Cidades

CLIMA

Em meio à crise hídrica, setembro deve continuar com pouca chuva

Meteorologia prevê calor na faixa dos 40ºC e baixa umidade do ar em Mato Grosso do Sul nesta semana

O cenário de temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e falta de chuva deve permanecer em Mato Grosso do Sul no mês de setembro, de acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

Ontem, uma garoa leve caiu na Capital, mas nada significativo. Por causa dessa situação, o Estado prevê desabastecimento em duas cidades de MS.

Heráclio Alves explica que não há previsão de chuva expressiva para os próximos dias e a tendência é de que as grandes precipitações só voltem em meados de outubro no Estado.

Segundo ele, a semana será de calor excessivo e temperaturas elevadas em Mato Grosso do Sul e ainda não é possível pontuar os milímetros previstos.  

“A estiagem dos últimos anos está bem rigorosa, o volume de chuva previsto para o Estado nas próximas semanas é bem baixo, não devemos registrar precipitações expressivas até outubro", explicou.

"Essa será uma semana de muito calor por causa da permanência de uma massa de ar seco e quente, o que contribui diretamente para deixar as temperaturas elevadas e a umidade do ar abaixo do ideal durante o mês”, completou.

Como exemplo, em Corumbá as temperaturas variam entre 35°C a 41°C nesta semana, conforme o Inmet. A cidade deve atingir temperatura máxima de 41ºC amanhã.  

A cidade de Três Lagoas registrará temperaturas entre 39°C e 27°C hoje, enquanto amanhã, os termômetros ficarão entre 39°C e 25°C.

Campo Grande também terá temperaturas elevadas no início da semana, especialmente no período da tarde, dados do Inmet apontam que a máxima deve ficar na casa dos 38ºC entre segunda-feira e quarta-feira.  

Com as temperaturas elevadas, o meteorologista alerta que a partir de quinta-feira haverá aumento da nebulosidade na região do Pantanal e podem ocorrer pancadas de chuvas, mas nada expressivo para mudar o cenário.

Com o calor excessivo e baixa umidade relativa do ar, o meteorologista alerta que é indispensável manter os cuidados com tempo o seco e com a saúde. Tomar bastante água, umidificar ambientes e evitar exposição ao sol nas horas mais quentes do dia estão entre as recomendações.  

“A massa de ar seca e quente contribui para deixar a umidade bem baixa, a população precisa manter alguns cuidados como se hidratar e evitar se expor ao ar livre nas horas mais quentes do dia. É fundamental evitar o manuseio de fogo neste período, uma pequena faísca pode ocasionar em uma queimada por conta do clima seco”, alertou o meteorologista do Inmet.  

Últimas notícias

CRISE HÍDRICA

De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, a crise hídrica que atinge o Brasil pode causar desabastecimento de água em cidades de Mato Grosso do Sul, especialmente na região do Pantanal.

“Do ponto de vista de abastecimento urbano nós já estamos com uma medida de contingenciamento, que hoje o risco de abastecimento, neste momento, seria Ladário e Porto Murtinho. Nós temos de ter medidas de racionamento imediatas de consumo tanto de água quanto de energia”, explicou o secretário.

O titular da Semagro aponta que para minimizar o problema, o governo já está preparando medidas para reverter a situação, como sistema de bombas para fazer a captação, mas ainda assim deve haver racionamento.

“A gente suspendeu a navegação e vai suspender a irrigação, então tem consequências do uso múltiplo da água para todos e no Pantanal, especificamente no Rio Paraguai, praticamente já está inviável a questão das exportações de utilização do Rio Paraguai”, explicou.

Entre as medidas do governo federal para reduzir o consumo de energia e poupar o volume de água das usinas hidrelétricas está a nova bandeira de energia elétrica, chamada de escassez hídrica, que entrou em vigor no dia 1º de setembro e vai durar até abril de 2022.

ALERTA  

Pelo segundo ano consecutivo, a cheia do Rio Paraguai não ocorreu e não há sinais de melhora significativa nos níveis de água em decorrência da crise hídrica.  

A falta de chuva na traz consequências não apenas ambientais, mas também para a navegação no rio, as estações de Cáceres (MT), Cuiabá (MT), Porto São Francisco (MS), Ladário (MS), Forte Coimbra (MS) e Porto Murtinho (MS) estão em “zona de atenção”.  

Conforme o último boletim de monitoramento hidrológico, publicado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), o nível de água registrado na região está atingindo os menores valores mínimos já observados para esse período do ano, considerando toda a sua série histórica de dados, que teve início em 1965. 

“Nas últimas semanas, o Rio Paraguai manteve a tendência de declínio do seu nível em todas as estações de monitoramento em sua calha. Em Ladário, Forte Coimbra e Porto Murtinho o nível d’água permanece na zona de atenção para mínimas. O Rio Paraguai preocupa em todas as estações monitoradas”, diz a nota. 

Na medição de sexta-feira (3), a cota em Ladários era de 13 centímetros.

Na seca do Pantanal em 2020, no dia 17 de julho a régua em Ladário estava em 1,74 metro, ao passo que o histórico para tal dia era de aproximadamente 4,37 metros.  

A estiagem severa causa impactos para a navegação em rios, visto que a régua tende a baixar ainda mais, o que pode inviabilizar o uso da hidrovia para transporte de cargas e prejudicar o escoamento de produções.  

Pantanal

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou uma “anomalia de precipitação” na região do Pantanal, com deficit de chuva em torno de 40% desde outubro de 2020.

TEMPESTADE

Ontem, o Inmet chegou a fazer um alerta de tempestade para algumas cidades da região sul de Mato Grosso do Sul, porém, o informado seria apenas para o dia de ontem.

“É muito rápido esse avanço. Ele se organiza e logo dissipa”, declarou o meteorologista do Inmet. Na Capital, a instabilidade levou a uma chuva fraca em algumas regiões, mas a tendência é de que a partir de quinta-feira a chuva volte. (Colaborou Ricardo Campos Jr.)

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use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura. Foto: Arquivo Correio do Estado.

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