Cidades

SEGURANÇA

Sequestros-relâmpagos quase dobraram em Campo Grande em um ano

Nesta semana, duas mulheres foram feitas reféns no Bairro Coopharadio por bandidos que queriam praticar roubo

O sequestro-relâmpago ocorrido na noite de segunda-feira no Bairro Coopharadio, em Campo Grande, não se trata de um caso isolado. 

Em levantamento no sistema da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), nota-se um crescimento de quase 64% nos casos de sequestros e cárcere privado, comparando dados de 1º de janeiro a 19 de outubro de 2020 com dados do mesmo período deste ano.  

De acordo com o levantamento feito pelo Correio do Estado, os sequestros na Capital deram um salto de 25 casos, no ano passado, para 41 casos, este ano. 

Porém, segundo o delegado Giuliano Carvalho Biacio, da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos (Derf), esses crimes aumentaram porque a privação de liberdade é o modus operandi dos assaltantes quando são surpreendidos com a chegada dos moradores à residência ou quando invadem a casa para o roubo.  

Biacio ainda orienta que, para evitar que esse tipo de situação aconteça, é fundamental que as pessoas tenham atenção ao sair e ao entrar em casa, sempre verificando se há algum suspeito próximo à residência. 

Em caso afirmativo, o delegado diz que uma das medidas de segurança é não parar e dar uma volta na quadra, a fim de ganhar tempo para acionar a polícia.  

Já em casos em que o assaltante entra na residência para assaltar enquanto os moradores estão presentes, como aconteceu no Coopharadio, ou quando são surpreendidos com a sua chegada, a instrução é tentar manter a calma, obedecer às ordens dadas pelo criminoso e em hipótese alguma tentar reagir, pois este pode ser um fator determinante para algum resultado mais trágico.  

Ele também enfatiza que, dentro do possível, a vítima deve tentar colher o máximo de informações que conseguir, para que a polícia possa investigar posteriormente.  

“Levando em conta que o bandido também pode estar em um estado de ânimo alterado, o mais apropriado é tentar manter a tranquilidade, não reagir, seguir as ordens e colher o máximo de informações para a investigação criminal”, explicou.  

Últimas notícias

SEQUESTRO

Na noite desta segunda-feira, duas mulheres foram mantidas reféns em uma casa no Bairro Coopharadio, em Campo Grande. Segundo o comandante da Polícia Militar do Estado, Marcos Paulo Gimenez, o cárcere se deu por causa de uma tentativa de roubo frustrada.

Os dois bandidos estavam armados e liberaram as vítimas, sem ferimentos, após duas horas de negociação.  

Embora não tenham ficado com danos físicos, as duas tiveram sequelas psicológicas. A idosa dona da residência onde ocorreu o crime ainda se encontra muito abalada e não quis conversar com a reportagem. Ela está sendo acompanhada por familiares.  

11,5 MIL FURTOS  

Até esta terça-feira,11.552 furtos haviam ocorrido em Campo Grande neste ano. O número é um pouco superior ao registrado no mesmo período de 2020, quando foram 10.156 crimes desta natureza na Capital, segundo a Sejusp.

INSEGURANÇA

Nos bairros periféricos de Campo Grande, a insegurança toma conta dos comércios pequenos, ante o aumento da criminalidade, especialmente, de roubos e furtos – este último passou de 23.162 casos para 25.018 casos no Estado, quado comparados o período de 1º de janeiro a 19 de outubro de 2020 e o mesmo período deste ano. 

Na Capital, no mesmo período, esse tipo de crime passou de 10.156 casos para 11. 552 casos.  

Embora os roubos não tenham aumentado em Campo Grande, houve uma queda inexpressiva nos dois anos comparados no levantamento. Em 2020, o número de roubos foi de 2.637, e em 2021, houve 2.363 casos, um índice ainda muito alto.

Ramão Francisco, de 49 anos, tem um açougue no Bairro Lageado há dois meses e, já no primeiro mês de funcionamento, houve um assalto. Os ladrões levaram todo o dinheiro do caixa. Além do prejuízo, o dono do estabelecimento ainda teve de investir em câmeras de segurança, alarmes e grades.

“Aqui, quando são 19h, já preciso descer as grades e atender assim [com grades abaixadas]. Aqui funciona até as 22h, mas não tem como deixar aberto”, relatou.  

Ele não é o único comerciante que se sente inseguro com o aumento da criminalidade no bairro. Nair Silva, de 61 anos, sócia-proprietária de uma espetaria na mesma rua da casa de carnes, alega que, apesar de seu estabelecimento nunca ter sido assaltado, a falta de segurança na região é bem alta.  

“Aqui nunca aconteceu, mas a conveniência ali já foi roubada. A gente ouve muita gente falando de assalto nas casas e nos comércios por aqui”, enfatizou.  

No caso de comércios, as orientações da polícia são as mesmas, e o comerciante também deve se atentar para o uso de sistemas de segurança, como grades, alarmes e câmeras.

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