O número de ocorrências de furtos e roubos em Mato Grosso do Sul se mantém em queda, enquanto em Campo Grande os casos voltaram a subir, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
De 1º de janeiro até 1º de setembro de 2019, o Estado registrou 54.131 ocorrências de furto e roubo, enquanto no mesmo período de 2020 foram contabilizados 42.718 casos. Neste ano, registaram-se 44.467 atos.
Entre 2019 e 2020, o número de furtos e roubos reduziu em 21% no Estado, em que as restrições durante a pandemia da Covid-19 e o volume recorde de apreensões de drogas realizadas pelas equipes de segurança podem ser responsáveis pela queda.
Neste ano, o número de ocorrências voltou a subir em MS, comparado com o ano passado, mas ainda se mantém 17% menor que os casos registrados em 2019.
Capital
Em contrapartida, em Campo Grande, os números seguem em alta. De 1º de janeiro até 1º de setembro de 2019, foram registrados 24.431 ocorrências de furto e roubo, e no mesmo período de 2020 registaram-se 19.676 atos, o que representa queda de 19%.
Contudo, de acordo com dados da Sejusp, no período de janeiro a setembro deste ano, Campo Grande registrou 20.750 ocorrências de furtos e roubos, um indicativo de que a criminalidade voltou a subir na Capital.
MEDIDAS
Conforme o delegado Giuliano Biacio, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf), os trabalhos estão voltados para reduzir o número de roubos e furtos na Capital, com isso, equipes de segurança buscam realizar ações para prender o autor de furtos e roubos no mesmo dia do crime, visto que o criminoso realiza diversos atos no mesmo dia.
“Nós temos feito ações para tentar prender o autor no mesmo dia, dar uma resposta imediata. Normalmente, quando isso acontece, a quantidade de furtos ou roubos na região tende a diminuir, já que é comum que os autores pratiquem crimes em série. Fora de circulação, a situação se normaliza. Um meliante que você tira de circulação, inibe de três a quatro roubos por dia”, apontou.
Biacio explica que com o aumento de apreensões de drogas é possível sentir resultados na diminuição nas ocorrências de criminalidade.
“Acredito que esses crimes não estejam tão ligados à questão da pobreza e da diminuição da renda, mas, sim, do uso de drogas. Roubo é o segundo passo no mundo do crime. Geralmente, começam com pequenos furtos", destacou.
"Roubo exige mais do autor, porque precisa haver embate com a vítima. Normalmente, o perfil de quem comete tanto furtos como roubos é de usuários de drogas”, completou.
APREENSÕES
O volume de apreensão de drogas de Mato Grosso do Sul nos últimos sete meses tem contribuído para a redução no número de roubos e furtos no Estado.
O diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) de Mato Grosso do Sul, coronel Wagner Ferreira da Silva, explica que as operações de apreensão prestam serviço para todo o País no combate ao tráfico e contribuem para a diminuição da criminalidade.
“Mato Grosso do Sul é o principal corredor de drogas do Brasil, fazemos fronteira com o Paraguai, que produz maconha, e a Bolívia, que produz a cocaína. Grande parte desses entorpecentes não fica em nosso Estado, eles são transportados para alimentar o crime organizado do País. Quando temos a desarticulação, estamos trabalhando para diminuir a violência e a criminalidade em todo o País, esse tipo de trabalho é vantajoso para todos”, apontou Wagner.
As apreensões de droga em Mato Grosso do Sul resultaram em uma perda financeira de R$ 109,7 milhões às organizações criminosas, segundo dados do Programa Nacional de Segurança das Fronteiras e Divisas (Vigia) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em julho, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) fez a maior apreensão de drogas do País. A abordagem realizada em Deodápolis identificou 36,5 toneladas de maconha. O valor superou o recorde anterior, de 33,3 toneladas de maconha, apreendidas pelo DOF em 2020.
No ano passado, foram apreendidas 750 toneladas no Estado por polícias estaduais, enquanto em 2019 foram apreendidas 365 toneladas, de acordo com a Sejusp. Para o diretor do DOF, a pandemia trouxe mais demanda por consumo de drogas e atrapalhou o combate à erradicação das plantações de maconha no Paraguai.
“Temos algumas pesquisas que mostram que com o aumento de 8% no consumo de entorpecentes em razão da pandemia, temos maior disponibilidade do produto e houve maior demanda de usuários, estamos atentos para acompanhar os próximos meses”, avaliou Silva.
No dia 31 de agosto, em uma ação realizada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), o crime organizado teve um prejuízo de R$ 11,5 milhões com a apreensão de 461 kg de cocaína que estava em um bunker, em Campo Grande.
A ação faz parte das investigações da Operação Hórus que combate organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, por isso o Estado lidera as apreensões de entorpecentes no País.