Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), apontam que Campo Grande apresentou melhora nos índices de criminalidade em 2021, se comparado ao ano passado.
Entre janeiro e dezembro deste ano, a Capital contabilizou 107 homicídios dolosos, quando há a intenção de matar.
No mesmo período de 2020, foram registrados 120 crimes deste tipo. No Estado a redução foi de 1,8%, de 425 para 417 homicídios dolosos em 12 meses.
Na tendência de redução, os crimes de roubo caíram 10,1% em MS, de 4.734 casos em 2020, para 4.257 em 2021.
Destes, os índices de roubo ao comércio reduziram em 13,3% em 12 meses, de 264 ocorrências para 229.
O crime de latrocínio, quando ocorre o roubo seguido de morte, teve uma redução de 21,4% no Estado, de 14 para 11 casos. Em Campo Grande, a queda foi de 33,3%, com 6 casos em 2020 e 4 até novembro de 2021.
A Capital também teve neste ano queda nos crimes de roubo (-9,7%), de 3.052 ocorrências para 2.756 casos registrados; roubo ao comércio (-16,4%), de 134 para 112 registros; furto de veículo (-8,7%), de 1.715 casos em 2020 para 1.565 em 2021.
Entretanto, houve crescimento dos casos em relação aos homicídios culposos, quando não há intenção de matar.
Mato Grosso do Sul contabilizou em 2020, 14 casos, ao passo que em 2021, a Sejusp registrou 17. Em Campo Grande, no mesmo período, foram registrados 2 crimes em 2020 e 3 em 2021.
Para o titular da Sejusp, Antonio Carlos Videira, a redução nos índices de criminalidade é reflexo dos investimentos em segurança pública.
Por meio do programa “MS Mais Seguro”, foram investidos mais de R$ 160 milhões no fortalecimento da segurança em Mato Grosso do Sul.
“Desde o aumento da frota de veículos, melhoria da infraestrutura, capacitação dos servidores. Todos esses fatores corroboram para a repressão de crimes”, salientou Videira.
FAIXA DE FRONTEIRA
Os índices de violência contra o patrimônio nos municípios de Mato Grosso do Sul que fazem fronteira com o Paraguai e a Bolívia, apresentaram queda.
Os roubos a comércio apresentaram redução de 21,7%, as ocorrências de roubos seguidos de morte caíram em 20%.
Roubos em via urbana 13,4% e o total de roubos, quando agrupados, reduziram em 8,3%. Os furtos de veículos (-7,3%) e os homicídios culposos no trânsito (-1,9%), também apresentaram queda na faixa de fronteira.
FEMINICÍDIO
Apesar de por vezes ser deturpado, o feminicídio é um crime de ódio e não de amor.
Neste ano, dados da Sejusp apontam queda de 83% da consumação desta violência contra a mulher, com 2 casos registrados de janeiro a dezembro de 2021 na Capital, 10 a menos do que o mesmo período de 2020.
Em todo o Estado, foram contabilizados 30 feminicídios neste ano, 3 a menos do que em 2020.
De acordo com a delegada adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), Maíra Machado, de janeiro a 21 de dezembro de 2021, foram registradas 17 tentativas de feminicídio em Campo Grande, ao passo que em 2020, foram 14 casos.
“Em dezembro, existe uma tendência de que os crimes no âmbito da violência doméstica aumentam em razão das festividades de final de ano e confraternizações."
"São uma série de fatores que envolvem as raízes da violência doméstica, como por exemplo o patriarcado, o machismo, o ciúmes, ingestão do álcool e drogas”, reiterou Machado. A delegada afirmou que a maior parte dos criminosos são companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Conforme o titular da Sejusp, Antonio Carlos Videira, a repressão aos autores de violência doméstica é uma forma de prevenir os feminicídio.
“Programas como o Mulher Segura, são importantes porque o autor da violência doméstica passa a ser fiscalizado, monitorado e as políticas públicas para que a vítima possa denunciar o agressor se tornam eficazes”, pontuou.
ATENDIMENTO
Na Capital, a Casa da Mulher Brasileira oferece um atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência doméstica.
A instituição, gerida pela Prefeitura, em parceria com Governo Federal e Governo do Estado, foi a primeira do país a ser implementada e é referência nacional.
O local conta ainda com acolhimento e triagem, apoio psicossocial, Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, Juizado da 3ª Vara, Promotoria, Defensoria Pública, Serviço de Promoção de Autonomia Econômica.
A infraestrutura também possui espaço de cuidado das crianças, brinquedoteca, alojamento de passagem, central de transportes, patrulha Maria da Penha e Programa Mulher Segura do Estado.