As aulas para cerca de 200 mil alunos da Rede Estadual de Ensino (REE) e 102 mil da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande (Reme) serão retomadas hoje de forma 100% presencial. Após dois anos com ensino remoto e híbrido, apenas 41,93% das crianças de 5 a 11 anos devem retornar às escolas vacinadas com a primeira dose contra a Covid-19.
Na prática, isso significa que, das 301 mil crianças elegíveis para a vacinação nesta faixa etária em todo Mato Grosso do Sul, apenas 126 mil estão protegidas parcialmente contra a doença.
Na Capital, os índices são ainda menores, com 36.800 crianças de 5 a 11 anos vacinadas, por volta de 39,5% das 93 mil elegíveis nesta etapa de vacinação.
Em relação à cobertura vacinal dos adolescentes, cerca de 392,7 mil jovens sem comorbidades entre 12 a 17 anos já foram vacinados contra o coronavírus.
Destes, 221,8 mil com a primeira dose e 170,3 mil com a segunda dose, o que representa uma taxa de cobertura vacinal de 90% e 69%, respectivamente, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Em entrevista ao Correio do Estado no dia 10 de fevereiro, a infectologista e pediatra Ana Lúcia Lyrio salientou que o contexto político e o medo dos efeitos colaterais são fatores favoráveis para o crescimento do movimento contrário à imunização de crianças no País.
“A vacinação está lenta em razão do movimento antivacina preconizado pelo governo federal. Desta forma, os pais se sentem inseguros. As publicações que falam de complicações graves após a vacinação são falsas, produzidas para desestabilizar a população”, reiterou a infectologista.
Para a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Veruska Lahdo, a lenta vacinação das crianças em Campo Grande é extremamente preocupante.
“Temos quase 93 mil crianças na Capital, e apenas 36.800 tomaram a vacina. E, agora, com o retorno das aulas, ficamos realmente preocupados com a contaminação por Covid-19, já que a doença pode ser levada para dentro de casa, que geralmente tem um adulto ou idoso com comorbidade e na faixa etária mais avançada”, pontuou Lahdo.
Entre os esforços para elevar os índices de vacinação, a Sesau tem feito ações itinerantes de vacinação.
“Estamos vacinando em shoppings e nas unidades de saúde, além da aplicação das doses nos fins de semana, tudo para facilitar o acesso às vacinas para este público. Precisamos da colaboração da população”, afirmou.
Conforme o assessor militar da SES, coronel Marcello Fraiha, desde o início da vacinação de crianças de 5 a 11 anos, em 15 de janeiro, as secretarias de Saúde dos 79 municípios estão promovendo diversas estratégias com parceiros para que a proteção viral deste grupo seja garantida o mais rápido possível.
“Estamos realizando busca ativa, já fizemos aplicação das doses nas escolas e os municípios estão com ações itinerantes. É importante que as famílias levem suas crianças para a vacinação”, reiterou Fraiha.
Retorno
O presidente do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP-MS), Lucilio Nobre, reiterou que apenas com o avanço da vacinação para toda a população do Estado o retorno presencial às escolas foi possível.
“A pandemia demonstrou que o professor em sala de aula é insubstituível para o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens. Acredito que os profissionais da educação estão com boas expectativas para a volta às aulas, porque nós defendemos a vacinação e é por conta disso que estamos retornando”, salientou Nobre.
Ao Correio do Estado, a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Michele Regina Locatelli, Mariley Braga, relatou que, embora a comunidade escolar ainda tenha inseguranças e ansiedades, toda a equipe está empenhada para o retorno presencial de forma segura.
“Estamos fazendo o melhor para os nossos alunos, arrumando a escola, pintando, com todos engajados. Entregamos os uniformes na semana passada e já começamos com esse contato mais animado com as crianças e com as famílias, todos na expectativa para o retorno”, pontuou.
A reportagem percorreu ontem pontos de vacinação contra a Covid-19 para as crianças e, no drive-thru Albano Franco, havia uma baixa procura para a imunização do público de 5 a 11 anos.
Em um intervalo de uma hora e meia, por volta de quatro crianças entre 6 e 7 anos compareceram aos boxes de vacinação.
Professores retornam sem acordo sobre o piso
Há uma semana, no dia 24 de fevereiro, o prefeito Marcos Trad (PSD) recebeu no Paço Municipal manifestantes e representantes de sindicatos dos professores para negociar o reajuste salarial para a categoria este ano.
A reunião acabou sem acordo. Segundo o prefeito, os professores pedem aumento de 33,24% agora, em razão da portaria federal, e mais 35% em 2023. “São quase 70%. Eu não posso fazer isso, seria dar um cheque em branco”, resumiu ao Correio do Estado.
Conforme o presidente da ACP-MS, Lucilio Nobre, a categoria expressou indignação com a última proposta da prefeitura, que não considerava a Lei do Piso Municipal (5.411/2014) para uma jornada de 20 horas.
Atualmente, o piso municipal corresponde a 55,07% do piso nacional do magistério e, na prática, o professor em início de carreira recebe por volta de R$ 2.117,73, abaixo do valor de R$ 3.845,63 referente ao reajuste de 33,24% protocolado em portaria assinada no dia 4 de fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
Uma nova assembleia extraordinária está marcada para amanhã, quando o sindicato que representa os oito mil professores da Reme vai debater sobre a nova proposta da prefeitura entregue à categoria ontem.