Cidades

ENTREVISTA

Corredor da Brilhante deve funcionar no primeiro trimestre

Secretário da Sisep detalhou desafios do cargo, obras para este ano e projetos futuros para Campo Grande

Em conversa com a reportagem do Correio do Estado, o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, afirmou que o corredor de ônibus da Brilhante deve ser o primeiro entregue este ano. 

Após complicações técnicas no projeto e com a empresa responsável, a promessa de 10 anos será concretizada.

“A empresa resolveu retomar e está terminando as estações de embarque da Guia Lopes e da Brilhante. Esse deve ser o primeiro [corredor de ônibus] a entrar em operação, e acredito que no primeiro trimestre ou no fim do quarto trimestre deste ano”, informou.

Titular da Sisep desde 2017, Fiorese informou ainda que o corredor da Marechal Deodoro também deve ser entregue neste ano, no primeiro semestre.

Os corredores de transporte estão previstos no Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana, e o investimento prevê a implantação de quase 69 quilômetros de corredores exclusivos e redução em até 20% do tempo de viagem dos ônibus, tanto centro/bairro quanto bairro/centro.

A redução do tempo de viagem é possível porque a velocidade média dos ônibus aumenta de 16 quilômetros por hora para 25 quilômetros por hora. 

Os ônibus vão circular em faixa exclusiva e terão trânsito livre, com semáforos funcionando de forma sincronizada nos cruzamentos onde haverá estações de pré-embarque.

Além da entrega de corredores, o secretário também informou que parte da antiga rodoviária, localizada na região central da Capital, será reformada, com um investimento de R$ 18 milhões. 

O projeto prevê requalificação da área para a acomodação de secretarias, como a Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat) e Guarda Municipal Metropolitana.  

“A situação da rodoviária do Centro será resolvida nesta gestão. Aprovamos o projeto e as planilhas de custo na Caixa Econômica Federal no fim do ano passado e já iniciamos o processo de licitação’’, disse Fiorese.

Rudi Fiorese

Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em 1983. Foi gerente das áreas de Planejamento, Orçamento e Licitação da Cobel Construtora, onde atuou em várias obras de infraestrutura urbana. 

Em 2014, esteve à frente da gestão das obras de duplicação e restauração da BR-163/MS. No poder público desde 2017, Fiorese atua como titular da Sisep em Campo Grande. 

 

CORREIO DO ESTADO – qual o maior desafio enfrentado nessa gestão?

Rudi Fioresi – em um primeiro momento, quando assumimos, a cidade estava em uma situação muito complicada na questão da infraestrutura, e acredito que esse tenha sido o maior desafio. O prefeito Marcos Trad [PSD] conseguiu viabilizar recursos em parceria com o governo do Estado, e chegamos a ter até 40 equipes de tapa-buraco pela Capital. Hoje, a cidade está em uma boa situação nesse quesito de estrutura viária.  

Em seguida, começamos a recapear e já fizemos mais de 200 km em diversas ruas em todas as regiões de Campo Grande. É evidente que, como toda cidade grande, ainda temos diversos problemas e desafios a serem vencidos. Temos ainda por volta de 900 km de ruas para serem pavimentadas e a drenagem e pavimentação de bairros que ainda não dispõem dessa melhoria.  

 

A Prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado montaram uma parceria de acesso às Moreninhas. Como está o andamento deste projeto? Já tem data para a licitação ser lançada? Já temos prazo para a conclusão das obras?  

Essa parceria foi estabelecida da seguinte forma: ficou a cargo do município a elaboração do projeto executivo do acesso às Moreninhas, além de viabilizar as obras da Avenida Rita Vieira até a Avenida Guaicurus, que fazia parte de um outro projeto que a gente tinha aqui dentro da prefeitura, chamado Bálsamo. Isso, nós conseguimos fazer: nós chegamos com a avenida, fizemos o projeto executivo e entregamos para o governo do Estado.  

