Surgida na Índia, a variante delta do coronavírus já foi registrada em mais de 120 países e trouxe uma nova preocupação ao mundo. Mesmo com o avanço na vacinação, a nova cepa é altamente transmissível e levou a uma explosão de mortes. Ainda não há a confirmação de nenhum caso da cepa em Mato Grosso do Sul.
A variante Delta, descoberta originalmente na Índia, foi identificada pela primeira vez no Maranhão, em maio, e também registrada em São Paulo.
A especialista ressalta também a importância do uso de máscaras ao sair de casa, porque a primeira dose da vacina garante pouco mais de 30% de proteção; para o vírus delta, chegando a 80% com a segunda dose.
A variante delta está por trás de uma nova onda de infecções em Israel, Reino Unido, Estados Unidos e países asiáticos, como China e Indonésia.
O médico infectologista André Barbosa alerta sobre a importância de que quem tomou a primeira dose da vacina contra o coronavírus não deixe de tomar a segunda dose, devido ao avanço da variante delta, que é mais transmissível e pode infectar com carga viral mais alta.
“É muito importante acelerar a segunda dose da vacina, porque pessoas com uma dose só, elas têm uma proteção falha em relação a todas às cepas, mas especialmente em relação à variante delta. Além de já termos a presença confirmada das variantes em estados de divisa, temos municípios em surtos isolados, o que acende o alerta'', apontou.
Estudos recentes vêm apontando que essa nova versão do coronavírus é muito mais transmissível e tem maior probabilidade de evadir o sistema imunológico, responsável pelas defesas do nosso organismo. O secretário municipal de saúde, José Mauro Castro, pontuou ser difícil elencar alguma medida efetiva para controlar a transmissão da cepa, que possui fácil transmissão.
“Tanto variantes, quanto o primeiro paciente com o vírus que chegou em Campo Grande não chegou pelas fronteiras, mas pelo aeroporto por viajantes que chegaram à Capital. É uma situação muito difícil de ter alguma medida efetiva, fizemos barreiras sanitárias em aeroportos e nas entradas da cidade, no entanto, isso acaba não tendo uma eficiência nesse nível de detenção”, destacou.
As vacinas disponíveis contra a Covid-19 demonstram proteção contra a variante delta original, apesar de serem menos eficazes. Uma dose da Pfizer e AstraZeneca tem 33% de eficácia contra a doença sintomática provocada pela variante delta.
Após duas doses, AstraZeneca revela eficácia de 60%, contra 88% da Pfizer. A da Janssen apresenta 66%.
Até o momento, 13 variantes de coronavírus foram confirmadas no Estado, de acordo com a Secretária Estadual de Saúde (SES).
CARACTERÍSTICAS DA DELTA
Um estudo de julho feito por pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College, de Londres, mostrou que a delta é 97% mais transmissível do que o coronavírus original, identificado na China.
O trabalho indica que ela é ainda mais preocupante do que as variantes surgidas no Reino Unido (alfa), na África do Sul (beta) e no Brasil (gama).
Em entrevista à CNN Brasil, o médico Alexandre Naime, que é chefe do departamento de infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), disse que a delta deverá “substituir todas as outras variantes em um curto período de tempo”.
“Vamos ter mais casos de covid-19 por conta da variante delta, caso a gente não melhore as medidas sanitárias e aumente a velocidade da vacinação”, afirmou.
FLEXIBILIZAÇÕES
O toque de recolher estará extinto a partir de hoje (23) em Mato Grosso do Sul. A ampla retomada das atividades econômicas, porém, é vista por especialistas como arriscada devido, principalmente, à ameaça da variante delta.
“Decidiram isso pelo Prosseguir e pela diminuição da taxa de ocupação de leitos, baseados nesses indícios que têm melhorado no estado, mas tem que ter parcimônia, porque estamos vendo em outros países a chegada da variante Delta. As pessoas devem manter a preocupação com máscaras e o distanciamento social. Não é recomendado a realização de festas, eventos, restaurantes, bares, e shows”, apontou a infectologista Mariana Croda ao Correio do Estado.
A decisão foi tomada em razão do avanço do processo de imunização em Mato Grosso do Sul, que contribui para a queda no número de casos confirmados, mortes, taxa de contágio e internações.
A capacidade máxima em locais permanece conforme a bandeira de cada município: bandeira cinza 30%, vermelha 50%, laranja 70%, amarela 90% e verde livre.
Mariana Croda afirmou que não recomendaria a extinção do toque e que acredita que a decisão foi precipitada para o momento, já que Mato Grosso do Sul não tem barreiras para impedir a chegada das novas variantes.
O toque de recolher está vigente desde março de 2020 em Mato Grosso do Sul, início do surto da Covid-19.
Campo Grande está na bandeira vermelha do mapa do Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir), o que indica grau alto de risco para Covid-19.