Cidades

CAMPO GRANDE

Falta de drenagem faz com que chuvas causem destruição

Da madrugada até as 10h de quinta-feira choveu na Capital 56 milímetros, segundo meteorologista

Campo Grande registrou ontem ventos fortes e chuva intensa, que deixaram rastros de destruição pela cidade, como alagamentos, quedas de árvores e postes, bairros sem luz e inúmeros prejuízos para moradores de diversos bairros. 

Especialista ouvido pelo Correio do Estado explica que danos como esses são ocasionados em razão da falta de drenagem nas ruas da Capital. 

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, da madrugada até as 10h de quinta-feira, Campo Grande registrou 56 milímetros de precipitação. Os ventos foram ainda mais expressivos, chegando a 76 km/h.  

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“Essas inundações acontecem por falta de drenagem. Há anos Campo Grande foi pavimentada, mas não se fazia a drenagem por tubos. Ainda existem vários pontos da cidade que têm problema de captação de águas, quando a chuva acontece tão forte, não temos capacidade de escoamento e, com isso, temos os alagamentos”, disse o engenheiro civil especialista em infraestrutura e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) Maurício Faustino Gonçalves.  

Foram 96 ocorrências de quedas de árvores ou galhos na Capital até as 15h30min de ontem, de acordo com o Corpo de Bombeiros. 

Em frente ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), uma árvore caiu em cima da rede elétrica e provocou um pequeno foco de incêndio no local.

Em função dos impactos do temporal, equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) foram às ruas na tarde de ontem para remover troncos e galhos de árvores que tombaram com a força dos ventos.

ESTRAGO  

Da madrugada até as 12h desta quinta, Mato Grosso do Sul registrou 401.852 descargas elétricas, deixando 55 bairros sem luz. 

Vários semáforos ficaram desligados, em razão da falta de energia elétrica, na Avenida Duque de Caxias, na Rua 26 de Agosto e na Avenida Noroeste, entre outras.  

Em um dos principais cruzamentos da cidade, Rua Rui Barbosa com Avenida Afonso Pena, um buraco foi aberto e prejudicou o trânsito – apenas uma das faixas foi liberada.

As obras de revitalização da Avenida Ernesto Geisel também tiveram problemas. Após a forte chuva, parte do asfalto cedeu, chegando à sinalização da via. 

No local é feita, atualmente, a mudança de tubulação de esgoto para que seja construída a parede de contenção do Rio Anhanduí. As intervenções no local são essenciais para a contenção de águas pluviais, mas caminham a passos lentos em razão da falta de recursos.  

Com a intensidade da chuva, um muro desabou na Rua Professor Luís Alexandre de Oliveira, mais conhecida como Via Parque, quase em frente ao lago do Parque das Nações Indígenas. 

No local, a reportagem do Correio do Estado também flagrou alagamentos, diversos buracos na via e árvores caídas.

No Bairro Riviera Park, a moradora Ana Paula Anuncio Machado, 42 anos, viveu momentos de desespero na manhã de ontem, quando acordou às 5h com a água da chuva invadindo a cozinha de sua casa.

O vento derrubou o muro da residência onde Ana Paula mora com o marido e seus dois filhos. Além disso, ela relatou que a casa que estava sendo construída ao lado da sua também foi ao chão.  

“Foi terrível levantar em uma situação dessas, pedimos a Deus pelas nossas vidas. O vento derrubou metade do muro da minha casa e levou a calha. Ainda entrou água debaixo da minha casa, foi assustador",  declarou.

"Aqui não tem asfalto, quando chove, faz esse temporal; quando tem seca, é aquele poeirão. Os postes da rua também estão todos tortos, uma hora eles vão cair e pode acontecer alguma coisa”, complementou.

Próximos dias

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), hoje ainda há chance de mais chuva na Capital, mas com menos intensidade e volume. O tempo deve permanecer nublado, e a temperatura varia de 20°C a 32°C.  (Colaborou Gabrielle Tavares)

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