Em entrevista ao Correio do Estado, o prefeito Marcos Trad falou sobre diversos assuntos, desde problemas de Campo Grande, como o transporte coletivo, até sobre sua possível candidatura, em 2022, para o governo de Mato Grosso do Sul.
De acordo com Trad, a solução para os problemas apontados no transporte coletivo e urbano da Capital passa por uma discussão e deve envolver toda a sociedade.
“O sistema de transporte coletivo municipal precisa passar por discussões com toda a sociedade, com a finalidade de buscar alternativas para melhorar a relação custo da tarifa X qualidade do serviço”, declarou.
“Hoje, já há tratativas entre o Tribunal de Contas do Estado, a Agência Municipal de Regulação [Agereg] e o Conselho de Regulação [que existe desde que o contrato foi firmado]. Eles estão discutindo uma alternativa para garantir esse equilíbrio”, completou o prefeito.
Sobre política, Marquinhos disse que, para as próximas eleições, o seu partido, o PSD, tem buscado formar um “grupo qualificado, com pessoas capacitadas para bem representar a população”.
Trad ainda explanou sobre os programas de obras da cidade e afirmou que este ano foram mais de 100 quilômetros de asfalto novo, entre recapeamento e pavimentação.
“No primeiro trimestre do ano que vem, começam as obras nas etapas C e D [na região do Nova Lima], fechando a pavimentação deste que é um dos mais populosos bairros da Capital."
"Serão feitos 28 km de pavimentação e 2,5 km de recapeamento, abrangendo o quadrilátero formado pelas ruas Zulmira Borba, Francisco Pereira Coutinho, Cônsul Assaf Trad e Lino Villacha”, contou.
CORREIO DO ESTADO – Prefeito, o PSD de Mato Grosso do Sul pretende sair da próxima eleição maior do que entrou [em termos de bancada na Assembleia e no Congresso Nacional]?
Marcos Trad – O que podemos garantir é que o partido fará o possível para ter um grupo qualificado, com pessoas capacitadas para bem representar a população.
Se o partido sairá menor ou maior, a população é quem vai dizer. Posso te assegurar que ofereceremos as melhores opções, com candidatos ficha limpa e dispostos a honrar cada voto recebido.
Como estão os nomes de candidatos a deputado estadual e federal [e até mesmo ao Senado] para dar suporte a uma eventual candidatura sua ao governo? Quem seriam as pessoas que ajudariam a compor uma bancada forte?
Nós teremos um grupo qualificado. Hoje, temos um senador, um deputado federal e um deputado estadual.
Temos muitas pessoas capacitadas que estão nos procurando e que certamente ajudarão o partido a bem representar a população sul-mato-grossense.
Uma candidatura sua ao governo teria um perfil de amplas alianças, de partidos de esquerda, centro e direita, como é na prefeitura? Exemplifique.
Política é uma comunhão de propósitos e ideias. Eu não olho essa questão de partido, se é de esquerda, centro, direita. Priorizo pessoas técnicas, qualificadas, capazes de atuar no serviço público.
Nós temos na prefeitura o Rodrigo Terra, que era do PT, Berenice, do MDB. Pessoas qualificadas, independentemente do partido a que pertenciam.
Quem estiver interessado em apoiar e ajudar nossa eventual candidatura, sem condições ou acordos preestabelecidos, será muito bem-vindo.
Sobre a polêmica concessão do transporte coletivo, o senhor acredita que é necessário renegociar o contrato para que o Consórcio Guaicurus [ou até mesmo outro concessionário] comece a prestar um serviço que realmente agrade a população?
O sistema de transporte coletivo municipal precisa passar por discussões com toda a sociedade, com a finalidade de buscar alternativas para melhorar a relação custo da tarifa X qualidade do serviço.
Hoje, já há tratativas entre o Tribunal de Contas do Estado, a Agência Municipal de Regulação [Agereg] e o Conselho de Regulação [que existe desde quando o contrato foi firmado].
Eles estão discutindo uma alternativa para garantir esse equilíbrio. Existe um contrato, com cláusulas que precisam ser cumpridas pela concessionária e pela prefeitura, e nós vamos cobrar o cumprimento deste contrato para que a população não seja prejudicada e receba um transporte de qualidade.
Em uma eventual renúncia sua à prefeitura, o senhor pretende deixar encaminhada uma solução para o transporte coletivo?
Já estamos tomando providências para que isso aconteça. Nós instalamos novos pontos de ônibus, cobertos, estamos reformando os terminais de ônibus, construindo corredores de transporte coletivo para reduzir o tempo de viagem, tudo para assegurar um transporte de qualidade.
Como disse, já estamos acompanhando e buscando solução. A Adriane [vice-prefeita], inclusive, acompanha todo esse processo.
Qual a avaliação que o senhor faz do programa Reviva Campo Grande? Ele atingiu as transformações necessárias?
As mudanças são visíveis e estratégicas, garantindo melhor qualidade de vida à população. Avançamos muito nesses quatro anos, melhorando a mobilidade e a infraestrutura da cidade, tanto nos bairros como no centro.
Com a pandemia, os espaços revitalizados, com mais conforto e ruas alargadas, acabaram fortalecendo o comércio local e impulsionando a economia.
Estamos trabalhando para a melhor qualidade de vida da população, focando em quatro eixos principais. São eles: Campo Grande Mais Segura, Campo Grande Desenvolvida e Sustentável, Campo Grande Mais Humana e Cidadã e Campo Grande Inteligente.
