Longe de comemorações, a semana em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher começou de forma trágica em Mato Grosso do Sul.
No domingo, duas mulheres foram vítimas de feminicídio em Três Lagoas. Apenas neste ano, a violência contra a mulher já tirou a vida de 10 sul-mato-grossenses.
Segundo o boletim de ocorrência, José Barbosa dos Santos, de 44 anos, assassinou a tiros a ex-mulher Crislaine Célia Martins, de 34 anos. Ao confessar o crime, José relatou que a sobrinha de Crislaine, Mariane Cristina Martins Fonseca, de 22 anos, estava morta em outro cômodo.
Durante a abordagem policial, Santos ameaçou se matar. Quando os militares pediram para que ele soltasse a arma para que as vítimas pudessem ser socorridas, Santos foi enfático ao afirmar que a ex-companheira “já estava morta”.
Quando a arma falhou ao tentar atirar por duas vezes em sua própria cabeça, o homem foi contido pelos militares, que atiraram em sua mão, imobilizando-o logo em seguida.
Os policiais descobriram durante a ocorrência que outras duas mulheres que foram alvos dos tiros disparados por santos conseguiram escapar sem ferimentos. José Barbosa dos Santos é responsável, ainda, pelo homicídio de um colega de alojamento no distrito de Baguaçu, em Olímpia (SP).
Santos, que vai responder por feminicídio tentado e feminicídio consumado, está preso na penitenciária de Três Lagoas até passar por julgamento. O caso segue em investigação pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Três Lagoas.
BALANÇO
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 10 mulheres foram vítimas de feminicídio apenas neste ano em Mato Grosso do Sul.
Conforme a delegada Ana Paula Trindade Ferreira, não havia registro de boletim de ocorrência contra nenhum dos suspeitos nem medidas protetivas. Em 2020, 11 mulheres foram mortas em Campo Grande e 39 em todo o Estado.
Referente ao ano passado, dados da Sejusp apontam queda de 83% da consumação desta violência contra a mulher, com dois casos registrados de janeiro a dezembro de 2021 na Capital, 10 a menos do que no mesmo período de 2020.
Em todo o Estado, foram contabilizados 34 feminicídios no ano passado.
De acordo com a delegada adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Maíra Machado, de janeiro a 21 de dezembro de 2021, foram registradas 17 tentativas de feminicídio em Campo Grande, ao passo que em 2020 foram 14 casos.
No fim de dezembro, Maíra relatou ao Correio do Estado que uma série de fatores envolvem as raízes da violência doméstica.
“Como, por exemplo, o patriarcado, o machismo, os ciúmes, a ingestão de álcool e as drogas”. A delegada afirmou que a maior parte dos criminosos é de companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
CRUELDADE
O primeiro caso de feminicídio neste ano ocorreu no dia 15 de janeiro. Mariana de Lima Costa, 29 anos, foi assassinada pelo marido, Jonas Ferreira Rocha, de 49 anos, em Anastácio.
No dia 16 de janeiro, Paulina Rodrigues, 103 anos, foi espancada até a morte pelo genro, de 91 anos, na aldeia Sassoró, em Tacuru. Em 19 de janeiro, Rose Paredes, 39 anos, foi estuprada e assassinada dentro de sua casa e teve o corpo jogado em um poço, em Bandeirantes.
No dia 23 de janeiro, Marta Gouveia dos Santos, 37 anos, foi encontrada morta após sair para pedalar, em Nova Andradina. Ela tinha sinais de estupro e perfurações pelo corpo. O filho da vítima foi preso, suspeito de envolvimento no crime.
Em 26 de janeiro, Francielle Guimarães Alcântara, 36 anos, foi assassinada pelo marido, após ser mantida em cárcere e torturada por cerca de 30 dias, em Campo Grande.
O sexto caso ocorreu no dia 29 de janeiro. Vitória Caroline de Oliveira Honorato, de 15 anos, foi encontrada morta em Ivinhema, após passar quatro dias desaparecida.
Em fevereiro, no dia 6, Natalin Nara Garcia de Freitas Maia, 22 anos, foi encontrada morta com o pescoço quebrado e uma lesão no braço. O marido da vítima, Tamerson Ribeiro Lima de Souza, 31 anos, 2º sargento da Aeronáutica, foi preso pelo feminicídio.
O oitavo caso do ano aconteceu em Costa Rica. Luana Alves Furtado, de 29 anos, foi assassinada pelo namorado com 10 golpes de faca. Ela foi encontrada morta dentro de casa e o suspeito confessou o crime.
ATENDIMENTO
Na Capital, a Casa da Mulher Brasileira oferece um atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência doméstica. A instituição conta com Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher e Juizado da 3ª Vara, além de apoio socioemocional.
Como denunciar
A denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180, ou pelo 190, da Polícia Militar. A denúncia é anônima, gratuita e está disponível 24 horas em todo o País.