Cidades

ENTREVISTA

Gilberto Kassab: "A queda do Bolsonaro e do Lula vai fortalecer a terceira via"

Presidente do PSD, Gilberto Kassab vem a Campo Grande neste sábado para lançar o prefeito Marquinhos Trad ao governo

Ex-prefeito de São Paulo (SP), ex-ministro das Cidades, no governo Dilma Rousseff (PT), e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, na gestão de Michel Temer (MDB), o presidente do Diretório Nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem se notabilizado no cenário político nacional como um grande estrategista, que consegue antecipar cenários e manter o partido que comanda sempre forte nos estados e no Congresso Nacional.  

Neste sábado (5), Kassab estará em Campo Grande para dar continuidade a mais um de seus planos, o de lançar o prefeito da Capital, Marquinhos Trad, ao governo do Estado.

 O presidente do PSD disse que torce pela candidatura de Marquinhos, mas que a renúncia ao cargo de prefeito é uma decisão que só cabe ao pré-candidato.  

Quanto ao cenário nacional, Gilberto Kassab garante que o partido terá candidato próprio à Presidência da República e tem duas cartas na manga: o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que atualmente está no PSDB, mas que pode ir para o PSD.  

Sobre a polarização, Kassab é enfático: acredita que as candidaturas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) perderão força ao longo do ano, situação que contribuirá para fortalecimento da terceira via.  

O senhor estará em Campo Grande neste sábado (5) para lançar a pré-candidatura do prefeito da Capital, Marquinhos Trad, ao governo. Conte-nos mais sobre o evento.  

Fui convidado pelo presidente do partido, Nelsinho Trad, para estar presente no pré-lançamento da candidatura do Marquinhos Trad a governador de Mato Grosso do Sul e estarei presente. Também estará me acompanhando o líder do PSD na Câmara dos Deputados, o deputado federal Antônio Brito, que o líder no Senado já é o próprio Nelsinho.  

 

E sobre a candidatura de Marquinhos Trad, como a executiva nacional do partido vê esse plano? Acredita que ele vem forte para a disputa?

Olha, o Marquinhos é um dos prefeitos mais bem avaliados do Brasil, você sabe disso. Ele teve uma reeleição com uma votação muito expressiva, e em Brasília (DF), em São Paulo (SP) e em todos os cantos do Brasil fora do PSD ele é uma referência de gestão qualificada. 

A gestão do Marquinhos na prefeitura fez dele um forte candidato a governador, porque o estado de Mato Grosso do Sul inteiro acompanha o seu trabalho. 

Os moradores de Mato Grosso do Sul sabem da seriedade, é um governo que não teve um problema, um governo que cumpriu seus compromissos, uma pessoa muito séria e muito transparente, apaixonada pela vida pública. 

Eu realmente acredito que ele é um forte candidato, porque as pessoas vão querer ter em Mato Grosso do Sul esse modelo de gestão, de uma pessoa responsável.  

 

Em outros estados, a renúncia do chefe do Executivo para concorrer em outra eleição já vem se tornando uma prática, mas aqui em Mato Grosso do Sul isso ainda não é frequente. O senhor foi vice-prefeito da chapa de José Serra e depois assumiu a prefeitura de São Paulo. O Marquinhos renunciará mesmo? Como é essa decisão?  

Eu não posso responder pelo Marquinhos, eu torço para que ele seja candidato. Acho que é muito bom para Mato Grosso do Sul ter alguém como o Marquinhos como governador. Esta é a razão da minha presença neste sábado, mas é uma decisão que é evidente que é dele. 

Existe realmente um pouco de estresse quando se renuncia, sobretudo quando a renúncia ocorre no primeiro mandato, quando o gestor acabou de chegar, ainda não deu tempo de fazer tudo. 

Mas o Marquinhos se reelegeu muito bem, ele tem uma relação com sua vice [Adriane Lopes – Patriota] muito cordial, de muita cooperação. 

Ela já está no segundo mandato com ele. Não haverá interrupção de continuidade de nenhum trabalho, mais do que isso, o Marquinhos como governador vai poder ajudar mais Campo Grande, ainda mais com essa parceria que ele tem com a vice-prefeita, que seria a futura prefeita.  

Nacionalmente, o PSD tem planos de fazer uma bancada forte e ser uma das grandes forças do Congresso Nacional na próxima legislatura. Como Mato Grosso do Sul entra neste planejamento?

A ideia é dar um apoio bastante expressivo ao partido, hoje presidido pelo Nelsinho [presidente estadual do PSD], a uma eventual campanha do Marquinhos ao governo e a nossa chapa de candidatos. 

Mato Grosso do Sul dentro do PSD é um estado muito promissor. É um estado que tem um prefeito de capital muito bem avaliado, vocês sabem disso. Eu era prefeito de capital mais bem avaliado do Brasil. E pegunto: qual o Estado que não quer ter uma pessoa dessa como governador? 

