Mundo Novo faz parte de um grupo que engloba a maioria dos municípios de Mato Grosso do Sul, que é o de cidades com menos de 20 mil habitantes. Dos 79 municípios, a maioria (42) entra nessa categoria.
Algo que promete diferenciar a localidade é um investimento de quase R$ 8 milhões que está em curso.
Esse recurso milionário foi obtido a partir de convênio firmado entre o campus da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a Itaipu Binacional, que permitirá a construção do Parque Analítico da instituição estadual de Ensino Superior.
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Esse convênio firmado com a Fundação UEMS ocorreu em 2020 e permitirá a construção de sete laboratórios e de uma estrutura ainda inédita no Estado, que é o setor de análise de emissão e sequestro de carbono.
Neste ano, um total de R$ 12 milhões está sendo investido em MS para pesquisa sobre carbono neutro e como materializar essa “moeda do futuro” para a economia sul-mato-grossense e a possível transformação da estrutura das cidades.
OUTROS PROJETOS
Além da construção do laboratório em Mundo Novo, a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado (Fundect) está financiando 32 projetos com R$ 4 milhões em recursos.
Na lista de propostas aprovadas em 22 de outubro estão pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), da UEMS, da Embrapa Gado de Corte, do Senai, da In Plantar, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), da Embrapa Agropecuária Oeste, da Uniderp e da UCDB.
Com a construção específica desse laboratório de excelência prevista para ser ativado a partir de 2023, pesquisadores locais poderão auxiliar nas políticas públicas de construção de métricas e ainda na obtenção dos indicadores que servirão para comprovar o balanço de carbono no sistema solo-planta-atmosfera de Mato Grosso do Sul.
Permitir essa identificação é o que vai ajudar produtores rurais do Estado a entrarem no mercado de carbono e obterem a compensação.
Sem ainda existir métricas precisas, é impossível esse mercado ser acessado. Os preços de comercialização do mercado de carbono variam entre US$ 1 e US$ 137 por tonelada de gás carbônico (CO2) equivalente.
No Brasil, ainda é necessária a regulamentação desse negócio, que hoje está sendo discutido a partir do Projeto de Lei nº 528, de 2021, que está na Câmara dos Deputados. Esse PL vai instituir o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE).
A estrutura laboratorial ainda está alinhada a uma proposta do governo local de transformar Mato Grosso do Sul em “Estado Verde”.
O projeto visa obter reconhecimento de carbono neutro até 2030, o que vai exigir uma série de medidas e ações para garantir não só a execução, mas a mensuração desses processos químicos para garantir sua validade.
Esse engajamento, que em âmbito estadual tem registro de atividades desde 2011, permitiu que MS esteja na Conferência Mundial de Meio Ambiente (COP26), que acontece em Glasgow (Escócia), entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro.
COP26
A convite do governo federal, cinco projeto sem desenvolvimento no Estado foram levados para serem apresentados a líderes mundiais, com possibilidade de obter futuros financiamentos.
Entre as propostas locais presentes na COP26 que têm relação com o laboratório a ser construído em Mundo Novo estão o Pró-solo e o Crédito Carbono.
Além desses, há outras três iniciativas que são desenvolvidas no Pantanal, como o Ilumina Pantanal (uso de energia fotovoltaica para atender comunidades ribeirinhas), Carne Sustentável Pantanal e Programa de combate a incêndios no Pantanal.
“Importante destacar que a UEMS assinou convênio com a Itaipu Binacional em 2020 no valor aproximado de R$ 8 milhões, onde está prevista a construção de um parque analítico da UEMS no município de Mundo Novo, que inclui sete laboratórios, entre eles o Laboratório de Matéria Orgânica do Solo, onde serão realizadas as análises de emissão e sequestro de carbono", explica o professor doutor em Ciência do Solo Leandro Marciano Marra, envolvido no desenvolvimento do parque junto do também professor e doutor Jean Sérgio Rosset.
"A obra foi licitada no dia 04/10/21 e a sela deve se iniciar até dezembro deste ano, com prazo para ser entregue até dezembro de 2022. Pretende-se, a partir de 2023, ter um laboratório de excelência para auxiliar as políticas públicas na construção de métricas e na obtenção dos indicadores que servirão para comprovar o balanço de carbono no sistema solo-planta-atmosfera”, acrescentou.
REFERÊNCIA
Com a conclusão da obra, o campus da UEMS de Mundo Novo deve se tornar uma referência sobre o estudo do carbono (CO2) não só para Mato Grosso do Sul. O objetivo, inclusive por contrato, é de que seja feita a análise em uma área muito mais ampla, abrangendo parte do Pantanal, a região norte do Paraná e também o Paraguai.
A hidrelétrica de Itaipu está instalada nessa faixa de fronteira e, com o financiamento, está previsto que a pesquisa seja realizada de forma internacional.
“Com a construção e instrumentalização do Parque Analítico da UEMS, vamos ter um alcance de pesquisa muito grande. Será possível atender a análise de solos, de água, de fertilizantes, de adubos orgânicos, de corretivos agrícolas e de sequestro de carbono (matéria orgânica do solo) com a possibilidade de ofertar um menor custo para os agricultores da região. Vamos também realizar coleta, catalogação, armazenamento e exposição de espécies de flora regionais para fins de estudos científicos”, dimensiona o cientista da UEMS, Leandro Marciano Marra.
O atual investimento que está sendo feito para a construção dessa estrutura de pesquisa inexistente no Estado é de R$ 7.873.614,34. Desse valor, R$ 5.097.046,22 são da Itaipu, enquanto R$ 2.775.668,12 são da UEMS, tanto em recursos financeiros como em recursos econômicos.
O projeto engloba uma área de 114.469,31 km² entre Brasil (61.144,31) e Paraguai (53.325). Trecho que corresponde a 81 municípios brasileiros (entre MS e Paraná) e 46 paraguaios.
Para garantir a viabilidade desse projeto, a UEMS identificou que o valor representa R$ 53,59 por propriedade rural a ser atendida, o que corresponde a R$ 0,79 por hectare agricultável e R$ 29,73 por residente rural da região de abrangência do projeto. Em todo o Estado, perto de 5 mil propriedades, conforme a Famasul, trabalham para obter certificação relacionada ao carbono neutro.
146 MIL PROPRIEDADES
O projeto envolvendo a Itaipu Binacional engloba 146.914 propriedades, destas, 67.337 estão no Brasil (em Mato Grosso do Sul e no Paraná) e 79.577 no Paraguai. Essas localidades estão em uma área de 114.469,31 km² divididos entre os dois países. Nas fazendas residem 264.837 pessoas, a maioria no Brasil (196.053), e 68.785 no Paraguai.