Depois de mais de um ano e meio de pandemia da Covid-19, Campo Grande comemora o seu segundo aniversário em meio ao distanciamento social e às medidas de biossegurança.
avanço da vacinação faz com que a cidade tenha metas de crescimento acelerado nos próximos meses.
E o programa em andamento para o investimento de R$ 1,3 bilhão em obras na Capital é um dos mais significativos por também fomentar empregos, segundo o prefeito Marcos Trad (PSD).
Em entrevista ao Correio do Estado, o chefe do Executivo municipal falou sobre o futuro que ele espera para a Capital, com justiça social, emprego e direitos iguais.
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CORREIO PERGUNTA – Estamos conseguindo, aos poucos, superar a pandemia. Com a redução da ocupação de leitos, qual legado desse crescimento de vagas e de profissionais será mantido em Campo Grande?
MARCOS TRAD – Se tivesse tido planejamento anterior e a cidade tivesse o número de leitos que hoje tem, com certeza muitas privações que tivemos que fazer, principalmente no setor da economia, não teriam ocorrido neste momento de tempo.
Campo Grande vai completar agora 122 anos de emancipação política administrativa.
Nesse período todo, nós assumimos pela primeira vez em janeiro de 2017, encontramos 116 leitos disponíveis na nossa cidade, ou seja, com 117 anos de vida, Campo Grande tinha 116 leitos.
Hoje, com cinco anos de gestão, praticamente, Campo Grande tem 335 leitos de UTI, ou seja, nós entregamos para a nossa cidade, em quase cinco anos, 219 leitos.
Vão permanecer e tomara a Deus que não sejam utilizados.
A pandemia causou grandes estragos na educação, com aulas remotas por um ano e meio. Quais serão as prioridades no processo de retomada do ensino presencial?
A educação em Campo Grande não parou. Ainda na pandemia, nós tivemos aulas e as aulas chegaram a todos os 111 mil alunos matriculados nas 202 unidades escolares da nossa cidade.
Eles tiveram aulas remotas e com TV aberta, além disso, nós disponibilizamos mais de 200 mil cestas alimentares para as mães inscritas em programa social e que têm uma vulnerabilidade maior.
Além disso, o setor educacional não foi atingido na nossa cidade na parte docente, nós não diminuímos o salário de nenhum educador, pagamos em dia e depositamos o 13º em dia para todos os servidores da educação na nossa cidade.
Agora nós estamos retornando de maneira responsável, e, acima de tudo, planejada.
Estivemos alguns dias atrás visitando todas as unidades, onde nós facultamos aos pais o direito de levarem os filhos deles ou optarem por aulas da tecnologia.
No início, uma média de 50% autorizou a ida de seus filhos, e hoje, depois de 20 dias, cerca de 85% dos pais autorizam os seus filhos a frequentarem as aulas presenciais, os pais começaram a visitar as escolas e, a partir do momento em que eles viram que tinha todas as medidas de prevenção, com todos os equipamentos, com a prefeitura disponibilizando máscaras, com o pai observando o distanciamento social dentro da sala de aula, os pais voltaram e disseram ‘confiamos, tem credibilidade e os meninos estão sendo autorizados’.
Com três semanas de retorno presencial, nenhum caso de Covid-19 foi detectado, ou seja, está funcionando, sim. Qual a nossa preocupação? Principalmente o lado psicológico das crianças.
Os professores e as diretoras das Emeis receberam uma série de palestras e orientação de profissionais da psicologia para saber como descobrir e tirar o máximo possível dessas crianças em caso de maus-tratos, de assédio ou até mesmo de atos mais maléficos para essas crianças.
O setor de serviços prevê uma grande tomada no fim do ano. Como a prefeitura vai incentivar o comércio local para acelerar o crescimento e dar segurança para o empreendedor?
Campo Grande foi uma cidade, entre as 5.570 do Brasil, que menos teve impacto na economia. Campo Grande só teve 14 dias de lockdown, entre os dias 14 de março e 30 de março.
De lá para cá não se fechou mais a cidade de maneira absoluta. Tivemos determinado ponto crítico da pandemia em que nós tivemos que tomar medidas restritivas, mas que não se assemelham ao lockdown, a cidade funcionou e a economia ficou aberta.
Campo Grande é a capital que mais cresceu na geração de empregos.
Além disso, nós lançamos um programa de obras na nossa cidade de R$ 1,3 bilhão. Hoje, quase 15 mil novos campo-grandenses que estavam desempregados estão trabalhando nas ruas da nossa cidade.
Muitos estão afirmando que Campo Grande virou um canteiro de obras, não apenas no centro, em todo lugar, inclusive nos distritos rurais.
Ou seja, é um trabalho que a gente tem feito em toda a cidade de Campo Grande, que tem gerado emprego e movimentando a economia.
Sobre o montante de R$ 1,3 bilhão para serem investidos em obras até 2024 na cidade, falando agora da questão social de quem mora nesses bairros que estão recebendo as obras, qual a importância delas para a população e qual o legado que ficará para essas pessoas no futuro?
Melhoria é sempre bem-vinda, ainda mais na região que você escolheu para criar e educar os seus filhos. Todos os equipamentos públicos que levam você a ter uma melhor qualidade de vida são positivos.
A gente tem uma certeza absoluta de que há uma maturidade do cidadão hoje em cuidar melhor das coisas públicas.
As nossas academias ao ar livre, por exemplo, que tinham depredações constantes, a gente vê que isso diminuiu; a troca de lâmpadas, que também era constante em lugares mais distantes, com seres humanos atirando pedras ou estilingue para quebrá-las, você vê que isso diminuiu bastante.