No Reviva Campo Grande, são mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos e previsão de geração de mais de 24 mil empregos. O programa apresenta medidas de desburocratização de empreendimentos privados, incentivos fiscais e acesso ao microcrédito, reinclusão produtiva e programas sociais de apoio às famílias impactadas pela pandemia da Covid-19.
São obras por toda a cidade. Terminamos 2021 com a execução de mais 100 quilômetros de asfalto novo, entre recapeamento e pavimentação. Foram 32 km de pavimentação na região do Nova Lima [Etapa B e Oscar Salazar].
No primeiro trimestre do ano que vem, começam as obras nas etapas C e D, fechando a pavimentação deste que é um dos mais populosos bairros da Capital. Serão feitos 28 km de pavimentação e 2,5 km de recapeamento, abrangendo o quadrilátero formado pelas ruas Zulmira Borba, Francisco Pereira Coutinho, Cônsul Assaf Trad e Lino Villacha.
No Santa Luzia, onde neste ano foram entregues 12,5 km de pavimentação, já foi assinado contrato para a execução de mais 4 km, abrangendo trecho de 10 ruas. Também serão pavimentados o Park Dallas, o Oliveira, o North Park, uma nova etapa do Ramez Tebet, Nashiville, parte do Jardim Centenário e do Tarumã.
Inauguramos 9 unidades de saúde e 3 Clínicas da Família. Para este ano, dentro do Reviva Mais Campo Grande, vamos entregar novas unidades de saúde no Jardim Santa Emília, Jardim Presidente e Perdizes.
Entregamos oito escolas e já temos recurso para conclusão e entrega de mais oito. As primeiras entregues serão da Vila Popular e Vila Nasser, já no primeiro semestre. É um programa completo, que está cumprindo o objetivo principal de reviver Campo Grande.
Campo Grande está entre as capitais que não adotaram o passaporte da vacina. Por que essa postura? Poderá haver mudanças sobre isso?
Recentemente, o município atingiu a marca de 70% de toda a sua população completamente imunizada contra a Covid-19, ou seja, que tomaram as duas doses ou a vacina de dose única.
Isso representa mais de 630 mil campo-grandenses. Alguns municípios adotaram o passaporte como uma forma de incentivar e até mesmo pressionar a população a se imunizar, levando em consideração a baixa cobertura vacinal, o que não é o caso do nosso município.
Outro ponto a ser considerado é que a vacina no Brasil não é obrigatória, desta forma, não caberia a nós impor qualquer medida em que essa máxima pudesse ser contrariada, exigindo, portanto, que as pessoas só tivessem acesso a um determinado local se apresentasse um comprovante de vacinação.
O que cabe a nós é incentivar e proporcionar meios para que a população que deseja se vacinar consiga ter o acesso.
Qual o balanço que o senhor faz sobre o trabalho da Prefeitura de Campo Grande na pandemia de Covid-19? O que está sendo feito para que a doença não volte a assustar no futuro?
A Prefeitura de Campo Grande tem sido exemplo nacional no combate à Covid-19. Somos pioneiros em ações que serviram de modelo para o País.
Uma das primeiras medidas adotadas, inclusive antevendo um possível surto no País, foi a instituição do Plano Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus, e a criação do Centro de Operações de Emergências de Campo Grande [COE-CG], com objetivo de deliberar ações estratégicas a fim de minimizar a disseminação do vírus.
Triplicamos o número de leitos. Disponibilizamos 453, sendo 112 de UTI e 341 de enfermaria, para atender pacientes com Covid-19 e outras síndromes respiratórias.
Para facilitar o acesso e evitar a contaminação cruzada de pessoas que poderiam buscar presencialmente as unidades de saúde, a Prefeitura de Campo Grande lançou um serviço de Teleconsulta, no qual pacientes com suspeita de Covid-19 ou outras síndromes respiratórias poderão tirar dúvidas e, caso necessário, ter o atendimento médico por meio do número [67] 2020-2170.
Criamos um polo de atendimento no parque Ayrton Senna exclusivo para atendimento de casos suspeitos de Covid-19, o que também facilitou o acesso e reduziu a circulação de pessoas nas unidades de saúde, diminuindo assim a probabilidade de constância.
Determinamos a distribuição de kits merenda como medida assistencial para prover a alimentação aos alunos da rede pública municipal durante o período de pandemia, atendendo cerca de 20 mil estudantes e suas famílias.
Fizemos barreiras sanitárias e desinfecções, distribuímos equipamentos de proteção individual, tudo o que estava ao nosso alcance para que a população sofresse o mínimo possível com o vírus que surpreendeu o mundo.
O município tem tomado diversas medidas para conter o avanço da doença. Desde o início do mês, estão em operação barreiras sanitárias no aeroporto e na rodoviária, com o objetivo de identificar pessoas vindas de outros estados que eventualmente estejam com sintomas.
No caso de uma eventual renúncia sua para candidatar-se ao governo, a vice-prefeita Adriane reformaria o secretariado? Ou tudo continuaria de forma muito parecida?
A Adriane é graduada em Gestão Pública. Nestes cinco anos, me acompanhou lado a lado, conhece a gestão, sabe como a máquina funciona.
É competente, trabalhadora, ficha limpa e mulher. Uma mulher que tem a capacidade necessária para tocar o projeto e cuidar das pessoas.