Com cerca de 96 horas sem energia elétrica, campo-grandenses "perdem a paciência" com demora no restabelecimento dos serviços na Rua Nelson de Figueiredo Júnior, no bairro Antônio das Vendas.
O advogado Alexandre Morais Cantero, que possui um escritório na região afetada, alegou que existem até esta terça-feira (19) fios expostos na via e galhos derrubados pela ventania de sexta-feira (15).
"Nós temos árvores caídas no meio da rua, três fios partidos, tem relatos de moradores que viram carros passando por cima desses fios e soltando faísca. A gente não sabe se eles estão energizados ou não, ninguém vai se arriscar para conferir, mas pode ser perigoso", afirmou.
A via possui vários estabelecimentos, como oficinas, escritórios, mas também há um condomínio residencial que sofre com a interrupção do fornecimento de energia.
"Também tem uma empresa que faz entrega e despacho de encomendas que não está funcionando desde sexta. Eu mesmo tenho 17 funcionários que estão em casa, sorte que na pandemia nos virtualizamos os atendimentos", completou Cantero.
O advogado ainda ressaltou que entende a excessiva demanda recebida pela Energisa, grupo responsável pela distribuição no Estado, mas que o atraso já se mostra intolerável.
"A gente, como consumidor, temos um custo alto de energia, mas vemos que a prestação de serviço não é compatível com o que pagamos. Não é uma questão de impaciência nossa, é que vai chegando numa situação que fica insustentável", lamentou.
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A Energia informou que está com 10 vezes mais equipes em campo de forma ininterrupta para restabelecer o serviço em áreas onde ainda há falta de energia, e que recebeu reforços de estados como Mato Grosso, São Paulo, Paraíba, Sergipe, Acre, Rondônia, Minas Gerais e Tocantins.
Contudo, a empresa ressaltou que está dando prioridade para hospitais, unidades de saúde e situações que coloquem a segurança da comunidade em risco, como presídios.
"Além disso, é priorizado o atendimento ao cliente sobrevida, ou seja, pessoa que necessita de algum equipamento vital para sobrevivência", alertou, em nota.
Até a manhã de hoje, 92% dos moradores de Mato Grosso do Sul tiveram a energia restabelecida.
Entre os dias 14 e 15 de outubro, o Estado foi atingido com ventos de até 145 km/h, e Campo Grande, de 98 km/h. O número de descargas elétricas ultrapassaram 250 mil.
Foram registrados mais de 5,5 mil locais com interrupções relacionadas ao temporal, que provocou 20 vezes mais ocorrências em comparação com o padrão.
Ontem (18), o Correio do Estado noticiou a história da aposentada Evanir da Silva Martins, de 74 anos, que perdeu a maioria das canetas de insulina que tinha em casa pela falta de energia.
A moradora do Bairro Estrela Park, região do Grande Tiradentes, é portadora de diabetes e usa o medicamento para tratar a doença.
"Perdi quase toda minha insulina. Não posso perder mais, preciso de energia para armazenar meus remédios", apelou a aposentada, que até o contato dela com a equipe de reportagem, ainda não havia recebido assistência da Energisa.
Já a empresa informou que agiria para sanar e ajudar Evanir.