Cidades

Vacina

Atestado para vacinar crianças pode sobrecarregar saúde, diz secretário

Vacinação foi aprovada pela Anvisa, mas Ministério da Saúde quer exigir prescrição médica; MS não vai aderir orientação

Karine Alencar

27/12/2021 - 16h20

Secretário Municipal de Saúde (Sesau), José Mauro, disse que exigir prescrição médica para vacinar crianças de 5 a 11 anos irá sobrecarregar o sistema de saúde, isso porquê o atestado deve aumentar o fluxo de consultas na rede pública.

"Nós precisamos vacinar essas crianças antes do retorno as aulas, essa tem sido a nossa discussão, não concordamos com posicionamento, conduta de possivelmente, se for uma norma a ser exigida, um atestado médico para que a criança tome a vacina, que já é reconhecida internacionalmente, já tem liberação da Anvisa e não há precedentes de situação igual no passado, uma pessoa ter que passar pelo médico para tomar a vacina", explicou.

"Isso não tem uma lógica, além do que iria levar a uma sobrecarga de 95 mil consultas médicas para se ter um atestado para tomar a vacina, o que poderia inviabilizar essa aplicação de vacina por quase um ano aqui em Campo Grande", continuou em seguida.

 

Enfático em suas declarações, o líder da pasta deixou claro que não concorda com a orientação do ministro da Saúde Marcelo Queiroga. "Acredito que o próximo passo seria uma decisão do STF que já pediu uma explicação, no prazo de 5 dias para o próprio ministério da saúde explicar o porquê desse motivo".

De antemão, o Secretário de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende também se posicionou contra e anunciou que Mato Grosso do Sul não vai aderir ao atestado. 

A decisão foi aprovada nesta segunda-feira (27) pela Comissão de Interventores Bipartite (CIB), e será publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).

Conforme a resolução, o imunológico "será operacionalizado para todas as crianças de 5 a 11 anos que se apresentarem, indistintamente, desde que acompanhadas pelos pais ou responsáveis, em todos os pontos de vacinação".

A aplicação do imunizante da Pfizer em crianças foi aprovada no dia 16 de dezembro pela Anvisa. No entanto, o Ministério da Saúde recomenda que a aplicação seja feita somente mediante a prescrição médica, decisão é vista por especialistas, como mais uma tentativa do governo federal de dificultar a vacinação.

Cerca de 14 estados além de Mato Grosso do Sul, já anunciaram que não vão exigir a prescrição, como: Acre, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, São Paulo e Sergipe.

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