Já o Nelsinho no Senado faz um excelente trabalho, atendendo com muita presteza todos os prefeitos e vereadores de Mato Grosso do Sul. 

A gente vê sempre um gabinete muito movimentado, ele já tem uma história também. E temos o próprio Fábio Trad, deputado federal. 

Todos estão sabendo honrar o legado do pai, o querido e saudoso Nelson Trad, que foi um extraordinário político. 

E os filhos têm conseguido levar esse legado, isso é muito bom. E nestas eleições vão mais uma vez se apresentar com consistência, com projetos, com transparência. Isso nos enche de motivação para acompanhá-los.  

 

E como estão os planos nacionais para o PSD? O partido terá mesmo candidato próprio?

Nós fizemos o convite para o Rodrigo Pacheco [presidente do Senado] há um tempo, logo após a filiação dele. 

O Rodrigo Pacheco é uma das melhores revelações da vida pública brasileira, ainda é jovem, em pouco tempo ele se tornou deputado federal. Como deputado federal, foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça. 

Depois, pela excelência do trabalho dele, se elegeu senador e foi o mais votado do estado de Minas Gerais. Como senador se torna presidente do Congresso, um chefe de poder.  

Ele foi convidado em um evento nacional e agora ele está avaliando o convite. Deverá concluir essa avaliação nos próximos dias e, caso seja candidato, será um extraordinário candidato.

 

E se Pacheco não for candidato, qual será a opção?

Se ele [Rodrigo Pacheco] não for, nós temos essa opção do Eduardo Leite, que saberá também mostrar para o Brasil o quanto é competente. 

Ele tem sido avaliado como o melhor governador do Brasil. Como governador do Rio Grande do Sul, pegou o estado em uma situação difícil e o colocou em ordem. 

O Eduardo Leite já havia sido um bom prefeito em Pelotas. Ele tem bandeiras importantes, por exemplo, é contra a reeleição. Ele não se reelegeu prefeito e poderia ter sido reeleito. Não está se reelegendo governador e poderia se reeleger. Então é jovem, expressa a renovação na política. 

Eu posso lhe afirmar que o PSD terá um candidato próprio à Presidência, para fazer campanha em Mato Grosso do Sul. Teremos nosso presidente, seja Rodrigo Pacheco, seja Eduardo Leite, juntamente com o Marquinhos Trad.

 

E como andam as conversas do PSD com os outros partidos? Há conversas com o PT e outras siglas?

O PSD é um partido de centro, mas não é fisiológico. Tanto não é fisiológico que está aí. Há quatro anos, se quiséssemos, estaríamos ocupando cargos nos ministérios do governo, mas não é essa a nossa vocação.  

Portanto, no segundo turno eu espero que nós tenhamos nosso candidato presente, e com isso nós vamos votar nele e ganhar as eleições.

 

Mas o PSD é um partido que dialoga com todas as outras legendas. Ele não faz o enfrentamento mais radical...  

O partido pode ir para o enfrentamento, mas quando se discorda no campo das ideias. 

O atual governo teve alguns projetos que nós entendemos que eram bons para o Brasil e nós apoiamos. Teve também outros projetos que nós entendemos que não eram bons para o Brasil e nós trabalhamos para rejeitá-los. E vai ser assim com o futuro governo, seja Lula ou quem quer que seja. 

Espero que o futuro presidente seja o Eduardo Leite ou o Rodrigo Pacheco.  

 

O senhor acredita que a polarização Lula x Bolsonaro se manterá até as eleições?

Hoje, está polarizado entre Lula e Bolsonaro, mas a campanha ainda não começou. Eles têm muita visibilidade, a rejeição de ambos é muito alta. 

Quem rejeita o Bolsonaro fala ‘bom, tá aí o Lula, então vou votar no Lula’. Quem rejeita o Lula fala ‘tá aí o Bolsonaro, vou votar nele’. Mas isso vai mudar quando ficar claro que haverá opções. A própria queda do Bolsonaro e do Lula vai fortalecer a terceira via.

 

Quer deixar uma mensagem para a população de Mato Grosso do Sul?

Agradeço a atenção que você tem dado à política brasileira. Temos aí no Correio do Estado sempre uma boa interlocução. 

Esperamos apoiar bons projetos de Mato Grosso do Sul, um estado que tem pessoas muito qualificadas na política, como é o caso do Marquinhos Trad, que eu acho que, se Deus quiser, será nosso futuro candidato a governador e, com o trabalho de todos, nosso futuro governador de Mato Grosso do Sul.

Gilberto Kassab, presidente do PSD - Perfil

Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab já foi prefeito de São Paulo entre 2006 e 2013, também foi deputado federal em São Paulo por dois mandatos consecutivos, ministro das Cidades no governo de Dilma Rousseff (PT) e ministro da Ciência e Tecnologia durante a gestão de Michel Temer (MDB) na Presidência da República.  

Engenheiro civil, Gilberto Kassab, fundou, no ano de 2011, o PSD, partido que preside desde então.

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