O governo do Estado não vai fazer convênio e passar o dinheiro para o município, a obra será licitada pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos [Agesul], então, o projeto está com eles, não temos uma data definida. O governo não nos passou nenhum prazo, mas acredito que não deve demorar para a licitação ser lançada.

 

O senhor pode dar mais detalhes dessa obra? Qual será o ganho para os moradores da região com esse novo acesso?

Além de criar uma outra alternativa, porque hoje aquela região das Moreninhas basicamente dispõe de um caminho só, que é pela Avenida Gury Marques, as obras vão criar um novo acesso que deve proporcionar o desenvolvimento daquela região, porque é uma via importante.

As obras ao longo dessa avenida, com certeza, vão resultar em desenvolvimento, construções, implantações de habitações, comércio, vai gerar a ocupação de uma região que nem foi loteada ainda. Temos a expectativa de que o projeto vai propiciar desenvolvimento para a região no fundo do Jardim Itamaracá.

Ainda na região sul, a prefeitura tem planos de fazer uma restauração na Avenida dos Cafezais? Como será essa obra? Qual trecho será contemplado e o que será feito no local? Já temos datas para a licitação e o início das obras?

A Avenida dos Cafezais tem um trecho que já é duplicado e uma parte com pista simples, entre a rotatória com a Rua Delegado Alfredo Hardman e a [Avenida] Gury Marques. Então, nesta parte pretendemos duplicar, e onde a via já está duplicada, faremos uma restauração.

Fizemos esse projeto executivo e iniciamos uma conversa com o governo do Estado para ver se conseguimos apoio na execução desse projeto. Não se tem data para a licitação nem para o início das obras.  

 

Em entrevista ao Correio do Estado, o senhor disse que a revitalização da Duque de Caxias é uma das prioridades da prefeitura. O que será feito no local? Quando as obras devem começar? Qual a previsão de entrega?  

O trecho entre a rotatória do Indubrasil até o aeroporto, o prefeito Marcos Trad conseguiu, por meio de uma emenda do senador Nelsinho Trad, aproximadamente R$ 10 milhões para fazermos a restauração da pista de entrada na cidade, da rotatória até o aeroporto. 

Essa pista possui hoje um trecho bastante antigo, anterior à década de 1970, então, vai ser feita restauração e reconstrução dela em alguns pontos que são necessários e, depois, vamos fazer recapeamento completo e ciclovia também.

O projeto já está aprovado na Caixa Econômica Federal, já iniciamos o processo de licitação, e acredito que no mês que vem devemos lançar este edital. Acredito que até o meio do ano devemos iniciar as obras, o prazo de duração é de um ano.  

Também já temos um projeto para a pista de saída da cidade, no entanto, ainda sem recursos financeiros garantidos para isso. O prefeito ainda está em busca disso para viabilizarmos essa obra. 

Mas, para a pista de entrada, que está em piores condições, já temos os recursos, com um investimento previsto de R$ 17 milhões. A pista de saída gira em torno de R$ 13 milhões, um total de R$ 30 milhões.

 

Entra ano e sai ano, a Avenida Ernesto Geisel continua um problema recorrente, seja pela obra que não termina, seja pela falta dela. Já há previsão para relicitação do trecho que foi abandonado pela empreiteira? Há previsão para licitação de outros trechos da avenida? O governo federal tem culpa nisso, ao fazer o repasse a conta-gotas em um período de alta dos materiais de construção?

Esse é um projeto antigo, e a prefeitura vem há mais de 10 anos tentando resolver a situação. Licitamos, no início do primeiro mandato, a obra em três lotes. A primeira etapa, da Rua Santa Adélia até a Rua da Abolição, está concluída. 

O lote dois e o lote três da margem direita do córrego estão prontos, na margem esquerda foi feita só uma pequena parte.  

