Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), encomendada pelo Correio do Estado, mostra que 69,7% da população é contra que a Prefeitura de Campo Grande faça o pagamento solicitado pelo Consórcio Guaicurus na Justiça no valor de R$ 30,73 milhões.
Em outubro deste ano o Consórcio Guaicurus entrou com um mandado de segurança na 2ª Vara de Fazenda Pública de Campo Grande, pedindo que a juíza Joseliza Alessandra Vanzela Turine determinasse que o município pagasse o valor como forma de compensação pelas perdas que as empresas disseram ter tido durante a pandemia da Covid-19.
Entretanto, a pesquisa mostra que a população, que é usuária do serviço, não é favorável a que a administração pública injete recursos do município para a concessionária que atua no transporte coletivo e urbano de Campo Grande.
Dos entrevistados, apenas 20,91% se mostrou favorável a destinação dos recursos, enquanto 9,39% não soube ou não quis informar.
As entrevistas foram feitas entre os dias 3 e 4 de dezembro deste ano, com 330 pessoas de 18 anos ou mais.
O estudo foi realizado em coleta de dados presencial e os participantes foram abordados em todos os terminais de ônibus de Campo Grande.
A margem de erro considerada para a pesquisa é de 5,4 pontos percentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%.
PEDIDO
O primeiro pedido do Consórcio Guaicurus para ser compensado pelas perdas durante a pandemia e pela alta no preço do óleo diesel foi feito em agosto do ano passado, porém, de acordo com as empresas, nenhuma resposta foi dada.
O grupo que reúne quatro empresas de ônibus da cidade quer ajuda de verba pública para bancar suas operações entre os meses de março de 2020 e julho de 2021.
O Consórcio Guaicurus alega que, em dezembro de 2020, quando a tarifa foi fixada em R$ 4,20, o litro do óleo diesel custava R$ 3,58. Atualmente, o preço médio do diesel é de R$ 4,83.
Se por um lado, o grupo alega perdas, em outro processo, movido pelo Ministério Público na 1ª de Direitos Difusos, Homogêneos e Individuais Coletivos, o Consórcio Guaicurus é cobrado justamente por não cumprir as medidas de biossegurança estabelecidas pelas autoridades de saúde.
Os pedidos referem-se a 17 meses e cada período tem um valor contabilizado pelo Consórcio como sendo de “perdas”.
Para março de 2020, por exemplo, quando começaram as medidas restritivas por causa da pandemia da Covid-19, o valor cobrado é de R$ 3,17 milhões por 10 dias de “prejuízo”.
O mês em que requer a maior compensação financeira é abril de 2020, no qual o grupo pede R$ 3,91 milhões.
PREFEITURA
Em conversa com o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), ele afirmou que não tem intenção de pagar o solicitado pelo Consórcio Guaicurus.
Em entrevista no dia 12 de novembro deste ano o gestor disse ao Correio do Estado que não colocaria recursos da prefeitura para ajudar empresas.
“Jamais vou tirar dinheiro e recursos da prefeitura para ajudar empresa ou concessionária que teve perdas durante a pandemia”, afirmou à época.
O prefeito ainda afirmou que a prioridade da administração são os gastos com a saúde pública, construção de habitações populares e pavimentação de vias.
“Todas as empresas passaram por dificuldade na pandemia. A minha empresa chama Campo Grande, teve perdas substanciosas.
O dinheiro que eu tenho na minha empresa é para dar apoio nas unidades de saúde, para fazer novos asfaltos, cuidar da pavimentação de asfaltos já deteriorados, para edificar casas.
E eu não acredito que o Judiciário vai determinar que eu faça isso, porque eu nunca vi uma decisão no país semelhante a essa”, relatou naquele dia.