Cidades

SEGURANÇA

Apreensões disparam e MS se consolida como uma rota para o tráfico de cocaína

Apreensões dobraram entre 2020 e 2021, e em 40 dias de 2022 houve aumento de 246% em relação ao ano passado

Em apenas 40 dias deste ano, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) já conseguiu apreender 494,405 kg de cocaína, quantidade 246% maior que a do mesmo período de 2021, ano em que foram encontradas duas vezes mais porções da droga do que em 2020. 

Com isso, Mato Grosso do Sul se consolida como rota do tráfico da substância.

Além disso, os policiais da corporação também encontraram mais 525 kg de pasta base, droga que no ano passado não tinha sido apreendida nos primeiros 40 dias do ano.

De acordo com o comandante do DOF, coronel Wagner Ferreira da Silva, a ativação de radares da Força Aérea Brasileira (FAB) para detecção de aeronaves que voam em baixa altura e não estão identificadas em Corumbá, Porto Murtinho e Ponta Porã é um dos fatores que contribuiu para que isso acontecesse.

Isso porque os narcotraficantes agora optaram por adentrar no território nacional com a droga por meio das rodovias, principalmente pela região de fronteira com o Paraguai, por se tratar de uma fronteira seca e mais simples.

“Os radares têm influenciado nessa mudança de comportamento porque as zonas de produção da cocaína estão no norte da Bolívia e no sul do Peru. O Paraguai, conhecidamente, é um grande produtor de maconha”, explicou Silva.

“Essa rota [fronteira de MS com o Paraguai] foi intensificada, mas ainda há entrada da droga pela Bolívia. Mas não [entra] só por essas duas [rotas] e não entra só no Brasil, entra na Argentina e pelo Rio Paraguai. Essa região é só mais uma”, completou.

Nos últimos anos, o crime organizado tem aumentado a sua base na fronteira de MS com o Paraguai, o que pode ter influenciado para que o Estado se tornasse uma importante rota na logística da droga.

Segundo o comandante, na série histórica de apreensões de droga, a partir dos anos 1980 e 1990 é que houve um crescimento na retenção da cocaína.  

“A gente começa a ver dois aspectos importantes, que são o aperfeiçoamento do trabalho da polícia e a entrada desses criminosos de organizações no tráfico. Hoje as redes são complexas no tráfico por causa da grande lucratividade. O crime organizado não atua senão para ter uma grande obtenção de lucro, e encontrou um terreno fértil no tráfico”, declarou o coronel.

TIPO EXPORTAÇÃO

Diferentemente da maconha, que é trazida para consumo interno, o DOF avalia que 80% da cocaína que entra no Brasil é para exportação para países da Europa, África e Ásia.

“Somos vizinhos das zonas de maior produção do mundo, a Bolívia tem a terceira maior zona de cocaína. E o Brasil é um grande corredor que serve para levar essa droga para outros mercados, como Europa, Ásia e África – 80% do que entra não fica aqui”, disse o coronel.

O quilo da cocaína no mercado europeu, por exemplo, chega a custar R$ 120 mil, segundo o comandante.  

Levando em conta esse valor, os 494 kg apreendidos esta semana poderiam ter resultado em R$ 59.328.000,00 para o grupo organizado.

No caso da pasta base, por se tratar do substrato da cocaína, ou seja, o resto do refino da droga, o valor de mercado é menor e poderia ser vendido a R$ 65 mil o quilo. Os 525 kg totalizariam R$ 34.125.000,00.  

A soma da apreensão dessa semana poderia dar R$ 93 milhões aos narcotraficantes.

“Nós não conseguimos vencer sozinhos. O País trabalha para que essa rota seja mudada e saia do Brasil, mas não podemos enxergar o enfrentamento como só apreensão de drogas, precisamos fazer a descapitalização desses grupos e o tratamento de viciados, são várias linhas”, avalia Silva.

ENTERRADA

A cocaína apreendida esta semana possivelmente foi a maior quantidade encontrada neste ano até agora. Ela estava enterrada em uma fazenda na faixa de fronteira, entre Paranhos e Coronel Sapucaia.  

A droga estava enterrada ao lado de uma pista de pouso clandestina da fazenda.

Os policiais fizeram a apreensão em dois dias. Na terça-feira, quando faziam rondas pela linha internacional, viram um avião decolando do local com direção ao Paraguai.

A situação chamou a atenção dos policiais, que foram até a propriedade. No local, duas pessoas foram abordadas e confessaram que estavam lá para transportar a cocaína.

Eles disseram que o avião que havia decolado estava carregada com meia tonelada da droga e iria para o Paraguai.

Outra parte estava enterrada ao lado da pista de pouso, que foi quando foram encontrados os 494 kg de cocaína.

Um dia depois, policiais voltaram ao local e, em nova varredura, encontraram os 525 kg de pasta base de cocaína. 

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