Então a conscientização ajuda o patrimônio público.
O Reviva Centro entrou em sua fase final de conclusão. Como o senhor vê essa obra para a região?
Sou até suspeito para falar, mas, se você for hoje na Rua 14 de Julho e perguntar para os comerciantes como era e como está, vai ficar perplexa em ouvir tantos elogios.
Eu estive andando agora, no sábado que antecedeu o Dia dos Pais, em toda a 14 e todo o comércio elogia a maneira como ficou a 14 de Julho.
Com relação ao trânsito, Campo Grande nunca foi planejada com competência profissional da mecânica de veículos nas ruas da nossa cidade.
É uma cidade que cresceu de maneira desordenada e sem planejamento. Campo Grande sempre privilegiou carros, nunca olhou para o transporte coletivo e muito menos para o pedestre, ciclista e motociclista.
Campo Grande sempre se preocupou com veículos, carros particulares, tanto é que a gente vai chegar a quase 560 mil veículos automotores dentro da nossa cidade, é quase um veículo por habitante, e isso nos trouxe uma preocupação, porque era necessário dar espaço para o ser humano.
O que a gente fez? O reordenamento da malha viária, principalmente no quadrilátero central, era necessário.
A Rua 14 de Julho tinha cinco faixas de veículo, a calçada tinha um metro e meio, ou seja, não tinha condição de você, com dois filhos, andar na calçada da 14 de Julho.
Hoje você descansa, você senta, vê o paisagismo, anda de mãos dadas com a sua família sem se preocupar em ser atropelado, em passar ônibus.
O embutimento dos fios, a retirada dos postes, a iluminação, a segurança, ou seja, se a grande maioria estava levando seus filhos não mais para a 14, mas para o shopping, hoje já tem pessoas indo passear na 14 de Julho.
Quais ações serão feitas para que os ciclistas e motoristas coexistam com segurança no trânsito da Capital?
Dar uma sinalização vertical e horizontal completa, para que eles transitem em segurança.
Contratação de pessoas qualificadas, hoje existe uma profissão de engenharia do trânsito, não adianta você colocar mais aumento ou diminuição de ruas por decisão política ou por vontade de comerciantes.
Você tem que ter, obrigatoriamente, engenheiros que vão te demonstrar a necessidade de inversão de ruas, de diminuição ou alargamento.
Lá na Bandeirantes a gente fez a via do corredor transporte coletivo, como nós estamos implantando nas outras ruas da nossa cidade.
Temos que olhar para essas pessoas que estão dentro desses veículos e priorizar elas, porque senão você não vai incentivá-las a pegar o transporte coletivo.
É priorizando também o transporte coletivo, fazendo ciclovias e ciclofaixas, mas com segurança, e dando educação ao motorista.
Como vai dar educação ao motorista? Educando a criança desde cedo, não adianta entregar folheto na esquina ou no sinal fechado, porque o motorista vai pegar e vai rasgar e talvez jogue até no meio da rua, tem que ensinar a base.
Além disso, do aeroporto até o núcleo industrial, nós vamos fazer o recapeamento de toda aquela entrada, como modernização, com paisagismo e ciclovias.
Campo Grande foi eleita uma das cidades mais arborizadas do mundo. Quais são as ações que a cidade tomará voltadas para a sustentabilidade, para que esse título continue com a Capital?
Com todo cuidado, orientação e atendimento ao cidadão. Primeiro, para incentivá-lo a cada vez mais arborizar; a cada 100 casas, 98 têm uma árvore na nossa cidade. Ter as podas feitas por pessoas competentes.
Você não pode aparar uma árvore se não tiver um profissional da biologia, um engenheiro, um ambientalista, tudo isso aí hoje em dia se faz necessário, acabaram as atuações primárias e as atuações sem qualificação técnica em qualquer área desse país e a nossa cidade às vezes não quer contratar o que é o melhor.
Então, todas as áreas da nossa gestão a gente tem priorizado a competência e a qualificação do ser humano.
Campo Grande tem, hoje, uma pista de atletismo oficial e está em andamento o projeto da piscina olímpica. Como o senhor espera que a cidade cresça na prática esportiva e como fomentar isso nas crianças para que a cidade consiga formar atletas de alto rendimento?
Primeiro, dando estrutura a eles, dando uma pista compatível com aquelas em que eles vão competir, como nós entregamos a primeira pista de atletismo.
Segundo, profissionais.
Terceiro, dando incentivos, como a gente está fazendo, porque no caso das crianças que têm o dom para determinado esporte você tem que cuidar desde o aspecto médico, odontológico, nutricionistas e, acima de tudo, profissionais de educação física e psicólogos.
Não é apenas você olhar e pensar no contrato de venda daquele menino ou menina, é você oportunizar a ele condições necessárias para ele desempenhar bem aquilo que ele sabe fazer.
Qual é a cidade que o senhor deseja para a geração que vai crescer no cenário pós-pandemia? Qual a Campo Grande que o senhor deseja?
Há uma passagem que diz que a cada criança que nasce há um sorriso no céu, então, que sejam bem-vindas essas crianças, que os adultos possam ser responsáveis e tenhamos uma cidade com justiça social, uma cidade que dê oportunidade de empregos, uma cidade que respeite as diferenças, uma cidade que acredita que cada vez mais é possível vivermos em harmonia, uma cidade que tem direitos iguais, com educação, saúde, segurança e oportunidade para todos.