Cidades

Limpeza

Trabalho de reeducandos nos cemitérios é suspenso, mas ausência não é sentida

Segundo a Secretaria de Infraestrutura da Capital, detentos foram substituídos por participantes do Programa de Inclusão Profissional

Nélida Navarro

06/12/2021 - 08h30

A suspensão temporária dos serviços diários dos detentos nos três cemitérios públicos de Campo Grande, aparentemente, não têm feito falta. 

Os locais seguem para dois meses sem os trabalhos dos presidiários, após terem sido retirados, em outubro, por falta de coordenador.

No entanto, foi susbstituído pelo Programa de Inclusão Profissional (Proinc), projeto da Prefeitura de Campo Grande. O projeto que ressocializa os presos é de autoria do juiz Albino Coimbra Neto.

Conforme informações repassadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o fiscal dos cemitérios saiu do cargo e agora é preciso que a prefeitura nomeie um novo profissional para dar continuidade aos trabalhos.

O fiscal que existia saiu e os presos não podem ficar no local sem supervisão e é dever da prefeitura fazer a nomeação, o que ainda não ocorreu.

 Por este motivo o juiz Albino Coimbra Neto suspendeu o trabalho dos reeducandos da Gameleira temporariamente até que a gestão municipal indique um novo nome, conforme explicou o TJMS, por meio da assessoria.

A Prefeitura de Campo Grande ainda não tem prazo estabelecido para nomear um novo coordenador para cuidar desse serviço.

“A manutenção está ocorrendo normalmente. Quanto ao convênio, será nomeado um servidor para tal fim. Não tem data”, respondeu a assessoria do município.

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), os serviços continuam normais, a cada 60 dias.

Ao serem questionados se o prazo de envio da equipe seria diminuído por conta da falta do trabalho dos presos, a Pasta respondeu que não teria nenhuma alteração e que o Proinc está no lugar.

REEDUCANDOS  

Segundo o coordenador geral dos cemitérios, Marcello Fonseca, a paralisação dos serviços aconteceu em outubro. Fonseca foi avisado pelo Conselho da Comunidade de Campo Grande (CCCG-MS), que viabiliza a ressocialização e a inclusão dos presos.

Ainda de acordo com o coordenador geral, cerca de 30 reeducandos trabalhavam de segunda a sexta, em horário comercial, revezando entre os cemitérios Cruzeiro e Santo Amaro.

O cemitério Santo Antônio não recebia o trabalho dos presos, devido a pouca demanda. Mas conta com um trabalhador do Proinc, além de outros funcionários contratados pela prefeitura.

“Os presidiários não trabalham aqui. Um funcionário do Proinc que cuida da limpeza da administração, como banheiro, copa. 

Na limpeza geral, a Sisep manda equipe para cortar grama, tirar entulho e outras coisas”, disse o administrador do cemitério Santo Antônio, Michael Wender.

CEMITÉRIOS

A equipe do Correio do Estado, percorreu nos três cemitérios na sexta-feira (3) para verificar como estava a manutenção dos locais, sem o trabalho dos reeducandos.

No cemitério Santo Amaro,  apesar de alguns pontos terem acúmulo de lixo, o mato alto estava sendo aparado. 

No Cruzeiro também foi visto algumas partes com lixo e entulho acumulado. Ao lado da ‘casa’ do lixo, na parte de fora, haviam alguns sacos, ferros e madeiras amontoados, muitas folhas estavam entre um túmulo e outro, além de restos de construção.

De acordo com uma trabalhadora do cemitério, que preferiu não se identificar, nesta semana, uma equipe da Sisep estará no local para realizar a limpeza.

Em setembro, o Correio do Estado começou a noticiar que todos os cemitérios públicos da Capital enfrentavam uma onda de furtos, além de ter se tornado palco de tráfico de drogas. 

Bronze, alumínio, placas de metal, vasos e até estátuas que pesam em torno de 300 quilos foram os principais objetos levados pelos bandidos.

No dia 22 de setembro, a reportagem adiantou que no Santo Antônio, os bandidos haviam “preparado” uma estátua de Jesus Cristo para ser levada e dias depois ela já não estava no local.  

No cemitério Santo Amaro, além dos furtos, o local também tinha casos de pessoas usando drogas e comercialização de entorpecentes.

As depredações também não ficam de fora. O Correio  do Estado também chegou a noticiar, no dia 1° de novembro, o caso da dona de casa Maria do Socorro do Nascimento que foi visitar o túmulo do marido, no Cruzeiro, e se deparou com a cova aberta, com lixo dentro.

Já no último dia 29, a Guarda Civil Metropolitana encontrou dois rapazes queimando fios de cobre dentro de uma capela do cemitério Santo Amaro. 

Ao serem questionados, assumiram estar queimando os fios para depois vendê-los, no entanto, não informaram a procedência do material. 

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