Cidades

ENTREVISTA

Setor turístico comemora a fase de recuperação pós-pandemia

Turistas começam a retomar viagens para os principais destinos em Mato Grosso do Sul

O turismo, com certeza, foi um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus e um dos primeiros a sentir os impactos negativos causados pelas medidas sanitárias de restrições, cancelamento de viagens e fechamento de fronteiras. Até mesmo, em nome da segurança, a disseminação da Covid-19 acabou colocando as viagens em um outro plano de prioridade.

Todavia, mesmo com alguns programas e políticas para redução e mitigação de impactos havidos em alguns lugares, o certo é que a rede turística sentiu os efeitos da diminuição da demanda. Mas a crise também ofereceu a oportunidade para o setor se rearticular e se repensar para o pós-pandemia.

Um novo quadro começa a ser visto tanto por aqueles que estão desejosos pela retomada das viagens para descanso e lazer quanto pelos empresários que operam no setor.  

Inegavelmente, o avanço da vacinação contra a Covid-19, em que Mato Grosso do Sul é apontado como o Estado que mais vacina no Brasil, a progressiva eliminação de restrições de viagens e o início da reconquista da confiança dos viajantes vai desenhando um cenário mais otimista.

Na prática, o turismo deve voltar com força. Somente em Bonito, por exemplo, que voltará a atender sem restrição de hospedagem, espera receber perto 10 mil turistas no feriado de outubro. Segundo as agências de turismo, o feriadão movimentará turistas de todo o Brasil, em especial do Rio de Janeiro, de Goiás, do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Levantamentos indicam que em agosto Bonito, considerada a capital do ecoturismo, recebeu 15.927 turistas, inferior apenas a julho (16.133), com um acumulado de oito meses em 101.958 pessoas. Além disso, o cenário projeta que o destino chegará ao fim do ano com um fluxo próximo de 2016 (212 mil) e de 2019 (209 mil), apesar dos impactos da pandemia.  

O Correio do Estado ouviu Ney Gonçalves, atual presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de Mato Grosso do Sul (Abav-MS), que falou sobre a recuperação e as expectativas do setor para os próximos meses.

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CORREIO DO ESTADO – A pandemia, ao que tudo indica, está se encaminhando para o seu fim. Quais são as expectativas para o setor turístico, seguramente um dos setores mais atingidos pela pandemia de Covid-19?

NEY GONÇALVES – Desde julho deste ano, com a queda dos índices de contaminação de Covid-19, nosso segmento começou a reagir e estamos bastante confiantes que, com a estabilidade, o turismo se restabeleça e volte a atingir o fluxo que tínhamos antes do período de pandemia.

Quando falamos sobre viagens, é certo que teremos grandes mudanças comportamentais no turismo pós-pandemia?

Sim, estamos certos dessa mudança. Todos os empreendimentos turísticos, como hotéis, transportes, atrativos, guias de turismo, receptivos etc., estão seguindo rigorosamente os protocolos de biossegurança, e isso é um dos fatores que faz o turista se sentir seguro em programar suas viagens, e o turismo praticado em ambientes naturais terá um grande crescimento por conta dessas mudanças comportamentais.

Qual o papel da vacinação nesse momento de recuperação?

A vacina é a nossa maior aliada. Se estamos neste momento retomando nossa economia foi em função da queda do número de infectados pela doença por conta da vacinação da população.

Qual é o perfil desse turista que volta a buscar novos destinos sem se esquecer das medidas de proteção à própria saúde? Haverá receio de locais com aglomerações? Turismo mais voltado para a natureza talvez ganhe a preferência?

O turismo praticado na natureza neste momento é o mais procurado, as pessoas ainda não estão seguras em ambientes fechados ou com aglomerações, esse turista está muito consciente, sempre visando à segurança e proteção a sua saúde.

Como ainda vigoram em grande parte dos países medidas de restrição ao acesso de estrangeiros, é natural que a demanda por viagens, neste primeiro momento, volte-se ao espaço doméstico?  

