Caiu para menos da metade o número de casas entregues nos últimos 10 anos com recursos do governo federal em Campo Grande.
No período de 1º de janeiro de 2011 até o dia 1º de outubro de 2013, no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), foram entregues 3.718 unidades habitacionais, enquanto entre 1º de janeiro de 2019 e 1º de outubro de 2021, na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), houve a entrega de 1.750 moradias, de acordo com dados da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf).
Atualmente, Campo Grande possui deficit habitacional, com 106 mil famílias em busca de moradia popular, o que, conforme a Amhasf, tem se agravado desde 2019, visto que o atual programa do governo federal é voltado para pessoas que tenham uma faixa de renda superior a R$ 2 mil.
O diretor de Administração e Finanças da Amhasf, Cláudio Marques Costa Júnior, reitera que os empreendimentos que estão sendo finalizados agora para famílias de baixa renda foram iniciados há anos, no programa Minha Casa, Minha Vida.
Recentemente, o presidente Bolsonaro criou o programa Casa Verde e Amarela, uma reformulação do antigo programa habitacional federal, o que, segundo o diretor da Amhasf, tem dificultado ainda mais a aprovação de recursos para habitação e, consequentemente, agravado a realidade de famílias que dependem de aluguel ou moram de favor.
“Desde que o atual governo assumiu não entraram mais recursos para construção de moradias para pessoas com faixa de renda de até R$ 2 mil. Nos últimos dois anos, não foram enviados recursos para novos projetos de habitação ou empreendimentos em Campo Grande, o que explica a redução no número de casas entregues”, avaliou.
Entre 2011 e 2013, foram entregues 3.718 unidades habitacionais na Capital, contra 1.750 no período de 2019 a 2021, uma redução de 52% da oferta de novas moradias para Campo Grande.
LOS ANGELES
No período de 2011 a 2013, foram entregues 3.718 moradias em Campo Grande, entre elas, o Residencial Terra Morena I, finalizado 2012 e formado por 756 casas, no Bairro Los Angeles. O empreendimento, voltado para pessoas de baixa renda, fez com que os moradores realizassem o sonho da casa própria, com parcelas acessíveis.
Cada imóvel possui sala, cozinha, banheiro, dois quartos e área de serviço, com 46 metros quadrados de área construída em terreno que mede 180 m². Para a intervenção foram investidos R$ 80 milhões de repasse dos governos federal e estadual.
A vendedora Ana Cristina Gomes, 29 anos, foi uma das primeiras contempladas com uma casa no residencial. Desde então, ela, o marido e a filha saíram do aluguel, com valores que cabem no orçamento da família.
“Moro aqui desde que começou, não tenho do que reclamar, é muito tranquilo. Nunca alterei os cômodos da casa, atendem bem à minha família, tem mercado próximo, praça, posto de saúde e, principalmente, é muito mais barato do que um aluguel comum, que eu não teria condição de pagar”, relatou.
Quem também defende a importância de recursos voltados para unidades habitacionais para os mais pobres é a dona de casa Thaynara Rogeri, 21 anos, que há dois meses se mudou para o Residencial Terra Morena I, onde mora com seus dois filhos e marido.
“Comecei a morar em uma casinha aqui há dois meses. Aqui é muito tranquilo e seguro, levo meus filhos para passear e estamos bem felizes”, afirmou.
AERO RANCHO
Entre as 1.750 unidades habitacionais finalizadas entre 2019 e 2021, está um dos residenciais mais recentes entregues na Capital, o Aero Rancho CH 7 e CH 8. Os apartamentos populares foram construídos via programa Minha Casa, Minha Vida e são voltados para famílias com renda de até R$ 1,8 mil.
Os investimentos nos dois empreendimentos foram de R$ 42,7 milhões, sendo R$ 35,8 milhões do governo federal e R$ 6,3 milhões do governo estadual.
A doação do terreno e as isenções fiscais foram concedidas pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, que também garantiu o aporte de R$ 564 mil aos dois empreendimentos.
A síndica do residencial Aero Rancho CH 7, Juliana Álvares, 33 anos, relatou que praticamente todos os apartamentos já foram financiados e estão ocupados, e a entrega do conjunto habitacional representa melhores condições de vida e alívio por uma moradia com valores acessíveis.
Segundo ela, o valor mensal do financiamento varia entre R$ 80 e R$ 200, pagos em 120 parcelas. “Logo que os apartamentos foram entregues, eu me mudei, graças a Deus não tenho do que reclamar. Atualmente todos já foram financiados, poucos imóveis ainda não foram ocupados. O valor é muito atrativo, principalmente hoje em dia, em que tudo está tão caro”, relatou.
Os residenciais Aero Rancho CH 7 e Aero Rancho CH 8 têm 14 blocos cada, cada bloco com quatro andares e quatro apartamentos por andar, o que dá um total de 448 apartamentos. Cada unidade habitacional tem dimensão de 47,21 m², dotada de dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço.
Os condomínios foram equipados com água, esgoto, pavimentação, drenagem e iluminação pública.
A dona de casa Rosana Almeida, 32 anos, financiou um apartamento no local há dois meses. Ela destaca que sair do aluguel, tendo condição de quitar parcelas de sua casa própria, representa esperança por dignidade e um local seguro para os três filhos.
“É muito importante esse tipo de assistência, eu não conseguiria pagar um financiamento pelo valor de mercado. Aqui é um paraíso, sempre foi um sonho ter minha casa própria, toda vida morei de aluguel. Hoje moro com meus filhos e pago um valor que não pesa no meu orçamento, aqui eles brincam e sinto segurança”, disse.