664.191 pessoas haviam recebido a primeira dose no Estado, enquanto 234.684 foram imunizadas com a dose única. Outras 893.295 pessoas tomaram a segunda dose.
Em relação à população geral (que contabilizada adultos, adolescentes e crianças), o Estado alcançou o índice de 70% de vacinados com a primeira aplicação e de 40% com o esquema vacinal completo.
“É algo a ser comemorado. Estamos marchando com velocidade, e espero que em até 15 dias alcancemos a imunidade coletiva. E que até o fim deste mês possamos atingir esse patamar. É motivo de comemoração a possibilidade de enfrentar a variante Delta já dessa forma: esperamos que quando ela chegar encontre uma população já vacinada”, declarou o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende.
Para o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), com o avanço da vacinação, que já chegou aos adolescentes de 12 a 17 anos, Mato Grosso do Sul agora vai intensificar a busca pela aplicação da terceira dose em idosos acima dos 60 anos.
IDOSOS
De acordo com o secretário, a Pasta aguarda, até a próxima semana, um alinhamento com o Ministério da Saúde, para que essa questão faça parte do Plano Nacional de Imunização (PNI). Caso essa resposta célere não ocorra, Resende afirmou que Mato Grosso do Sul pode decidir iniciar essa vacinação sem que haja uma orientação nacional.
“Agora já surge um novo desafio, que é imunizar os idosos com mais uma dose. Vamos aguardar até a próxima semana para que tenha uma posição única do início da vacinação dos idosos no País. Se não acontecer, Mato Grosso do Sul vai se reunir com os 79 municípios para tomar a decisão de iniciar essa vacinação”, declarou Resende.
Segundo o secretário, ainda não há uma definição sobre como seria esse início, mas o principal público a tomar esses imunizantes são pessoas a partir dos 60 anos. A SES só definirá se a terceira aplicação começará por faixa etária ou pelos idosos com comorbidades.
“Falei com a secretária extraordinária, Rosana Leite, solicitando que possa dar uma resposta, e estamos aguardando. Caso não venha, vamos fazer uma reunião da CIB [Comissão Intergestora Bipartite] para discutir o projeto da retomada da assistência das eletivas, como exames especializados, na próxima semana e vamos discutir a vacinação dos idosos. Nossa área técnica tem indicado que precisamos iniciar essa aplicação aqui em MS, e isso é uma orientação de infectologistas renomados do nosso Estado também”, alegou o secretário.
Sobre a terceira dose, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta semana que, pelo PNI, a vacinação deverá ser retomada em idosos e profissionais da saúde. Porém, ele não informou quando a dose de reforço começará no Brasil.
“Estamos planejando para, no momento que tivermos todos os dados científicos e o número de doses suficiente disponível, já orientar um reforço da vacina. Isso vale para todos os imunizantes. Para isso, nós precisamos de dados científicos, não vamos fazer isso baseados em opinião de especialista”, explicou o ministro.
DELTA
Um dos temores do governo do Estado é que a variante Delta, a mais contagiosa do novo coronavírus, chegue a Mato Grosso do Sul e cause os mesmos impactos que o mundo tem sentido com essa cepa, como aumento de casos, internações e, em alguns casos, mortes.
“É importante a dose de reforço em idosos, em pessoas imunossuprimidas e, eventualmente, em profissionais da saúde. Mesmo estando com uma cobertura grande, a gente deveria estar de alguma forma preocupado, sim. Ainda temos apenas 50% dos adultos imunizados, e para essa variante é necessário ter pelo menos 80% a 90% para não ter hospitalização e óbito”, declarou o médico infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Para o especialista, uma maior cobertura vacinal pode reduzir as chances de que a cepa cause impactos importantes na Saúde do Estado. “Temos que adiantar a segunda dose e tentar vacinar mais pessoas para que, até a variante chegar e se tornar predominante, se tiver muita gente vacinada, ter impacto pequeno ou quase nulo”, sustentou.
A variante Delta, que foi primeiramente identificada na Índia, já circula no Brasil em Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.