Em mais um episódio do conflito entre o Consórcio Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande que buscam uma solução para o reajuste da tarifa de ônibus, o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), disse que não vai dar mais que 5% em reajustes a consórcio.
"Essa questão vai ter que envolver estado, Ministério Público, Câmara Federal e prefeitura. Se eles não aceitarem os 5% que elevaria a tarifa no máximo para R$4,40, vai ficar sem reajuste, mais que isso eu não vou aplicar", declarou.
Na ocasião, Trad falou que o transporte coletivo reclama de que são obrigados a sustentar as cortesias com o 'chapéu alheio', e citou a gratuidade do passaporte aos 220 mil usuários, entre idosos e estudantes que residem em Campo Grande.
De cada dez pessoas que entram no ônibus, seis são pagantes e 4 não pagantes, desses não pagantes, no último mês, 240.211 estudantes transitaram de graça, sendo 40% de escola estadual, 32% de universidades particulares, 14% do município e 14% da Federal, segundo o prefeito.
Trad alegou não haver intenções em tirar a gratuidade do transporte e fez críticas a alunos de escolas e universidades particulares beneficiadas com a taxa.
"Se o Estado quer subsidiar esses estudantes que pertencem ao estado e transitam de graça, se é justo ou não, os estudantes da universidade particular, os que fazem medicina na Uniderp, os que fazem direito na UCDB, os que realizaram uma faculdade particular, o trabalhador que paga vai pagar por eles".
Atualmente, cerca de 13 mil estudantes, 10 mil idosos e 7 mil pessoas com deficiência utilizam o transporte público na Capital. Como eventual proposta, o prefeito sugeriu que uma das coisas a se fazer é discutir os valores com o governo, Estado e com a sociedade, e frisou que não vai aumentar o valor do reajuste.
"Então o que eles estão dizendo, 'poxa, a gente queria ter um subsídio, tanto do governo federal, municipal e estadual, se a gente carrega os estudantes, 40% o estado paga, 32% dos particulares a gente discute com a sociedade para ver se é justo ou não, 14% o município paga e 14% federal também".
Contudo, cinco pontos deveriam ser considerados para a realização do reajuste, como a variação do preço do óleo diesel, acordo trabalhista para o reajuste salarial dos funcionários, o número de usuários do transporte coletivo e por fim a manutenção da sua frota e a inflação.
Em Campo Grande, o último reajuste do passe aconteceu em dezembro de 2022, quando o valor era de R$ 4,10 e foi para R$ 4,20. Agora, o consórcio indica o valor de R$ 5,15 para a cobrança da taxa.