As escolas da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul (REE) devem retornar com 100% da capacidade a partir de outubro, conforme apontou a secretária de Estado de Educação, Maria Cecília Amêndola da Motta.
“Está todo mundo vacinado, não tem porque continuar com o escalonamento. As escolas privadas estão com as aulas presenciais, enquanto a rede estadual não, mas o município liberou 100% das Emeis, por isso pedi que o grupo do Prosseguir refizesse algumas diretrizes para que tenhamos o retorno presencial 100% em outubro”, destacou.
Segundo a Federação dos Trabalhadores em Educação de MS (Fetems), se os protocolos de biossegurança contra o coronavírus forem mantidos, o retorno total deve acontecer, enquanto para o Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), o momento não é seguro para a volta de 100% da capacidade.
Desde o dia 2 de agosto os alunos da rede estadual de ensino retornaram às aulas presenciais de maneira escalonada, de acordo com as bandeiras do mapa do Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir) determinadas para cada município do Estado.
De acordo com o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio, o retorno presencial às aulas já deveria ter acontecido, visto que houveram diversas flexibilizações.
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“Já passou da hora de reabrir as escolas, todos os outros lugares estão funcionando, templos, academias, bares e as escolas foram os primeiros a fechar e os últimos a reabrir. Qual o sentido de reabrir templos, academias e deixar as escolas fechadas? Estamos protegendo quem com essa medida?”, apontou.
Atualmente, as cidades que estão na bandeira cinza do Prosseguir atuam com 30% dos estudantes em sala. Na bandeira vermelha, de alto risco para contágio e propagação da Covid-19, as escolas devem ter 50% dos alunos.
Já na bandeira laranja, 70% dos alunos devem estar em sala de aula. Enquanto a bandeira amarela sinaliza que as escolas podem receber até 90% dos alunos.
De acordo com as determinações em vigor, as aulas 100% presenciais só deveriam retornar em cidades na bandeira verde, que indica grau baixo de contágio por coronavírus.
A secretária reforçou que os profissionais de educação já tiveram a oportunidade de completar a imunização contra a Covid-19 e que a vacinação entre os adolescentes de 12 a 17 anos segue avançando.
Mota destaca que as atuais determinações para o bandeiramento do Prosseguir estão defasados e por isso precisam de alterações. A expectativa é que nos próximos dias, durante a reunião do comitê gestor, novas diretrizes sejam estabelecidas.
“Queremos encontrar outros parâmetros para avaliar o Prosseguir, para assim todos retornarem. Se analisarmos o número de leitos, mortes e casos confirmados, os números estão reduzindo. Na medida do possível, a vida está retornando ao normal”, destacou Mota.
INSEGURANÇA
Para o presidente da Fetems, Jaime Teixeira, com o avanço da vacinação, o retorno 100% presencial na rede estadual deve ocorrer se todos os protocolos de biossegurança forem mantidos.
“Estamos caminhando para o último bimestre do ano, o retorno 100% presencial depende dos números da Covid no Estado. É fato que a vacinação avançou, mas os cuidados com a pandemia precisam ser mantidos. A secretária de saúde deve avaliar essa questão, a nossa preocupação é quanto a segurança dos alunos”, avaliou.
De acordo com a titular da REE, as escolas continuarão com todos os cuidados necessários, como a aferição de temperatura, distribuição de máscaras, disponibilização de álcool em gel 70%, sabonete líquido e papel-toalha.
Teixeira reitera que a Fetems tem fiscalizado diversas escolas estaduais e todos os protocolos estão sendo cumpridos, sendo essencial manter todos os cuidados para a segurança dos alunos e profissionais.
Em contrapartida, o presidente da ACP, Lucílio Nobre, discorda de abrir 100% as escolas. Segundo ele, mesmo com o avanço da vacinação, ainda não foi zerado o número de óbitos por Covid e não se deve colocar em risco a comunidade escolar.
“A posição da ACP é contrário, não temos a cura desse mal. Todos estão trabalhando da maneira possível, enquanto tiver morrendo um por Covid é arriscado e preocupante esse retorno, não podemos naturalizar o vírus e colocar vidas em risco”, alegou.
CAMPO GRANDE
Na Capital, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), o retorno 100% presencial não deve ocorrer neste ano, mas sim em 2022.
O superintendente de Gestão das Políticas Educacionais da Semed, Waldir Leonel, explica que mesmo com o escalonamento, a coordenação de cada instituição deve avaliar a sua capacidade.
“Trabalhamos para que o retorno presencial aconteça 100% no ano que vem, temos diversos fatores internos que acabam influenciando. Ainda assim, o diretor percebendo a situação do número de alunos que estão frequentando as escolas, ele tem autonomia para realizar adequações, só que aí não é regra da rede e sim das escolas, que deverão analisar a sua realidade”, avaliou.
O retorno presencial das atividades na Rede Municipal de Ensino (Reme) ocorreu no dia 26 de julho deste ano, após 1 ano e 4 meses de ensino exclusivamente remoto. Atualmente,as aulas acontecem de maneira escalonada, com os alunos divididos em grupos, por ano letivo e por período.
Com isso, uma parte dos estudantes assiste às aulas presencialmente, e a outra parte fica em casa com atividades remotas na semana posterior é feita a inversão dos grupos.
Leonel reitera que em algumas escolas municipais mais de 90% dos alunos já voltaram no formato escalonado, enquanto outras atendem com 60% da capacidade.
Os horários das entradas, tanto no matutino quanto no vespertino, estão sendo adaptados para evitar aglomerações.
Desde o dia 13 de setembro, os alunos das Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) retornaram para as salas de aulas de forma fixa e sem escalonamentos.
Dessa forma, 100% dos estudantes dos grupos 1, 2 e 3, que correspondem a crianças de quatro meses a três anos, podem frequentar as aulas todos os dias da semana, no período matutino ou vespertino, de acordo com a organização de cada Emei. (Colaboração Gabrielle Tavares)