Cidades

NA PANDEMIA

Regional economizou R$ 5,5 milhões com programa de desospitalização

Valor leva em conta período de janeiro de 2020 a agosto de 2021, quando foram economizadas 2.232 diárias

Em 19 meses, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul conseguiu, com uma equipe pequena, uma economia que pode chegar a R$ 5,5 milhões em diárias se for levado em conta o custo da manutenção diária de um paciente no centro de tratamento intensivo (CTI) – R$ 2.500,00. 

Esses números são de janeiro de 2020 a agosto deste ano, quando 2.232 pacientes foram desospitalizados por meio do programa Opat (terapia antimicrobiana parenteral ambulatorial).

Segundo a coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) e da Opat, a médica Alexandra Regina Casarin, o programa foi criado porque as equipes viram a necessidade desse tipo de atendimento, focado em casos menos complexos e que permaneciam internados apenas para completar sua medicação.

Os pacientes que fazem parte deste programa são pessoas que estão recuperadas da intercorrência médica que tiveram, mas ainda precisam receber medicação na veia e permanecem em um leito de enfermaria.

Conforme Casarin, é levado em conta o custo de leitos de CTI porque, em muitos casos, pacientes ficam internados por mais tempo que o necessário no setor, por não haver vagas na enfermaria.

“Os pacientes que foram para a Opat estavam na enfermaria, mas para o paciente ter alta do CTI para a enfermaria é necessário ter o leito, se não tiver o paciente fica no CTI, sem necessidade. Por isso alguns estudos fazem o cálculo com leitos de CTI”, contou. 

Se for levar em consideração o custo da diária de leitos de enfermaria (R$ 500,00), a economia seria de R$ 1.116.000,00.

Para selecionar esses pacientes, o hospital faz uma busca ativa e também entram em contato com a família para ter certeza de que essa pessoa terá condições de ir diariamente no HR para completar seu tratamento.

“Esse paciente que tem condições clínicas, ambulatoriais, mediante avaliação médica e de toda a equipe. Aí tem a participação do serviço social, que ajuda muito", explicou o médico Eliseu Willians Krajewski Albuquerque, que trabalha na Opat.

"Eles fazem uma busca ativa, ligam para o familiar responsável, veem se tem condições sociais disso, de trazer o paciente, porque muitas vezes mora muito longe, não tem condições, então eles avaliam toda essa questão social do paciente, para ver se tem andamento, aí quando eles dão o ok acionam a gente”, completou.

O médico explicou que algumas vezes é feita a adequação da medicação, antes que o tratamento seja feito na Opat. 

“Nós fazemos uma avaliação nossa, médica, para ver se tem as condições clínicas, laboratoriais, ver o remédio que está usando, ver quantas vezes toma, se tem disponível, ver se mantém ou troca o remédio para facilitar a posologia do paciente", explica.

"Tudo isso em conversa com o médico e com o paciente, somos um serviço de apoio para continuidade do tratamento dele, que já foi estabelecido. O paciente dando tudo ok, aí, sim, recebe alta e começa a ser atendido por aqui, com horário agendado”completa.

“Durante a pandemia, cresceu muito esse serviço, e a gente viu realmente a importância. Agora que já estamos nessa fase final de pandemia, que já passou a parte mais grave, temos pacientes de múltiplas doenças”, completou o médico.

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BENEFICIADOS

O serviço funciona todos os dias da semana, das 6h à 0h e tem apenas três médicos, três enfermeiros e três técnicos de enfermagem. E atende atualmente cerca de 60 pacientes.

Uma dessas beneficiadas é Ana Paula Luiz dos Santos, 33 anos. A dona de casa poderia ter de ficar 14 dias internada no hospital, mas recebeu a proposta de tomar a medicação e voltar para casa.

“Eu fiz a retirada do útero e deu secreção pós-cirurgia, voltei, fiquei internada lá em cima, e depois que tomei uns seis dias medicamentos lá [enfermaria], eles me deram alta. Agora é melhor, porque aí eu fico em casa e cuido dos meus filhos”, relatou Ana Paula, que tem três filhos, um casal de gêmeos de 12 anos e uma menina de 7 anos.

“Imagina ficar internada todo esse tempo para receber antibiótico de uma hora só, complicado, longe da família, fora o risco de ficar internado, risco de infecção hospitalar, risco de queda, de procedimentos desnecessários”, relatou Albuquerque.

A dona de casa, que mora no Bairro Moreninha, é levada todos os dias pelo marido. “Foram muitos dias internada na enfermaria para receber os antibióticos. Aí ela [a médica] perguntou se eu concordava, e eu disse que, sim, para mim era melhor estar em casa", informou.

"Antes da cirurgia, fiquei sete dias na UPA, indo duas a três vezes por dia, com dor, até que eles conseguiram para mim a vaga. A gente sofre demais, dependendo do caso, se eu estou bem, só podendo vir para receber o medicamento e dar espaço para outra pessoa, bem melhor que ficar segurando vaga”, completa Ana Paula.

OUTRO PROGRAMA

A Opat é o segundo serviço de desospitalização atuante no Hospital Regional, a outra faz parte de uma estratégia nacional para o atendimento em domicílio de pessoas em estado mais grave, mas que tem condições de receber o acompanhamento em casa.

O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) – Melhore em Casa do Ministério da Saúde tem cinco equipes em Campo Grande e, conforme matéria publicada pelo Correio do Estado no dia 23 deste mês, os atendimentos aumentaram muito por causa da Covid-19, principalmente com o tratamento de pacientes com sequelas da doença.

No Regional, atuam duas equipes das cinco do SAD, que atendem pacientes das regiões do Anhanduizinho e Lagoa, com capacidade para até 650 acompanhamentos por mês, mas hoje apenas 70 são feitos, e destes cerca de 40% são de pacientes do pós-Covid-19 de média e alta complexidade. 

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