Após três décadas em construção, a promessa do Centro Municipal de Belas Artes, no Jardim Cabreúva, tornou-se apenas um sonho distante. A realidade para 2022 prevê apenas a conclusão de um simples “puxadinho”, referente a 28% da área total de 16 mil metros quadrados.
Isso porque a Prefeitura de Campo Grande não tem recursos suficientes para a reforma completa do espaço e espera conseguir viabilizar parcerias público-privadas para finalizar os outros 72% da estrutura do prédio.
Com o retorno das obras no Centro, a prefeitura não vai precisar devolver ao Ministério do Turismo, aproximadamente, R$ 10 milhões, em valores corrigidos, que correspondem ao recurso do convênio liberado e aplicado na obra por gestões anteriores.
As obras para a conclusão de 28% do prédio estão previstas para começarem no mês de fevereiro e devem ser entregues em dezembro de 2022, informou o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese.
“Foi feita uma nova licitação. Esperamos em fevereiro iniciar as obras e finalizar até dezembro. Nesse contrato agora vamos concluir o que tinha sido iniciado ainda na gestão do ex-prefeito Nelsinho Trad, quase 3 mil metros quadrados, o que representa 28% do total da área. Então isso é o que esperamos realizar”, afirmou o titular da Pasta.
A empresa Orkan Construtora Eireli, sediada em Sidrolândia, foi a vencedora da licitação, no valor estimado de R$ 5,1 milhões, para obras de reforma e readequação de parte do Centro de Belas Artes.
HISTÓRICO
A edificação começou a ser feita em 1991, com a intenção de ser a nova rodoviária da Capital, entretanto, muitos anos depois, em 2007, o projeto foi readequado para o Centro de Belas Artes.
Em 2012, a empresa Mark Construções foi contratada por R$ 6.649.730,08 para terminar a obra, que tinha previsão de ser concluída em um ano.
No ano seguinte, porém, a empreiteira deixou o canteiro de obras sem ter executado todo o projeto, por falta de pagamento.
Como o serviço feito pela empresa, na visão da empreiteira, não foi completamente pago pela administração municipal na época, eles decidiram ingressar com ação na Justiça em 2019, com o objetivo de receber o que, segundo ela, faltava ser depositado referente à construção do local.
Também em 2019, a Vale Engenharia foi contratada para dar continuidade à obra, mas decisão do juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública de Campo Grande determinou que a obra não fosse iniciada. Isso porque uma perícia deveria ser feita no local, para constatar quanto da obra foi realizada pela empresa anterior.
Em abril do ano passado, a Justiça deu aval para o retorno da reforma, mas a Vale desistiu sob justificativa de que, dois anos após o contrato, os valores firmados já estavam defasados, principalmente com o aumento de custos da construção civil durante a pandemia da Covid-19.
Com isso, uma nova licitação foi aberta, em outubro de 2021, a qual a empresa Orkan Construtora Eireli venceu, de acordo com a publicação do Diário Oficial do Município do dia 4 deste mês.
Conforme o titular da Sisep, no decorrer das três décadas, já foram gastos na estrutura R$ 8 milhões. No entanto, levando em conta o tempo em que as obras se arrastam e comparando a outros elefantes brancos de Campo Grande, o valor investido pode ser muito maior.
PROJETO
O projeto do Centro de Belas Artes foi readequado pelos arquitetos da Sisep. No subsolo estão previstas intervenções para funcionar o Arquivo Histórico Municipal e no 1º andar, que poderá abrigar a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Ainda no subsolo, há espaço para biblioteca, salas de dança, duas salas de multiúso (uma delas com 650 lugares) e um auditório com 124 lugares.
Está previsto um portal de entrada, estrutura para separar a parte que será concluída do restante do prédio inacabado. Além disso, está previsto pavimentação do pátio e base de apoio da Guarda Civil Metropolitana.
AQUÁRIO DO PANTANAL
Por muito tempo considerado um dos maiores elefantes brancos da Capital, o Aquário do Pantanal está perto de ter suas obras concluídas.
O titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Eduardo Riedel (PSDB), revelou que o empreendimento será entregue em março deste ano.
A construção do Aquário foi iniciada em maio de 2011, ainda na gestão do ex-governador André Puccinelli (MDB), com previsão de custar R$ 84 milhões.
Todavia, diversos impasses e denúncias de mau uso de recursos públicos ocasionaram no atraso das obras e a elevação dos custos para mais de R$ 230 milhões. Com 19 mil m² de área construída, o Aquário contará com 33 tanques, sendo 23 internos e oito externos. O local terá ainda um tanque de abastecimento e um tanque de descarte de efluentes.