Cidades

EVOLUÇÃO

Estado tem o maior número de casos ativos de toda a pandemia

MS tem atualmente 25.925 pessoas com Covid-19, entre casos de isolamento domiciliar e internações

Mato Grosso do Sul vive o maior patamar de casos ativos de Covid-19 desde o início da pandemia, em março de 2020. 

Até sexta-feira, haviam 25.925 pessoas com a doença ativa no Estado, número dividido entre os que estão em isolamento domiciliar (25.505) e os internados (420). Os dados são do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

No pico da doença, em junho de 2021, quando o Estado enfrentou um dos piores momentos até agora, com esgotamento de leitos e longas filas de espera por internação, MS chegou a ter 23.722 pessoas infectadas com a doença, no dia 3 daquele mês, o maior número do ano passado.

Entretanto, desde o início de fevereiro, vemos que esse patamar está muito mais elevado. Na quarta-feira (2), eram 25.905 casos ativos; no dia seguinte, chegou-se a 25.875; e nesta sexta-feira o maior patamar até agora foi alcançado, com 25.925 casos.

Para a médica infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ana Lúcia Lyrio, esse crescimento exacerbado da doença se deve à circulação em Mato Grosso do Sul da variante Ômicron, a mais contagiosa da Covid-19 até agora.

“Ela [variante] está predominando já no Brasil e, pelo comportamento de altíssima transmissibilidade, é a Ômicron”, explica a pesquisadora. A SES confirmou, no dia 14 de janeiro, o caso de uma mulher de 24 anos, moradora do município de Ivinhema, que apresentou sintomas no dia 3 de janeiro deste ano.

A jovem não viajou para fora do Estado, o que indica que a variante está em circulação em Mato Grosso do Sul. O sequenciamento genômico foi encaminhado pelo hospital da cidade para a rede privada de Belo Horizonte (MG), onde foi confirmada a infecção pela Ômicron.

Apesar de a Capital ainda não ter um caso confirmado por sequenciamento genético da variante, a quantidade de casos registrados em Campo Grande cresceu muito entre o mês passado e este mês, o que leva a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) a entender que a cepa também circula na cidade.

Com essa crescente do número de casos, a média móvel de episódios dos últimos sete dias estava em 2.950,4 na sexta-feira. O maior número de toda a pandemia até agora foi na quarta-feira, quando a média chegou em 3.197 casos diários.

Para a infectologista, a queda, mesmo que modesta, mostra que o número de casos pode ter chegado à estabilidade, o que pode indicar eventual queda nos próximos dias ou meses. “Em breve, começa a cair”, avalia Lyrio.  

LEITOS

O aumento expressivo de casos de Covid-19 também tem impactado na quantidade de pessoas internadas pela doença. Até sexta-feira, o número de internados em Mato Grosso do Sul era de 420, valor 813% maior que o registrado há um mês, quando apenas 46 pessoas com a doença precisaram recorrer ao atendimento hospitalar.

“Estamos no limite já [de internações], segundo o boletim epidemiológico. Na nossa região, estamos já com 85% de ocupação das UTIs [unidades de terapia intensiva]. A equipe de saúde está adoecendo, com deficit de profissionais”, ressalta a especialista da Fiocruz.

No último boletim divulgado, na macrorregião de saúde de Campo Grande, que engloba outras cidades além da Capital, a ocupação em leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) estava em 82%; porém, a macrorregião de Dourados já estava com 91% de lotação. As macrorregiões de saúde com menor ocupação de leitos de UTI no Estado são Três Lagoas, com 73%, e Corumbá, que tinha 70% até sexta-feira.  

No Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, o principal do Estado para tratamento da Covid-19, a ocupação de leitos de UTI dobrou em um mês. Em janeiro, o centro médico tinha tão poucos internados pela doença que fazia seus boletins de forma semanal. 

De 1º a 7 de janeiro deste ano, o documento mostrava que apenas nove pessoas estavam internadas no local com a doença, dos quais 6 estavam em leitos clínicos e 3 em UTIs.

Já dados de quinta-feira (3) à noite mostram que as internações saltaram para 84, com 54 em leitos clínicos e 32 em UTIs. O boletim ainda trouxe mais quatro novas mortes pela doença naquele dia.

Apesar de o número de hospitalizados ser elevado, ele ainda é quase um terço do pico atingido em 2021. Das 23.722 pessoas que estavam com Covid-19 no dia 3 de junho do ano passado, 1.337 estavam hospitalizadas. Desse número, 797 estavam em leitos clínicos e 540 em unidades de terapia intensiva.

Essa queda, os especialistas explicam, tem a ver com o avanço da vacinação contra a doença. O Estado tem 84% da população geral com a primeira dose contra a Covid-19 e 74% com a segunda aplicação em dia. Além disso, 911.053 doses de reforço já foram aplicadas em Mato Grosso do Sul.

“Com esse número de casos notificados estaríamos em um caos, um colapso do sistema de saúde, se fosse a variante Gama ou Delta”, declarou a infectologista Ana Lúcia à reportagem do Correio do Estado.

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