As chuvas que caíram em todo Mato Grosso do Sul durante o fim de semana foram insuficientes para elevar o nível do Rio Paraguai, que sofre com medições negativos causados pela estiagem.
De acordo com o Centro de Hidrografia e Navegações do Oeste, da Marinha do Brasil, a régua do Rio Paraguai no município de Ladário está em -0,55 neste domingo (10), já em Porto Murtinho está em 0,80 e no Forte Coimbra, em Corumbá, -1,72.
Na época de inverno e de seca, em julho e agosto, o ideal seria que o rio atingisse a marca dos 4,5 metros. Nos períodos mais abundantes, o nível chega a superar 5 metros próximo de Corumbá.
Em 2018, o pico chegou a 5,35 metros. Enquanto neste ano, a máxima alcançada na régua de Ladário foi em abril, com 1,88 metro.
Os municípios foram beneficiados com as chuvas no sábado e domingo, mas de acordo com o meteorologista Natálio Abraão, ainda não é possível saber os milímetros, já que as estações responsáveis por medi-los ficam desligadas no fim de semana.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê novas precipitações nas regiões que abrigam o Rio Paraguai.
"Mesmo que pouca, a chuva sempre tem uma contribuição para os rios", disse o meteorologista do Inmet, Heraclito Alves.
"Hoje já começa a diminuir as chuvas, vai ficar mais concentrada no leste do Estado. No norte, na divisa com a Bolívia, terá menos chuvas. Serão pancadas no fim da tarde, mas volumes mais expressivos é somente na parte leste, na região da divisa com São Paulo".
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Em Ladário e Corumbá, deve chover apenas na segunda-feira (11) e retornar a partir da quinta-feira (14). Em Porto Murtinho, a única diferença é a previsão para chuvas também na terça-feira (12).
Pelo segundo ano consecutivo, a cheia do rio Paraguai, que drena a Bacia do Alto Paraguai e o bioma Pantanal, não ocorre por causa da crise hídrica.
O nível negativo em Ladário é registrado desde o dia 11 de setembro, o que só foi marcado em 1º de outubro do ano passado. Em razão ao nível crítico, as navegações no Rio Paraguai foram paralisadas.
A tendência para o transporte de três milhões de toneladas de minério a partir de Corumbá é seguir por meio rodoviário, o que gera impacto nas rodovias e tem custo maior.
Além da falta de chuvas, a redução do nível do rio tem ligação com a temperatura. A Embrapa Pantanal apontou que desde 2020 há uma elevação de 2ºC na região, em média. Com termômetros ultrapassando os 40ºC em diversos dias, esse calor causa uma evaporação muito maior na Bacia do Paraguai.