Sim, neste momento o mercado nacional está bem aquecido. Os brasileiros estão procurando destinos nacionais e de curta distâncias.

Nesse particular, o que o Mato Grosso do Sul tem a oferecer?

Mato Grosso do Sul é um destino de grande potencial, pois nosso carro-chefe é o turismo praticado na natureza, lugares como Bonito, Bodoquena e Pantanal estão sendo muito procurados tanto por outros estados como pelo sul-mato-grossense. 

Neste momento de retomada do turismo, temos o que as pessoas estão precisando, segurança (somos o estado que mais vacinou do país), fora que todos os empreendimentos estão com os protocolos de biossegurança, temos a natureza em exuberância, conforto e qualidade nos serviços.

Como podemos analisar a grande demanda de turistas prevista para Bonito no feriado deste mês de outubro?

O destino Bonito já não há mais vagas para hospedagem e passeios neste feriado de outubro, isto se deve ao perfil do destino e também à forma como é praticado o turismo na região, além da segurança, em que todos os equipamentos estão seguindo rigorosamente os protocolos de biossegurança.

Quais outros destinos que também devem ser aquecidos?

Aqui no Estado de Mato Grosso do Sul, o Pantanal (com os municípios de Aquidauana, Miranda e Corumbá), Bodoquena, Costa Rica, Alcinópolis, Rio Negro, Rio Verde também terão um grande fluxo de turistas.

Essa movimentação reflete a segurança do turista em voltar a viajar para destinos em Mato Grosso Sul?

Sim, com certeza. Isso é por conta dos baixos índices de infecções e também da forma segura com que os hotéis e atrativos estão se preparando e oferecendo aos turistas.

Poderíamos dizer que os segmentos de turismo estão se preparando para clientes mais ávidos por atividades ao ar livre, esportes e alimentos saudáveis, por exemplo?

Sim. Conforme a demanda, os empreendimentos cada vez mais se capacitam e se preparam para receber este turista mais saudável e preocupado com a sua saúde.

Qual o tipo de pessoa que primeiro deve voltar a viajar com o fim da pandemia?

Inicialmente, as famílias, os casais e também os jovens.

Como o turista enxergará valor nas viagens pós-pandemia?

Enxergará como um investimento prioritário em sua vida. No passado, as viagens já eram consideradas de extrema importância. Agora, mais do que nunca, as pessoas precisarão de momentos com a natureza e meditação com a família e com amigos.

O senhor avalia que a liberação de voo direto de Congonhas para Bonito prejudica ou não Campo Grande? Especialmente no momento em que se prepara para a conclusão do Aquário do Pantanal?

Acredito que isso não afetará em nada. Campo Grande já tem o perfil de turista bem definido, e este voo trará apenas uma opção a mais para o cliente chegar em Bonito, e isso cabe a nós como operadores formatar pacotes do cliente entrando por Campo Grande e saindo por Bonito ou vice e versa. Isso nos ajudará oferecer mais opções aos turistas.

O fomento ao turismo deve ser visto como uma prioridade nos esforços de recuperação econômica pós-Covid-19?

Com certeza, só não vê quem não quer. O turismo é uma grande máquina que gera muitos empregos e mantém fortemente a economia de uma cidade, de um estado e de um país. 

Nosso potencial é incrível e por meio do turismo podemos recuperar a economia mais cedo do que muitos imaginam, quem sabe nossos governantes passam o ter um outro olhar para este forte e grande segmento que não destrói e nem polui, mas conscientiza os turistas do quanto é importante conservamos nossos patrimônios, nossa natureza e nosso povo para que possamos deixar boas heranças para nossas futuras gerações.

O que se espera do poder público nesse estágio de atenção ao setor?

Esperamos que nossos governantes não vejam mais o turismo como simplesmente uma atividade de lazer e, sim, olhem como um segmento que gera muitos empregos e movimenta toda economia de uma região, pois o lazer é prioridade na vida de qualquer ser humano, todos têm este direito. 

O Turismo deve ser visto sempre como um dos principais segmentos da economia do mundo.

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