O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), afirmou que está em um contratempo com o Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP/MS) após negociações frustradas de reajuste salarial dos servidores.
Professores querem reajuste de 33,24%, mas a prefeitura diz que não tem como honrar este compromisso devido às retrações econômicas causadas pela pandemia da Covid-19.
Com isso, ofereceu reajuste salarial de 10,06% à classe, que corresponde a inflação de 2021.
“Eles exigem o cumprimento de um piso que é lei e deve ser cumprido. Todavia não querem compreender que passamos por dois anos de pandemia. Acontece que não temos como dar agora, não há possibilidade legal, sob pena de nós darmos a ele um cheque sem fundo”.
Professores estão resistentes e não aceitam as últimas propostas feitas pela prefeitura.
Protestos foram realizados pela categoria nos dias 18 e 24 de fevereiro de 2022 em frente a prefeitura, conforme noticiado pelo Correio do Estado.
Eles reivindicam o reajuste salarial de 33,24%, que é lei federal.
Trad propôs aos professores pagar o reajuste da inflação de 10,06% neste ano de 2021 e reajuste de 12,5% em maio do ano que vem e mais 12,5% em 15 de outubro – dia do professor –, o que totaliza 35% de reajuste no salário do professor.
O prefeito ainda explicou que as partes ainda não chegaram em consenso um “porque os professores exigem 35% neste ano e 35% até 2024. Ou seja, 70% de aumento para o piso legal do educador”.
“Nós temos dois caminhos a seguir. O primeiro é entendimento, compreensão e diálogo. Ou eles vão fazer movimentos de paralisação, que na minha opinião é ruim, um desrespeito aos pais, as crianças, a educação”.
Protestos
Uma multidão de professores protestou na manhã da última sexta-feira (18) em frente a prefeitura, reivindicando pelo reajuste de 33,24% aprovado em portaria federal.
A professora da Rede Municipal de Ensino (Reme), Sirlene Farias, afirma que há risco de greve caso a prefeitura não atenda o pedido da categoria.
“Greve não é bom para nenhuma parte. Greve não é o ideal, mas se cogita sim. Sempre terá o diálogo para ter um acordo bom para todo mundo, conquistar nosso direito pelo diálogo. Porém quando falam que se precisar entrar em greve, há sim um apoio grande dos professores”.
A pedagoga Daniela Felisberto afirmou que a negociação está difícil. “Quando a gente quer conquistar algo, a gente não conquista sem luta. Não queremos greve. Vamos manter o diálogo até onde dá. A greve é a última opção”.
Durante o protesto, Trad reafirmou que a lei de responsabilidade fiscal impede reajuste de 33% reivindicado pela categoria. Portanto, nada foi resolvido.
Outro protesto foi realizado pela categoria na tarde desta quinta-feira (24), em frente a prefeitura. O prefeito recebeu os professores e, mais uma vez, a reunião terminou sem acordo.
Presidente da ACP/MS, Lucilio Nobre, afirma que no encontro não foi apresentada nenhuma proposta vantajosa e que o Executivo deve entregar uma nova proposta na até a tarde da próxima quarta-feira (02).
“Esperamos que essa proposta contemple 33.24% em 2022, que foi isso que a assembleia [da ACP] autorizou para ser dialogada dentro desse ano. A diferença é que vamos dialogar para que essa porcentagem seja aceita mais para frente”.