Cidades

PANTANAL EM RISCO

Aquidauana, Corumbá e Porto Murtinho estão entre 40 municípios que mais sofrem com incêndio

Resiliência da vegetação de áreas queimadas caiu em 16% pela recorrência do fogo

Vítima da redução das chuvas e do aumento da temperatura, o pantanal também sofre com a expansão da pecuária e excesso de combustível (vegetação seca) que, aliados, reduziram em 16% a resiliência da vegetação nas áreas queimadas. Dados de estudo nacional apontam Aquidauana, Corumbá e Porto Murtinho entre os 40 municípios que mais sofrem impacto dos incêndios florestais no Brasil.

Segundo pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), diferente do que foi apontado em 2020 — pela ministra Tereza Cristina — sobre o "boi bombeiro", a presença de gado é um fator estatisticamente associado aos incêndios de grande impacto no Pantanal e no Cerrado.  

Nesse estudo, chamado "Determinantes do Impacto do Fogo nos Biomas Brasileiros" — publicado mais recente na "Frontiers in Forests and Global Change" — foram investigadas as causas dos incêndios nos biomas brasileiros, seus impactos na vegetação nativa e tendências futuras.

Dados apontam que o desmatamento para a produção agropecuária e o uso do fogo para rebrota de pasto são as principais causas dos incêndios. Eles até começam em propriedades privadas, mas em seguida escapam para as áreas de vegetação nativa das Unidades de Conservação e Terras Indígenas.  

“É essencial guiar as políticas públicas com base na ciência. Fica claro que permitir o uso das reservas legais para o pastoreio não irá contribuir para a redução dos grandes incêndios, mas sim degradar ecossistemas frágeis”, aponta o coautor do artigo, professor Raoni Rajão.

Além disso, a vegetação nativa, sobretudo as formações florestais em todos os biomas, está sendo fortemente impactada pelo fogo, perdendo sua capacidade de regeneração, graças à recorrência. Por exemplo, nos 20 anos examinados pelo estudo, 45% do Pantanal, 34% do Cerrado e 9% da Amazônia pegaram fogo pelo menos uma vez.

Dr. Ubirajara Oliveira é líder do estudo e pontua que, com as mudanças climáticas e com a expansão agropecuária, tanto o Pantanal, quanto o Cerrado e a Amazônia, devem sofrer com incêndios mais vastos e intensos.  

“Isso tornará o trabalho das brigadas de fogo cada vez mais difícil. Será necessária a intensificação da fiscalização visando a coibição dos causadores de incêndios, aliada ao maior investimento em programas de prevenção e combate de fogo”, finaliza ele. 

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