Mato Grosso do Sul já tem 122 escolas da Rede Estadual de Ensino (REE) seguindo as diretrizes do novo modelo de Ensino Médio.
Ele deverá ser implantado em 100% das unidades do Estado em 2022, com a promessa de formar alunos para saírem mais preparados do Ensino Básico.
O novo Ensino Médio é um modelo de aprendizagem por áreas de conhecimento, que permitirá ao jovem optar por uma formação técnica e profissionalizante.
Com isso, ao fim do Ensino Médio, o aluno receberá, além do certificado de formação regular, o certificado do curso técnico ou profissionalizante que cursou.
A adaptação das escolas começou em 2018 e foi realizada de forma gradativa, a critério das secretarias de Educação dos estados.
Em Mato Grosso do Sul, conforme a titular da Secretaria de Estado de Educação (SED), Maria Cecília Amêndola da Motta, a implementação do novo Ensino Médio ocorrerá em todas as escolas da REE, desde o primeiro ano e de maneira direta, no ano que vem.
“Mato Grosso do Sul tem 122 escolas que já atuam no novo modelo do Ensino Médio em um projeto-piloto. A meta para 2022 é ter 100% das escolas, de uma vez só, do Estado nesse formato”, disse a secretária.
“Estamos nos preparando para o novo Ensino Médio desde 2016 [quando a reforma foi aprovada pelo Congresso Nacional], discutindo o assunto, e fizemos uma experiência aqui”, afirmou a secretária.
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De acordo com a mudança, serão oferecidas quatro áreas do conhecimento aos alunos: Matemática e suas tecnologias; Linguagens e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias; e Ciências Humanas e Sociais aplicadas.
Essas áreas corresponderão a 60% da carga horária total.
Os outros 40% poderão ser compostos pelos próprios alunos, para aprofundar a formação técnica em uma ou mais áreas, baseados na formação técnica e profissional.
A titular da SED explica que o estudante terá uma organização curricular que contemple uma formação comum, ou seja, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e a oferta de diferentes possibilidades de escolha, que serão os itinerários formativos, com foco em áreas de conhecimento e nos interesses dos estudantes.
Segundo Maria Cecília, no formato em vigor, o aluno possui 13 disciplinas iguais nos três anos de Ensino Médio, não tendo nenhum direcionamento para conteúdos específicos, o que será alterado com o novo formato proposto.
Com isso, a formação no novo modelo será pautada no desenvolvimento de habilidades e talentos dos estudantes.
“O estudante terá a possibilidade de optar por um itinerário formativo que tem relação com a sua vocação. O novo Ensino Médio traz esse desenho, e tenho certeza que o abandono e a reprovação serão menores, em razão do direcionamento a partir da vontade que a pessoa tem”, disse.
“Eu acredito no novo Ensino Médio, acho que o estudante não vai se evadir, não vai ficar na rua ou reprovar, pois ele terá novas oportunidades”.
ALTERAÇÕES
O novo currículo do Ensino Médio é organizado por áreas de conhecimento, e não mais por matérias.
Uma das principais mudanças será o aumento da carga horária total ao longo dos três anos, que passará de 2.400 horas para 3.000 horas.
Desse valor, 1.800 horas serão destinadas para as disciplinas obrigatórias e 1.200 horas para os itinerários formativos.
Conforme as diretrizes do projeto, o novo Ensino Médio entrará em vigor já em 2022, para os alunos do primeiro ano, e até 2024 estará em todas as turmas do País.
Cada escola terá de oferecer pelo menos uma opção complementar à formação dos alunos.
De acordo com a coordenadora de Formação Continuada da SED, Alessandra Beker, a reforma será benéfica para alunos e professores, visto que o próprio estudante escolherá uma área para se aprofundar em conhecimentos específicos, conforme interesse individual.
“O novo Ensino Médio terá diversas áreas de conhecimento, não será mais o professor planejando sozinho uma aula, o planejamento e a formação será em conjunto”, relatou.
“Temos um profissional da SED indo em todas as regionais do Estado para apresentar esse projeto. Mato Grosso do Sul já tem modelos de como será essa nova estrutura e projetos para auxiliar na organização”, destacou.
De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2020, apenas 65,1% dos brasileiros concluíram o Ensino Médio na idade esperada, até os 19 anos – porcentual que chega a 51,2% entre os mais pobres –, e 12% dos brasileiros com idades entre 15 e 17 anos estão fora das salas de aula.
DESAFIOS
Entre os desafios da nova proposta está o itinerário de formação profissional e técnica, que consiste na atuação de profissionais para ministrar conteúdos relacionados às suas experiências profissionais.
Além disso, também estarão em cena os itinerários formativos, que são o conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, que os estudantes poderão escolher.
A secretária de Estado de Educação pontuou que MS já está se preparando para as mudanças e tem estrutura para cumprir o que está sendo proposto.
“Estamos trabalhando para essa alteração. Será uma mudança grande, a qual já foi muito discutida. Mato Grosso do Sul possui total capacidade e estrutura para cumprir as determinações”, alegou.
“Por exemplo, o itinerário informativo não obrigatoriamente vai acontecer dentro da mesma escola, o colégio Joaquim Murtinho poderá oferecer só eletiva de exatas, enquanto o Hércules Maymone vai dar só de humanas, essa logística ainda está sendo decidida”, explicou a secretária.
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que foram investidos mais de R$ 70 milhões nas secretarias para que ocorra essa transição e adequação.
Para isso, o governo desenvolveu o programa Novo Ensino Médio, que viabiliza a logística e o repasse dos recursos para as secretarias.