Cidades

TRANSPORTE COLETIVO

Prefeitura pretende aumentar tolerância com atrasos no transporte coletivo

Na justificativa, município alega que o número de obras, principalmente no centro da cidade, resulta em problemas no tráfego

A Prefeitura de Campo Grande enviou à Câmara Municipal de Vereadores um projeto de lei que autoriza tolerância de 5 a 10 minutos de atraso em trajetos de ônibus na Capital.  

Na justificativa, o Executivo cita que a cidade tem, atualmente, “grande número de obras em execução nas ruas”, o que provoca problema no tráfego dos ônibus e dificuldades dos motoristas em cumprirem o horário estabelecido.

Além disso, a medida defende que o projeto “não oferece risco” na tolerância de 10 minutos, uma vez que determina necessidade de motivação específica em caso de limite maior.  

O presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, defendeu a efetividade da proposta, visto que o trânsito na região central é afetado pela segunda etapa do projeto Reviva Centro.  

Por exemplo, a Rua Rui Barbosa foi a escolhida para o início das obras do Reviva, o que alterou o trajeto do transporte coletivo, assim como em outras diversas linhas de ônibus da região central. Com as intervenções, motoristas precisam desviar dos trechos em obras, o que acarreta em atraso nas viagens.  

“Campo Grande virou um grande canteiro de obra, sabemos que isso a longo prazo será muito positivo para a cidade, mas é fato que o transporte coletivo tem sido diretamente comprometido. O trajeto é muito complicado para os motoristas, o que é natural em uma obra de grande porte”, apontou Rezende.  

A proposta ainda contém item que prevê “casos em que houver intervenção no trânsito, previamente autorizada e por tempo determinado, que afete o normal cumprimento do itinerário, a tolerância estabelecida pela Ordem de Serviço poderá exceder o limite máximo, devendo constar expressamente no documento o motivo específico da tolerância maior”, diz o documento.

O titular do Consórcio Guaicurus relatou uma situação que aconteceu no início da semana em uma das linhas de ônibus da Capital. Segundo ele, um motorista estava atrasado por conta das intervenções realizadas na cidade e no horário que deveria estar na Rua Rui Barbosa ainda estava saindo do terminal Aero Rancho.  

“Já tivemos diversas situações de atrasos nos últimos meses, o motorista do transporte tem uma missão para cumprir em um período determinado de tempo. Se esse tempo não for cumprido, o consórcio precisa apresentar uma justificativa para a Agetran, e se o motorista não tiver, ele pode assumir o ônus da multa”, destacou.  

Por conta disso, no início das obras na região central, motoristas foram às ruas para pedir que as penalidades sejam administrativas, e não financeiras, em caso de atrasos dos ônibus, mas, conforme apurado, nada foi alterado.  

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Lotação

O Executivo determinou, desde o dia 27 de setembro, que o transporte coletivo de Campo Grande voltasse a funcionar normalmente, sem as restrições impostas pela pandemia. Até então, os ônibus só podiam circular com até 70% da capacidade de lotação máxima.

Mesmo com o retorno total, a circulação dos ônibus que foram retirados na pandemia não deve ocorrer, segundo o Consórcio.

USUÁRIOS

A auxiliar de farmácia, Julia Almeida, 24 anos, utiliza o transporte coletivo para trabalhar todos os dias, segundo ela, o trânsito na região central está precário, o que tem ocasionado atrasos e reclamações por parte dos passageiros que fazem uso do serviço.  

“Uso o transporte coletivo todos os dias, trabalho em uma farmácia no centro e desde o início dessas obras está muito complicado. Sabemos que o serviço é precário, mas conseguiram piorar. Estou saindo de casa mais cedo que o normal. Um trajeto que eu gastava 40 minutos, agora é necessário muito mais tempo”, relatou Julia.  

Atualmente, as intervenções acontecem no cruzamento das ruas 13 de Maio e Marechal Rondon, onde estão fechadas parcialmente para as obras de drenagem.

De acordo com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), a previsão de reabertura é para o dia 14 de outubro. Durante esse período, será mantida uma pista de rolamento para o acesso de pedestres.  

As revitalizações na região central tiveram início em junho e, caso não ocorra nenhuma interferência que paralise as obras, terminará em agosto de 2022, mês de aniversário da Capital.

Com a interdição do cruzamento, o trecho da Rua Barão do Rio Branco, entre a 13 de Maio e a Pedro Celestino, também será interditado totalmente, sendo permitido acesso local entre a 13 de Maio e Barão do Rio Branco.  

Já no trecho entre a Rui Barbosa e Pedro Celestino, o acesso local será permitido na contramão. Por conta disso, a Agetran pede atenção redobrada.

O atendente de telemarketing, Diego Marques, 28 anos, disse que usa o transporte todos os dias para trabalhar. Ele relatou que todos os dias de manhã o ônibus que utiliza demora muito tempo para passar, o que acaba causando a superlotação dos pontos de embarque.

“Acordo às 6h e fico esperando o ônibus do meu bairro, que é a linha 216, mas demora muito para passar, o que faz o ponto lotar e corrermos risco de sermos assaltados. Quando chego no Terminal General Osório, preciso pegar o ônibus que passa pelo Centro, o que também demora muito. Se já sabem das obras, por que não colocam mais veículos para operar?”, reclamou Marques.

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use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura. Foto: Arquivo Correio do Estado.

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