Cidades

ESTATÍSTICA

Acidentes com mortes quase dobram na Capital em 11 meses

Até o dia 10 foram contabilizados 67 óbitos no trânsito, contra 39 em todo o ano passado

Izabela Cavalcanti

15/11/2021 - 09h00

Com o avanço da vacinação contra Covid-19 e as flexibilizações, acidentes com mortes em Campo Grande voltaram a disparar, e os motociclistas são as principais vítimas.

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Em 2020 foram 39 óbitos, enquanto no período de 1º de janeiro a 10 de novembro deste ano houve 67 vítimas fatais no trânsito, aumento de 71%, de acordo com dados da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran). 

O aumento faz a Capital retomar o patamar de antes da pandemia.

O aumento no número de óbitos pode ser atribuído às medidas de flexibilização, que permitem maior quantidade de pessoas trafegando pelo trânsito da cidade. 

Agosto foi o mês mais fatal no trânsito este ano, quando foram registrados 13 óbitos, em seguida, o segundo mês mais letal foi em janeiro, com 10 mortes na Capital.  

Os meses com menor número de mortes foram março e outubro, quando foram registradas apenas duas vítimas fatais no trânsito. 

Um dos últimos registros em Campo Grande ocorreu no dia 5 de novembro, quando o motorista de um carro morreu após bater de frente com um caminhão, no Jardim Itamaracá. 

A vítima chegou a ser levada em estado grave para a Santa Casa, mas não resistiu.  

Este ano, os dados mostram uma tendência de aumento nos óbitos na comparação com anos anteriores, embora ainda falte um mês para o fim do ano. 

Em 2018, foram registrados 87 óbitos no trânsito, em 2019, 72 óbitos, e em 2020, 39 óbitos.

Ainda conforme os dados da Agetran, dos 67 mortos, 45 eram motociclistas, nove eram condutores de carro, cinco eram ciclistas, cinco eram pedestres e três eram passageiros de veículos.

De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), a Capital tem uma população de 916.869 habitantes e uma frota de 612.204 veículos, o que representa, em média, um veículo para cada dois habitantes.

MOTOCICLISTAS  

Motocicletas lideram os acidentes fatais em Campo Grande, e a maioria das vítimas são homens. Os números na Capital preocupam, entre as 67 mortes registradas nos últimos 11 meses, 45 envolviam motociclistas.  

A chefe da Educação para o Trânsito da Agetran, Ivanise Rotta, avalia que os óbitos de motociclistas ocorrem em razão da vulnerabilidade deles.  

“Eles [motociclistas] estão expostos, seguindo ou não as regras de trânsito. Se eles se envolverem em um acidente, os motociclistas sempre levam a pior: eles não têm nenhum tipo de barreira. Eles têm a fragilidade do pedestre, mas com a velocidade associada, por isso esse número elevado”, avaliou.

Com a pandemia, o número de entregadores disparou. A crise sanitária forçou empresas a se adaptarem aos novos meios de venda, e, mesmo com aumento, Ivanise aponta que na Capital os óbitos não são só de motoentregadores.  

Entre as 45 mortes de motociclistas registradas na cidade, apenas três eram de pessoas que trabalham realizando entregas. 

Segundo Ivanise, os acidentes costumam acontecer no trajeto de ida ou de volta do trabalho nos horários de pico.

“Já avaliamos que, entre os óbitos de motociclistas, a grande maioria são pessoas que estão indo ou voltando do trabalho, sendo homens de 18 a 25 anos em motos menores. Em Campo Grande, os acidentados não são motoentregadores: neste ano, eles representam três óbitos, dois deles já tinham terminado as entregas e estavam retornando para casa”, disse.  

Utilizar capacete adequado, vestuário resistente e prestar muita atenção na sinalização estão entre as recomendações da Agetran.

ALERTA  

Com menos de dois meses para terminar o ano, o trânsito de Campo Grande foi mais letal em 2021, e a falta de atenção dos motoristas e dirigir em alta velocidade ou alcoolizado lideram a lista dos problemas.  

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais da metade das mortes no trânsito ocorre entre pedestres, ciclistas e motociclistas, que são usuários vulneráveis das vias.

Ivanise Rotta afirma que esse problema acontece em razão do desrespeito às normas de trânsito.  

“Estamos em busca da visão zero, nenhuma morte no trânsito é admissível, os acidentes de trânsito são 100% evitáveis, porque eles vêm acompanhados de uma infração, o sinistro não ocorre sem que haja uma infração envolvida. Estamos trabalhando para mudar essa realidade”, destacou.  

A educadora diz ainda que é preciso que todos se concentrem no trânsito e saiam mais cedo de casa, sendo o excesso de velocidade um problema.  

“O maior problema do trânsito aqui é a velocidade, pessoas morrem no trânsito por estarem acima da velocidade permitida – se o limite de velocidade da via é 50 km/h, o motorista tem que andar nesse limite, se a via aponta essa velocidade, é para a segurança de todos”, explicou.

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