Com 68.618 pessoas aguardando para a realização de cirurgias eletivas em Mato Grosso do Sul, o retorno da Caravana da Saúde terá início nos próximos dias e pretende zerar a fila de espera por procedimentos em 13 meses.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), os atendimentos serão divididos em duas modalidades: Opera MS e Examina MS. Conforme publicado no Diário Oficial do Estado, os procedimentos serão realizados entre setembro de 2021 e outubro de 2022.
A projeção de investimentos para o retorno dos atendimentos será de R$ 80 milhões. As cirurgias com maior demanda em Mato Grosso do Sul são: cirurgia geral, otorrinolaringologia, oftalmologia, cirurgia vascular, ortopedia, urologia e ginecologia.
Além dos procedimentos cirúrgicos, o retorno da Caravana da Saúde também contará com consultas e com exames especializados, que acontecerão no âmbito do programa Examina MS.
Ao todo, 33.002 pessoas aguardam na fila de espera no Estado, com destaque para atendimentos de ressonância magnética, tomografia computadorizada, colonoscopia, endoscopia e ultrassonografia.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, a retomada dos atendimentos é fundamental para a realização dos exames e das cirurgias que estão represadas, e o objetivo do projeto é zerar a fila de espera.
“Muitas pessoas aguardam na fila por cirurgias e por exames. O programa vai retomar a realização dos procedimentos que deixaram de ser feitos durante a pandemia. O nosso objetivo é zerar essa fila de espera. Já tínhamos uma fila extensa de pessoas aguardando por alguns procedimentos, agora aumentou ainda mais pelo período que o serviço ficou suspenso”, apontou.
FINANCIAMENTO
Ao todo, serão realizados nos próximos 13 meses 101.620 procedimentos em todo o Mato Grosso do Sul, que deverão custar R$ 80 milhões aos cofres públicos.
De acordo com a responsável pela retomada da Caravana da Saúde, Adriana Tobal, os atendimentos do programa de saúde acontecerão em hospitais e serão cobrados com preço de mercado, não pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Agora, todos os procedimentos serão realizados dentro de um hospital, valorizando os municípios e fazendo com que o paciente não precise se deslocar do local onde ele mora. Nunca tivemos um projeto de cirurgias eletivas com esse suporte, estamos trabalhando com os valores de mercado, sabemos que a tabela SUS é defasada”, destacou.
Os recursos serão controlados conforme ordem cronológica de execução, mediante autorização do Sistema de Regulação. O programa Opera MS será voltado para a realização de cirurgias, com recursos de R$ 60 milhões para o exercício de 2021 e de 2022.
Outros R$ 20 milhões serão voltados para o Examina MS, com foco em exames de média e alta complexidade.
A Secretaria de Estado de Saúde recebeu propostas de 39 hospitais em 34 municípios de Mato Grosso do Sul para a realização de 94 tipos de procedimentos cirúrgicos e 66 tipos de exames especializados.
Em Campo Grande, estão previstas 3.159 cirurgias no Hospital São Julião, 1.950 no Hospital do Pênfigo, 6.292 na Maternidade Cândido Mariano e 713 no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.
A Caravana da Saúde foi criada em 2015 e atende pacientes dos 79 municípios cadastrados no SUS. Em março de 2020, todos os exames, consultas e cirurgias foram adiados por conta do decreto que suspendeu os atendimentos eletivos no Estado em razão da pandemia do coronavírus.
“Uma parte da população ficou quase 18 meses sem realizar qualquer tipo de exames e cirurgias, as pessoas estão sofrendo e a caravana está sendo retomada com esse propósito, queremos ajudar a população. Acreditamos que o mais breve possível vamos zerar essa fila de espera”, afirmou Tobal.
A SES defende que o retorno das cirurgias eletivas será de forma gradual, organizado conforme a capacidade de cada unidade hospitalar e região de saúde, sem deixar de priorizar os atendimentos de urgência, emergência e casos de Covid-19.
ESPERA
Milhares de pessoas padecem na fila de espera para a realização de cirurgias e de exames especializados no Estado, suspensos desde o início da pandemia. O pedreiro Nilton da Silva, 45 anos, fraturou a mão em um canteiro de obras e precisou ser operado em regime de urgência por conta da gravidade do caso.
“Tive um acidente na obra em que trabalho e precisei fazer cirurgia, queriam me deixar na fila de espera, mas como era urgência tive de operar logo. Vou ficar 90 dias parado, precisei colocar pino, só Deus por nós!”, relatou.
Dependendo da gravidade dos casos, alguns procedimentos são realizados em regime de urgência. Como exemplo, no maior hospital de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande, foram executadas 40.519 cirurgias eletivas em 2020, sendo 110 de emergência, enquanto neste ano ocorreram 24.132 procedimentos cirúrgicos emergenciais.
O aposentado Jorge da Silva, 63 anos, aguardava na fila de espera para a realização de uma cirurgia no coração há quase um ano, mas, em razão de um agravante, precisou ser internado às pressas no Hospital São Julião. Após o procedimento, Jorge precisa realizar exames periódicos no Centro Especializado Municipal (CEM) Presidente Jânio Quadros.
“Estava doente e de uma hora para outra piorou de uma vez, tive de fazer uma cirurgia no coração, não tive como ficar esperando. Tive uma piora, fizeram ecocardiograma e me operaram, não tinha como esperar. Tudo ocorreu bem, mas agora tem que ficar acompanhando”, contou Silva.
Já o aposentado Reginaldo Santana, 65 anos, está na fila para a realização de uma cirurgia após quebrar uma das pernas.
“O médico nem olhou na minha cara, me passou oito comprimidos, mandou colocar gesso e me mandou embora. Ainda não tenho um diagnóstico, ninguém aqui fala o que vou ter de fazer, daqui a pouco vão querer arrancar minha perna, sendo que quebrei só”, disse.
Segundo a SES, os pacientes serão priorizados conforme a gravidade do caso e o maior tempo de espera registrado nas Centrais de Regulação, além dos riscos associados à Covid-19. Em caso de sintomas gripais, o procedimento deverá ser suspenso ou cancelado; para isso, o médico deverá preencher um formulário específico e a cirurgia será remarcada.