O bloqueio indeterminado na fronteira entre Brasil e Bolívia já deixou caminhoneiros de diferentes estados longe de casa há pelo menos 5 dias. Só de uma empresa que tem motoristas do RS, SC e PR, a Rufino, são cerca de 40 veículos parados, alguns deles desde a sexta-feira da semana passada.
O paro em Puerto Quijarro começou na madrugada do dia 8 e entrou em seu terceiro dia nesta quarta-feira.
A maior fila de caminhões está na Bolívia. São veículos desde a faixa de fronteira, que seguem pela entrada de Puerto Quijarro e continua na Rodovia Bioceânica. A fila deve estar com cerca de 5 km. Os veículos estão parados em ruas paralelas à avenida que dá acesso à fronteira.
Do lado brasileiro, alguns caminhões também estão parados desde a segunda. São pelo menos 10 até a manhã desta quarta. A maioria está carregado com gás liquefeito.
O fluxo de transporte de cargas aumentou na rodovia bioceânica, que fica em território boliviano, desde o mês passado. O sistema fluvial está paralisado na Bolívia desde a segunda quinzena de setembro, com isso o transporte de cargas ficou todo direcionado para o modal rodoviário.
Da média de 800 caminhões diários que cruzam o Posto Esdras, da Receita Federal, esse total pelo menos duplicou a partir de outubro. Com isso, a espera para atravessar a fronteira chegou a ficar de 24h ou mais. A Receita Federal funciona das 8h às 17h, de segunda a sexta.
Com esses delimitadores, veículos que não conseguiram chegar no Brasil antes de segunda-feira (8) estão parados por tempo indeterminado do lado da Bolívia.
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Alguns motoristas ilhados com o paro são de Corumbá e ao longo do dia passam próximo dos caminhões para caso haja a liberação do bloqueio. No começo da noite, retornam para casa e nesse fluxo estão seguindo desde o dia 8. Outros casos são mais complexos porque os profissionais moram em SC, PR e RS.
Mato Grosso do Sul mantém uma transação comercial com a Bolívia que gira em torno de R$ 100 milhões somente em exportação, conforme o Ministério da Economia. Esse fluxo de negócio está impactado porque as cargas estão paradas.
Além do bloqueio em Puerto Quijarro, outras manifestações estão ocorrendo em diferentes partes da Bolívia, afetando todo o sistema de escoamento de cargas.
Conforme apurado, o abastecimento para a Bolívia de alguns produtos, como o óleo diesel, tem prazo para ser interrompido.
Há reservas que duram de três a cinco dias em diferentes cidades. Esse combustível geralmente chega na região a partir do porto em Ladário, que está inoperante por conta do nível do rio Paraguai.
Essa carga pode passar a ser trazida para a região de fronteira a partir de Paranaguá (PR), porém só poderá entrar na Bolívia caso o bloqueio, chamado de paro, seja interrompido.
A manifestação que ocorre na Bolívia é organizada por Comitês Cívicos, que envolvem categorias como transportistas, empresários, comerciantes, entre outros. Eles são contrários à promulgação da Lei 1386, denominada pelo governo de Luís Arce (MAS) como Estratégia Nacional Contra a Legitimação de Ganhos Ilícitos.
Os comitês cívicos sustentam que essa legislação permite que a Unidade de Investigações Financeiras possa abrir procedimentos contra qualquer cidadão a partir de movimentações bancárias e financeiras consideradas suspeitas e realizar bloqueio de bens e recursos antes de julgamento definitivo.