Em 2019, o governo federal atrasou muito o repasse de recursos, e as empresas chegaram ao ponto de paralisar as obras. Logo em seguida, veio a pandemia de Covid-19, que provocou a disparada de preços de insumos. 

Estamos agora em um processo de aprovação do que chamamos de reprogramação, ou seja, de um novo orçamento junto à Caixa Econômica Federal para a rescisão do contrato com a empresa antiga. Assim, poderemos fazer uma nova licitação do serviço que falta, entre a Rua da Abolição e a Rua do Aquário, que são os lotes 2 e 3.

Pretendemos, no primeiro semestre deste ano, iniciar o processo de licitação da Rua do Aquário até a [Avenida] Manoel da Costa Lima, com a intenção de fazer as contenções das margens, assim como tem sido feito para cima. 

O prefeito conseguiu para este ano, com a bancada federal, a colocação de uma emenda destinando recursos para esses lotes, que serão suficientes para arcar com metade das obras.  

Algumas obras em Campo Grande tiveram problemas por conta da pandemia. Quais obras terão de ser relicitadas? E qual o prazo para sair essas novas licitações e em quanto tempo as obras devem ser entregues?

Nós estamos licitando novamente a reforma do Teatro Otávio Guizo, a cobertura do estádio de beisebol, com processo de licitação já em andamento, e vamos relicitar as piscinas do Parque Jacques da Luz.

Além dessas três, estamos tendo que relicitar a Ernesto Geisel. Eu acredito que a reforma das piscinas, do teatro e a cobertura do estádio serão entregues até o fim deste ano.

 Já a Ernesto Geisel não conseguiremos finalizar esse ano, é uma obra maior e quando começa o período de chuvas é praticamente impossível de trabalhar.  

 

Ainda sobre a licitação, a promessa da criação desses corredores de ônibus é de 2012, mas, até agora, nenhum foi entregue. Qual o prejuízo para o transporte coletivo? E qual a situação atual dos corredores da Brilhante e da Bandeirantes, atualmente mais avançados?

Nós tivemos um problema técnico com os projetos das estações de embarque com a Caixa Econômica, isso já foi superado. E também tivemos problemas com a empresa que estava fazendo as estações de embarque. 

Eles já retomaram as obras e estão terminando as estações de embarque da Guia Lopes e da Brilhante, que deve ser a primeira a entrar em operação, no primeiro trimestre ou no fim do quarto trimestre deste ano.

Os corredores da Bandeirantes e da Bahia dependem das estações de embarque. 

O da Marechal Deodoro também está em obras, e neste fizemos uma licitação diferente, a infraestrutura das estações de embarque ficará com apenas uma empresa, isso é mais prático e evita paralisação nas obras. Essa etapa deve ficar pronta no primeiro semestre.  

 

A antiga rodoviária é um problema que será solucionado ainda nesta gestão? Quando começam as obras por lá?

Esperamos que situação da rodoviária seja resolvida nesta gestão, aprovamos o projeto e as planilhas de custo na Caixa Econômica Federal no fim do ano passado e já iniciamos o processo de licitação. 

Eu acredito que esse edital deve ser publicado em fevereiro e, se tudo der certo, vamos iniciar as obras no primeiro semestre, com a reforma das áreas que pertencem ao município, aproximadamente 11% do local.  

 

A BR-163 está prestes a ser relicitada. A prefeitura pretende chamar a ANTT para discutir a duplicação do Anel Viário atual ou para a elaboração de um novo?

O prefeito já encaminhou um novo pedido de licitação em uma audiência com o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, no ano passado. 

A faixa de domínio existente onde é o Anel hoje permite a duplicação, mas não tem espaço para fazer vias marginais. Se fizermos só a duplicação com o canteiro central, você secciona a cidade.  

Acredito que a alternativa seja um novo Anel [Viário], e isso foi pedido para o ministro. Esperamos que o lançamento do novo edital já traga essa obrigação para a empresa que vencer o certame. 

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