Cidades

PANTANAL

Rio Paraguai já dá sinais de recuperação

No entanto, pantaneiros estimam que seca deve permanecer em 2022

Com tendência de elevação cadenciada nos próximos meses, por conta do volume de chuvas que ocorre nas cabeceiras, em Mato Grosso, e as precipitações acumuladas na planície, em Mato Grosso do Sul, o Rio Paraguai – principal curso d’água do Pantanal – começa a se recuperar depois de registrar níveis mínimos e negativos durante a seca, nos últimos três anos.  

Em Cáceres (MT), onde atingiu 28 cm em outubro de 2021, na pior estiagem em 50 anos, o rio entrou em processo de regeneração e chegou a 3,26 m, no dia 15 de janeiro.

 Reduziu para 3,06 m, ontem, mas é o maior nível desde 2020, quando o máximo foi 2,86 m. Em Ladário (MS), atingiu período crítico (-60 cm), também em outubro, e oscila acima de 1,07 cm.  

Nesta régua – referência para análise do movimento das águas na planície pantaneira –, o Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai, do Serviço Geológico do Brasil, estima que o rio chegará a 1,32 m na última semana do mês, com base no cálculo matemático das previsões de chuvas para a região. 

Este nível, caso se confirme, foi o registrado na mesma data em 2021.

O cenário indica que a seca se prolongará na região, porém menos intensa. Influenciado pelas águas das cabeceiras, o Paraguai pode atingir um nível que se aproximará de 3,0 m, entre junho e julho, em Ladário, onde as máximas registradas em 2020 e 2021 foram, respectivamente, 2,10 m (junho) e 1,88 m (abril). Mas, a partir de abril, será um longo período de estiagem.

ASSOREAMENTO

Para os pantaneiros, que convivem secularmente com os ciclos de seca e cheia no bioma, o rio se recuperará parcialmente. 

A navegação tende a ser retomada com restrições e devem ocorrer pequenas “enchentes” ao jogar água para fora de sua calha por conta do assoreamento que atingiu níveis críticos. As causas são as queimadas e tráfego intenso de botes de pesca.

“Os rios do Pantanal estão extremamente assoreados. Mesmo no caso de chuvas abaixo da média, ocorrerão ‘inundações’ a cada evento de chuva um pouco mais concentrada em curto período”, explica Armando Lacerda, pantaneiro da região do Amolar, norte de Corumbá. “As tabelas anteriormente usadas para previsões não consideram o assoreamento relevante”.

Segundo Lacerda, os incêndios ocorridos principalmente nas regiões antes permanentemente inundadas calcinaram as margens e matas ciliares, agravando sobremaneira o basculamento e cisalhamento dos barrancos. 

“Ao assoreamento oriundo dos planaltos circundantes, acrescentou-se a erosão das margens fragilizadas, tanto pluvial como mecânica”, observa.

Os impactos ambientais ao longo do Rio Paraguai – junto às barrancas que se desfazem, foram-se os camalotais e as áreas de alimentação e refúgio – tendem a alterar e contrariar todas as previsões, tanto as empíricas como as científicas, alerta o pantaneiro. 

A elevação do rio, no entanto, favorece a reprodução do estoque pesqueiro durante a piracema.

ANO DE SECA

“Tem ocorrido chuvas torrenciais em algumas regiões, como no Paiaguás [sub-região do Pantanal, em Corumbá], com índices pluviométricos acima de 150 milímetros”, informa Luciano Leite, diretor do Sindicato Rural do município. “Na média geral, as chuvas podem ser abaixo da média histórica, mas pontualmente ajudam a recuperar a pastagem”.

Enquanto a Embrapa Pantanal não apresenta seus prognósticos, não retornando informações solicitadas pela reportagem, os pantaneiros estimam que 2022 será um ano ainda de seca com o fim das chuvas em março. 

O volume de água acumulada na parte alta (Cáceres) deve ser parcialmente absorvido pelo solo seco até chegar a Ladário (670 km), dentro de três meses.

O movimento das águas também depende da retenção nas represas hidroelétricas existentes nos rios Cuiabá e Jauru (afluentes do Paraguai), em Mato Grosso. 

Pela crença do pantaneiro, que se baseia no clima (ventos, queda de temperatura e chuvas), nos primeiros dias de janeiro, haverá boa precipitação na região até março, contudo o frio chega mais cedo, a partir de abril.

O volume de chuvas tem ocorrido mais acentuadamente na região norte e nordeste do Estado, grande parte na bacia do Rio Paraná. Em Coxim, um dos principais afluentes do Rio Paraguai, o Taquari, oscila abaixo do nível de alerta (4,0 m), mas já causou inundações na planície. 

Ainda na região, o Piquiri, na divisa do estado com Mato Grosso, atingiu 53% do nível de alerta (5,18 m).

Na Serra de Maracaju, os afluentes Aquidauana e Miranda estão em declínio e abaixo dos níveis históricos para o período, registrando 2,11 m e 1,43 m, respectivamente, nesta terça-feira. Ambos atingiram patamares de emergência (6,0 m) em janeiro de 2021, desabrigando dezenas de ribeirinhos. As chuvas persistem na região, com temporais.

Nível

O Rio Paraguai pode atingir um nível que se aproximará de 3,0 m, entre junho e julho, em Ladário, onde as máximas registradas em 2020 e 2021 foram, respectivamente, 2,10 m (junho) e 1,88 m (abril).

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