Campo Grande pode enfrentar, nos próximos dias, paralisação em diferentes categorias, pela falta de reajuste salarial e de benefícios.
A pressão para a Capital conceder as melhorias recai sobre o prefeito Marcos Trad (PSD), que já sinalizou sua pré-candidatura ao governo do Estado, sendo obrigado a abdicar da gestão municipal até o dia 2 de abril.
Em Assembleia Extraordinária marcada para hoje (15), o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP-MS) discutirá um indicativo de greve dos 8 mil profissionais da Rede Municipal de Ensino (Reme).
A medida ocorre após a prefeitura não aceitar a contraproposta apresentada pela ACP, definida pela categoria em assembleia no dia 8 deste mês.
No documento intitulado Protocolo de Intenções, o Executivo municipal propôs conceder abono de natureza indenizatória, no porcentual de 6,29%, aplicado sobre a remuneração de servidor PH2A.
Na prática, o índice equivale a menos de R$ 200 de aumento para todos os profissionais do quadro do magistério da Reme.
A categoria expressou indignação com a proposta da prefeitura, que não considera a Lei do Piso Municipal nº 5.411/2014 para uma jornada de 20h. Atualmente, o piso municipal corresponde a 55,07% do piso nacional do magistério.
Na prática, o professor em início de carreira recebe por volta de R$ 2.117,73, abaixo do valor de R$ 3.845,63 referente ao reajuste de 33,24% protocolado em portaria assinada dia 4 deste mês pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com o presidente da ACP-MS, Lucílio Nobre, mobilizações, passeatas e greves são instrumentos em que o trabalhador consegue reivindicar os seus direitos.
“Quando você chega a um ponto de estrangulamento de greve é porque a prefeitura não está cumprindo sua parte. Nós já estamos neste mesmo diálogo de correção do piso de 20 horas há dois anos, e a nossa parte tem sido cumprida”, reiterou Nobre.
SISEM
Em reunião marcada com a prefeitura da Capital nesta terça-feira, o Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande (Sisem) também deve debater sobre o aumento de R$ 200 proposto pela administração no vale-alimentação.
Na sexta-feira (11), o Sisem aprovou um indicativo de greve, após mobilização na frente do Paço Municipal que contou com a participação dos sindicatos dos agentes comunitários de Saúde, servidores administrativos, funcionários da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) e de outras secretarias.
Ao Correio do Estado, o vereador e presidente do Sisem, Marcos Tabosa (PDT), afirmou que o indicativo de greve significa o início das negociações com a prefeitura, para que haja isonomia na concessão dos benefícios.
“Queremos o mesmo valor do vale-alimentação concedido à Guarda Civil Metropolitana, de R$ 494. Se o gestor [Marcos Trad – PSD] alega que a prefeitura está quebrada, é culpa dele e de seu secretário de Finanças, ambos não estão preparados para administrar a cidade”, reiterou Tabosa.
De acordo com o vereador, o Sisem quer encontrar uma saída para que os mais de 11 mil servidores municipais concursados e os 10 mil contratados, sem contar os professores, recebam os mesmos valores de benefício.
GUARDA CIVIL
O estado de greve anunciado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) permanece válido. Caso não haja acordo com a Prefeitura de Campo Grande sobre o aumento do vale-alimentação de R$ 294 para R$ 900, a paralisação de pelo menos 700 servidores pode começar nos próximos dias.
Em contraproposta, o Executivo municipal ofereceu um acréscimo de R$ 200 reais no benefício da categoria. Conforme o presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Campo Grande (SINDGM/CG), Hudson Bonfim, a categoria protocolou um novo ofício em que busca, além do aumento do vale-alimentação, a equiparação do valor recebido pelos demais servidores da Capital.
“O estado de greve permanece aprovado. Se não formos contemplados nas negociações, a gente automaticamente deflagra greve, sem a necessidade de uma nova assembleia”, afirmou.
De acordo com Bonfim, o SINDGM/CG aguarda novas definições da prefeitura ainda nesta semana. “Não vamos admitir que o nosso vale-alimentação seja inferior, pedimos que seja isonômico”, finalizou.
O prefeito Marcos Trad foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.
2,1 mil reais por mês
Em Campo Grande, o professor em início de carreira recebe cerca de R$ 2.117,73, abaixo do valor de R$ 3.845,63 referente ao reajuste de 33,24% protocolado em portaria assinada dia 4 deste mês pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).