Escrivão da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Robson Corrêa Canto acertou um tiro no tórax da namorada, na noite de anteontem (28), no quarto de um motel localizado no Jardim Paulista, em Campo Grande.
Até a tarde de ontem (1º), a vítima, que seria agente penitenciária federal e teria 39 anos, mantinha-se internada na Santa Casa de Campo Grande, maior hospital da cidade, e o estado de saúde dela era tido como moderado. À polícia, o escrivão, que não foi preso, disse que o tiro foi disparado “acidentalmente”.
Em nota, o comando da Polícia Civil informou que “eventual afastamento do servidor público estadual ficará a cargo da corregedoria, após uma análise geral dos fatos”.
Pela apuração da polícia, o escrivão Robson Canto entrou no motel por volta das 20h de anteontem dirigindo um veículo Mitsubishi Outlander, cujo valor, se fabricado neste ano, varia de R$ 190 mil a 256 mil.
Assim que Robson Canto entrou no motel, funcionários notaram que a namorada dele estaria do lado do passageiro e uma terceira pessoa, que até ontem à tarde a polícia não havia identificado, estava sentada no banco de trás.
Ainda de acordo com a investigação, passados em torno de 15 minutos da entrada do trio, empregados do motel teriam ouvido discussão dentro do quarto. E, em seguida, o barulho do disparo do tiro.
Logo depois, Robson Canto saiu do quarto, seguiu até a recepção e lá identificou-se como policial. Avisou que o tiro teria sido disparado sem querer e que levaria a vítima até o hospital.
Na Santa Casa, enquanto a mulher era levada para o atendimento, o escrivão teria ido até o plantão policial que fica no hospital e narrado sua versão. Dali, Robson Canto foi levado para a delegacia, onde teve a arma e o veículo apreendidos. Posteriormente, o policial foi liberado.
No quarto do motel, policiais notaram manchas de sangue e a carteira funcional de Robson Canto. Embora os servidores do motel tenham dito que uma terceira pessoa havia entrado junto do casal, ninguém foi encontrado ou identificado.
Empregados do local disseram acreditar que tal pessoa poderia, durante o episódio, ter escapado por um portão dos fundos do motel.
A arma usada pelo escrivão, identificada pela polícia, é uma pistola ponto 40. Ainda não foi informado se o revólver é da polícia ou do policial.
A região afetada pelo tiro lançado pelo escrivão abriga dois dos três órgãos mais importantes do corpo humano, o coração e os pulmões. O projétil saiu pelas costas.
A agente foi submetida a uma cirurgia e, pelo menos até o fechamento desta página, recuperava-se dos efeitos do procedimento.
INVESTIGAÇÃO
Agora, o caso deve ser investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). O policial deve, entre outras questões, dizer em seus depoimentos se antes do disparo ele havia discutido com a namorada e sob que circunstância o tiro acertou a vítima de modo “acidental”.
O escrivão terá de confirmar ou negar se, além da namorada, entrou no motel acompanhado de outra pessoa, conforme relatos de funcionários do local.
SAIBA
De acordo com a Santa Casa de Campo Grande, até a tarde desta terça-feira (1º), o estado de saúde da agente penitenciária de 39 anos, atingida pelo tiro disparado pelo escrivão da Polícia Civil de MS, Robson Corrêa Canto, era considerado moderado. A vítima, que passou por procedimento cirúrgico, segue internada.