Professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) se reuniram novamente com o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), para tentar chegar a um acordo sobre o reajuste salarial da categoria.
O encontro, no entanto, terminou sem acordo e a prefeitura deve apresentar nova proposta na segunda-feira (21).
Desde o início da manhã, professores se reuniram em manifestação em frente ao Paço Municipal, enquanto acontecia a reunião no gabinete do prefeito.
Eles querem o reajuste de 33,24%, que foi oficializado pelo presidente Jair Bolsonaro para a categoria.
No entanto, o prefeito já havia antecipado que não tem condições de dar esse valor e afirmou que as conversas são em antecipação, pois o data-base dos professores é em maio.
Conforme Marquinhos Trad, já foi garantida reposição inflacionária, de 10,06%, e a comissão da ACP pediu uma proposta para os cerca de 23% restantes para chegar ao piso.
“A nossa proposta seria de 11,56% em maio do ano que vem e 11,26% em maio de 2024, sem prejuízo dos reajustes que eles vão ter nesse prazo”, disse o prefeito.
“Ou seja, se no ano que vem o reajuste for 10%, a gente tem que dar 21% para eles. Essa é a proposta que a gente pode chegar dentro da situação econômica do município”, explicou.
Ainda conforme o prefeito, devido ao município estar acima do limite máximo de gasto com pessoal, a lei impede que haja ganho real e permite apenas a reposição da inflação.
No entanto, a categoria não aceitou o escalonamento.
O presidente da ACP, Lucílio Nobre, disse que os professores não querem o escalonamento em dois anos.
“Não adianta jogar esse percentual para os outros dois anos, porque já tem um percentual do passivo que ficou para 2023 e 2024, então isso [reajuste] nós queremos dentro desse ano”, afirmou.
Dessa forma, não houve acordo, mas conforme Lucílio, a prefeitura deve entregar uma nova proposta na segunda-feira (21), que será debatida em assembleia entre os professores na terça-feira (22).
“É preciso encontrar uma saída, apresentar algo que dialogue com os 33,24% dentro de 2022, então eles [prefeito e equipe] vão reunir para ver como vão apresentar isso”, contou Lucílio.
O presidente a ACP descartou indicativo de greve enquanto perdurarem as conversas e negociação.
"A gente vai dialogar até o estrangulamento, porque a greve é o último instrumento que a gente tem de mobilização, por enquanto a gente não fala isso, não aponta para isso, não tem indicativo de greve".
Já o prefeito disse que, como o dissídio dos professores é apenas em maio, não há motivos para greve por enquanto.
"O dissídio é em maio, como eles vão entrar em greve se o salário deles está em dia e tudo o que foi combinado está sendo honrado? Agora de maio em diante, aí sim eles teriam direito", concluiu Marquinhos.