Com recursos de mais de R$ 60 milhões, entre os atrativos da Rua 14 de Julho está a instalação de rede de fibra óptica em toda sua extensão, sendo ela responsável pela disponibilidade de internet wi-fi gratuita no local, o que conforme apurado pelo Correio do Estado não acontece na prática.
De acordo com a página do programa Conecta Campo Grande – Internet Pública Gratuita, o Executivo oferece, por meio da rede municipal de alta velocidade, um serviço de acesso gratuito à internet em diversos pontos da cidade, de forma ágil e simplificada, o que segundo pedestres ouvidos pela reportagem: “Não funciona e nem vale a pena tentar mais”.
“Eu larguei mão, perdi as contas de quantas vezes tentei, coloquei meu CPF, endereço e tudo que pediam, mas realmente não funciona, é só para fazer a gente de besta mesmo”, relatou a auxiliar de lavanderia, Rosa Maria, 31 anos.
A reforma na 14 de Julho, que inicialmente estava orçada em R$ 49.238.506,82 e precisou receber aditivo de mais de R$ 11 milhões para que pudesse ser concluída.
Entre os motivos do recurso adicional na obra milionária do Reviva Campo Grande, estava a implantação de rede lógica (Gpon, CFTV e rede Wireless) e instalação de equipamentos para melhorar o acesso de internet no local.
O acréscimo liberado pelo Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) levou o custo total do projeto a R$ 60.455.110,03.
A empresa Engepar Engenharia foi responsável pelas intervenções que duraram mais de 17 meses, a inauguração ocorreu em novembro de 2019.
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INSATISFAÇÃO
Tecnicamente, para ter acesso ao wi-fi municipal é preciso acessar a rede Conecta Campo Grande, abrir o navegador e fazer o cadastro. Em seguida preencher os campos de login e senha com os dados cadastrados para usufruir da conexão, entretanto, de acordo com usuários ouvidos pelo Correio do Estado, o sinal não funciona.
Decepcionado, Edinaldo Gomes da Silva, vendedor ambulante, 47 anos, acessava diariamente o programa disponibilizado pela prefeitura para conectar seu celular à internet, mas após inúmeros tentativas frustradas desistiu de utilizar o serviço.
“Já perdi as contas de quantas vezes tentei usar e nunca consegui, não entra. Tem um ano que trabalho nesse ponto e ainda não consegui conectar, aparece o programa, preencho os dados necessários, mas não consigo acessar”, relatou.
Conforme o município, cada celular terá disponível conexões de até um mega quando conectados. A rede será exclusivamente para pedestres, e não é adequada para o uso empresarial. Para garantir a cobertura, foram instalados 39 roteadores e repetidores de sinal (média de três por quadra) em toda a via.
Adrian Correia, 20 anos, trabalha em um dos box da Rua 14 de Julho vendendo capinhas e artigos de celular. Ele afirma que diariamente vê diversos pedestres tentando utilizar o então serviço prometido de wi-fi gratuito, no entanto, a falta de internet se torna um problema.
“No meu celular conecta o sinal da rede, mas não funciona a internet, vejo várias pessoas na rua tentando, até me perguntam de senha, chegam a esperar 10 e 15 minutos e nada, muitos desistem”, relatou Adrian.
Além do serviço prometido, e não cumprido, a falta de segurança e o retorno das chuvas trouxeram outros problemas para a população que transita em uma das vias de maior circulação da Capital.
Ademais, a segunda etapa do Reviva Campo Grande contempla o microcentro, que abrange, além da Rua José Antônio, o quadrilátero formado pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa, Mato Grosso e Calógeras e pela Rua Padre João Crippa e, de acordo com o projeto, também deverá contar com fibra ótica e pontos de wi-fi gratuito para a população.
CIDADE INTELIGENTE
Com a proposta de oferecer internet gratuita para a população, o Executivo defende a proposta de transformar Campo Grande em uma Cidade Inteligente, ou seja, com pontos de wi-fi gratuito, permitindo que todos tenham acesso à internet de qualidade.
Segundo a Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (Agetec), alguns equipamentos apresentaram problemas por causa das fortes chuvas e dos ventos que aconteceram na primeira quinzena do mês passado (setembro), no entanto, já foram substituídos.
A agência reitera que neste ano foram mais de 740 mil autenticações de usuários; uma média de 3 mil autenticações por dia. No mês de setembro, foram realizados 3.302 novos cadastros no Conecta Campo Grande.
Contudo, a manicure Shirley dos Santos, 43 anos, relata que diversas vezes tentou utilizar a internet, mas não teve sucesso. Segundo ela, mesmo com o preenchimento dos dados, o serviço não funciona.
“Estou no momento tentando conectar, mesmo não lembrando a vez que funcionou, sigo tentando. Esse é um serviço que falam que oferecem para facilitar, mas só complica”, destacou.
A Agetec destaca que o tempo médio de uso é de 55 minutos por sessão de usuário, em que cada equipamento tem capacidade de suportar 250 conexões simultâneas.
Em outubro de 2020, a prefeitura assinou o contrato de R$ 27 milhões em financiamento com a Caixa Econômica Federal, para uma operação de crédito na linha de financiamento Pró-Cidades na modalidade Modernização Tecnológica Urbana.
O investimento tem como objetivo disponibilizar ferramentas tecnológicas para melhorar a prestação de serviços públicos.